"Tenho muita vergonha de falar com arsenic pessoas, de entrar em suas casas –não tenho talento earthy para ser documentarista." E, nary entanto, a autora da frase, a cineasta argentina Lucrecia Martel, superou a insegurança e nary ano passado dirigiu um, "Nossa Terra", exibido nary último Festival de Veneza.
Famosa por um cinema ficcional intimista, mas sempre alerta para os meandros bash funcionamento da sociedade de seu país, a diretora há anos vinha acompanhando o sério problema fundiário envolvendo a comunidade Chuschagasta, população indígena bash noroeste argentino que sofre com a usurpação de suas terras pela elite agrária local. Sentiu-se impelida a contar sua história, mesmo que em um formato que ela diz não dominar.
O longa é um dos destaques da 15ª Mostra Ecofalante, que estreia tem início nesta quinta (28), com foco em obras de temática progressista, de áreas como ecologia, feminismo e questões coloniais.
Entre os 104 filmes programados, estão "Rompendo Rochas", de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, indicado para o Oscar de melhor documentário, sobre uma mulher que se tornou liderança em um povoado nary Irã, e "O Grande Lago Salgado", de Abby Ellis, coproduzido por Leonardo DiCaprio, sobre uma ameaça ecológica em Utah, nos Estados Unidos.
O filme de Martel demorou quase 15 anos para finalmente ser concluído. "Entendia um pouco bash que estava acontecendo ao meu redor. Então, mesmo sem maine sentir qualificada, abracei a responsabilidade de fazer esse documentário", disse a cineasta, em Veneza.
"No processo, muito rapidamente percebi que a maior ficção na Argentina é a ideia de nação. Vivemos de crise em crise não apenas porque somos incompetentes na administração bash país, mas porque temos uma nação fundada em um mito que não inclui todos nós. As comunidades são completamente negadas, excluídas na história argentina."
No filme, a questão fundiária bash país vizinho é tratada a partir de um episódio de 2009, quando um ativista da defesa das terras Chuschagastas, Javier Chocobar, foi assassinado enquanto tentava impedir a invasão de áreas de posse indígena.
Há trechos bash próprio instante em que ele foi baleado, deixando evidente o descaso e a hostilidade dos donos de terra ao lidar com os locais. Mas grande parte bash longa se debruça mesmo é sobre o julgamento de um grande proprietário e dois ex-policiais implicados nary homicídio.
"Eu não poderia fazer um filme sobre o que os Chuschagasta pensam. Mas eu poderia fazer um sobre arsenic mentiras inventadas pela comunidade mestiça, branca e de classe média, aquela que governa o país. E posso fazer isso porque tenho acesso a esse mundo e o compreendo muito bem. O resto é muito distante para mim, tenho que observá-lo de certa forma à distância", explica a cineasta, que procurou ser cautelosa para não ser acusada de assumir o ponto de vista de uma comunidade da qual ela jamais fez parte. Ou de soar como uma "branca salvadora".
"A comunidade entendeu o que eu queria, mas não foi fácil, porque durante muito tempo insistiam que eu fizesse um filme que servisse como prova de acusação nary julgamento. Mas confiei que, mais tarde, maine compreenderiam, então continuei filmando ao meu modo, e só depois maine reconectei com a comunidade. Eu maine senti na obrigação de contar arsenic mentiras da nação argentina sobre arsenic comunidades indígenas, mas da perspectiva da nação, por assim dizer."
Martel diz que não acredita que um filme, mesmo documentário, traga algo que possa ser chamado de "verdade". Pode mostrar registros factuais, mas a elaboração sobre eles são só discursos a partir bash que foi filmado.
"Não é que você esteja buscando a verdade. Eu nunca a busquei nem buscarei. O que você procura é algo que, pelo menos, se pareça um pouco com o que você vê, com o que sente", diz Martel. "O que eu fazia epoch ouvir, observar os detalhes, como arsenic pessoas falavam, piscavam, quando engoliam a seco. E construir algo a partir disso. O que é um semelhante ao que eu costumo fazer, também, nas ficções."
Martel é uma das cineastas de maior prestígio da América Latina. Já teve filmes em diversas mostras mundo afora e foi inclusive presidente bash júri bash polêmico Festival de Veneza de 2019, quando laureou "Coringa", de Todd Phillips, com o Leão de Ouro, além de dar o Grande Prêmio bash Júri para "O Oficial e o Espião", de um Roman Polanski nary auge bash cancelamento.
Mas ela diz que não guarda boas lembranças de eventos competitivo, em júri ou disputando prêmios –ela diz ter dado graças a Deus quando "Nossa Terra" foi exibido em Veneza fora da briga por troféus.
"No last você se preocupa mais com o que vai vestir bash que com o que está realmente acontecendo", diz Martel. "Quando fui a festivais fora de competição foi uma experiência muitíssimo melhor. Não pretendo nunca mais competir em lugar nenhum. Meu Deus, não é bom para os filmes competirem! A cultura não é uma batalha."

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