E nesse contexto aconteceu uma reunião fechada com chefes de Estado, incluindo Trump, e os CEOs das principais empresas americanas durante o G7 na semana passada. Eles propuseram a criação de uma coalizão de IA liderada pelos Estados Unidos, com acesso estruturado aos modelos de fronteira e comércio de chips, deixando a China explicitamente de fora. Ou seja, os donos dos modelos proprietários querem agora definir também as regras de quem joga e com qual bola.
Aqui é importante lembrar que ter acesso não é ter a posse. O Brasil, como a maior parte do mundo, depende dos modelos desenvolvidos por essas duas potências para incorporar a IA nos seus setores produtivos, nas empresas, nas universidades e nos serviços públicos. Só que o episódio do Fable 5 deixa claro que essa dependência tem o risco da torneira ser fechada a qualquer momento por uma decisão comercial ou política.
E aí a situação fica ainda mais desafiadora. O pesquisador Jeffrey Ding, no livro "Technology and the Rise of Great Powers", argumenta que nas grandes revoluções tecnológicas quem ganha não é necessariamente quem inventa, mas quem consegue difundir a tecnologia por todos os setores da economia. A eletricidade é o exemplo mais fácil para entendermos. A Inglaterra inventou, mas foram os Estados Unidos e a Alemanha que a espalharam pela indústria, pela agricultura e pelos serviços, e foi então que o jogo virou.
Assumindo a mesma lógica para a IA, ainda que o Brasil não consiga competir no desenvolvimento dos modelos mais avançados, ainda dá para jogar esse jogo se promovermos a adoção. O Plano brasileiro de IA (PBIA) tem muitas ações nesse sentido. Só que a adoção também depende do acesso. E o episódio do bloqueio ao Fable mostra a fragilidade de confiar sua estratégia de transformação por meio de uma tecnologia emprestada.
Diante disso, muitos países passam a olhar para os modelos abertos chineses como alternativa. Tecnologias como DeepSeek, Qwen da Alibaba, e Kimi, embora não superem em capacidade os americanos, custam muito menos e podem ser rodados na infraestrutura do próprio país, sem que tenha um botão em que alguém de fora possa desligá-lo.
Não é à toa que isso preocupa o governo dos EUA. Um relatório publicado pelo Congresso americano, chamado "Two Loops", mostra que sete dos dez modelos mais baixados no Hugging Face, a principal plataforma de distribuição de modelos de IA do mundo, são chineses. E segundo levantamento da Andreessen Horowitz, citado no mesmo relatório, cerca de 80% das startups americanas já usam modelos-base chineses para construir suas aplicações.

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
1 hora atrás
5
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/c/A/Yq7j7wSj6FMYP1eZPcoQ/fotojet-20-.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/L/z/RkpTVURAeJkBUUBhQs4w/uber-1.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/B/e/wyAqpbTpeuY9DOYnBsOQ/design-sem-nome-20-.png)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/2/d/ahXI6IRKKsgCfZJLSm1g/unnamed-1-.webp)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/f/G/gGrBNJRwaydNM9Xc9HNQ/54966404065-a6a099d410-b.jpg)
:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/o/u/v2hqAIQhAxupABJOskKg/1-captura-de-tela-2024-07-19-185812-39009722.png)




:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2025/J/R/Veex9XRB6Kr6TvY1ZgLw/imagem-2025-05-21-185915249.png)




Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro