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'A comida era escassa, e eram três banhos por semana': Brasileiro detido nos EUA diz que imigrantes sofrem tortura na 'Alcatraz dos Jacarés'

Como muitos brasileiros, Anderson Crivelaro foi para os EUA em 2021, casado e com as filhas pequenas, para construir uma vida no país. O sonho americano foi interrompido em agosto de 2025, quando ele foi detido pelo ICE, o serviço de imigração dos EUA, e colocado por quatro meses em um centro para imigrantes, antes de ser deportado.

Agora longe das filhas, que ficaram nos EUA ele agora está proibido de entrar no país por 10 anos.

Anderson faz parte de uma estatística que vem crescendo desde que Donald Trump reassumiu a Presidência dos EUA: a dos imigrantes detidos e expulsos do país.

Foram 3.526 brasileiros deportados dos Estados Unidos em 2025, um aumento de 47% em relação ao ano anterior.

O brasileiro Anderson Crivelaro foi preso pelo ICE e deportado dos EUA — Foto: GloboNews

Anderson entrou nos EUA com um visto de turismo, que é válido por seis meses, e então deu entrada em um processo de legalização de sua permanência na Justiça. Isso não impediu que ele fosse alvo do ICE.

"Veio o oficial do ICE e disse para mim: nós temos duas opções para você. Ou nós pegamos você e suas duas filhas, colocamos no avião agora para você ir para o seu país, ou nós te mandamos para Miami", conta Anderson, à GloboNews. "E eu tomei a decisão de deixar elas no país e eu ir para Miami."

Trump visita 'Alcatraz dos jacarés', novo centro de detenção de imigrantes na Flórida, em 1º de julho de 2025. — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

O relatório anual da ONG Anistia Internacional apontou em 2025 que já houve violações de direitos humanos nessa unidade.

"A comida era escassa, você comia dali uma hora, você estava com fome", relata Anderson. "Eram três banhos por semana, banho de no máximo 10 minutos."

"Eles tinham um sistema de ventilação de ar soltando um ar frio no máximo para dentro daquele refeitório. Todos os seguranças de blusa, então eles podiam usar blusa e nós não."

Segundo Anderson, a tortura era "tanto psicológica quanto física, quanto mental".

"Todos os que estão lá cometeram um único crime: o de ser imigrante", ele relata.

O Ministério de Direitos Humanos fez um perfil desses deportados:

  • Homens são a maioria.
  • 9 em cada 10 voltam dos Estados Unidos desacompanhados.
  • 74% deles foram para o país norte-americano com o objetivo de trabalhar.
  • 48% são pardos, 31% brancos e 15% pretos.
  • Assim que eles chegam ao Brasil, os estados mais procurados são Minas Gerais, Rondônia, São Paulo, Goiás e Espírito Santo.
  • 63% vão para a casa de familiares.

"Não pude nem dar último abraço nas minhas filhas", conta Anderson, que não vê elas desde o dia de sua detenção, 19 de agosto.

"[Estava com] 55 anos de idade, estava com a minha empresa montada, minhas filhas na escola, saudáveis, feliz, do apartamento montado. E de repente... não foi nem da noite para o dia, foi do dia para tarde."

Ele está impedido de entrar novamente nos EUA pelos próximos dez anos, onde ficaram suas filhas, junto da mãe: "Não tenho pensamento, não sei o que fazer", ele responde, ao ser questionado sobre como planeja se reencontrar com elas.

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