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A alternativa de Putin ao Estreito de Ormuz 

"A importância da rota do Ártico norte como a via mais segura, confiável e eficiente torna-se cada vez mais evidente diante das interrupções nas cadeias globais de transporte provocadas por numerosos conflitos, incluindo, como vemos agora, os do Oriente Médio", afirma o presidente da Rússia.

Putin fala da Rota Marítima do Norte, uma passagem que atravessa o Ártico ao longo da costa russa. E que pode tornar o trajeto entre a Ásia e a Europa até três vezes mais curto do que a rota pelo Canal de Suez, no Egito.

A proposta de Putin aparece dentro do contexto da guerra no Irã, que afetou significativamente o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Mas será que a Rota Marítima do Norte é realmente uma alternativa viável para o comércio global?

"Atualmente, a quantidade de carga que transita pela Rota Marítima do Norte é insignificante em comparação com outras rotas marítimas da Ásia para a Europa", diz Ksenia Vakhrusheva, da Fundação Ambiental Bellona.

Para ter uma ideia, 12% do comércio global circula pelo Canal de Suez. E 148 navios atravessaram o Estreito de Ormuz no dia anterior ao início da guerra, no fim de fevereiro.

Para efeito de comparação, a Rota Marítima do Norte registrou apenas 103 travessias em todo o ano de 2025.

"No momento, a rentabilidade do uso dessa rota não corresponde à imagem que a Rússia quer projetar sobre ela", afirma Vakhrusheva.

Um dos principais problemas é o clima extremo do Ártico. Durante a maior parte do ano, a rota fica coberta de gelo, e os navios precisam ser acompanhados por quebra-gelos para conseguir avançar. Isso tem um custo alto, além de estar sob controle russo.

"Na prática, toda a rota está sob controle exclusivo da Rússia. Atualmente, só é possível usar quebra-gelos russos. Cada navio precisa obter autorização com antecedência", explica Vakhrusheva.

Usar essa via significa, portanto, depender da Rússia. Um risco que muitos países e empresas de navegação não querem correr.

Em outras palavras, a Rota Marítima do Norte é, até agora, pouco atraente economicamente, de difícil acesso e controlada por um regime autoritário.

Ilustração com mapa do Estreito de Ormuz. — Foto: Reuters

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