Logo após a aprovação, organizações de direitos humanos de Israel e de países europeus condenaram a proposta. Grupos israelenses também entraram com petições na Suprema Corte do país para tentar barrar a lei.
A norma prevê pena de morte por enforcamento. O método foi escolhido após a Associação Médica de Israel (IMA, na sigla em inglês) se posicionar contra a pena de morte e dizer que não aplicaria injeções letais nesses casos.
Os defensores da lei, inclusive, usam um broche com um símbolo de forca. O ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, estava com o broche quando comemorou a aprovação da lei estourando champanhe no Parlamento (veja no vídeo acima).
Eles defendem que a pena de morte vai impedir que palestinos façam ataques mortais contra israelenses. Mas organizações de direitos humanos negam que a pena de morte tenha esse efeito.
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que "o enforcamento equivale a tortura ou outra punição cruel, desumana ou degradante, de acordo com o direito internacional".
Uma pessoa pode demorar até 45 minutos para morrer com o método, segundo a Death Penalty Information Center, organização norte-americana sem fins lucrativos.
Pena de morte ao redor do mundo
A pena de morte é aplicada em 46 países, segundo dados de 2025 da organização Juntos Contra a Pena de Morte (ECPM, na sigla em francês), veja no mapa abaixo.
Na Europa, o único país que ainda adota essa prática é Belarus.
🔎Pena de morte: é um procedimento legal em que o Estado de um país condena uma pessoa à morte como punição por um crime, segundo a Anistia Internacional.
MAPA - pena de morte pelo mundo — Foto: Editoria de Arte/g1
Ao todo, pelo menos 1,5 mil pessoas foram executadas após sentença de pena de morte em 2024, o maior número desde 2015, de acordo com a Anistia Internacional, organização de direitos humanos.
Deste número, 90% das execuções aconteceram no Irã, na Arábia Saudita e no Iraque.
⚠️Por isso, na prática, o número total de pessoas executadas deve ser bem maior. Além da China, países como Coreia do Norte e Vietnã também mantêm essas informações em sigilo.
Pena de morte por enforcamento
A pena de morte é aplicada por diferentes métodos, como decapitação, injeção letal, fuzilamento e gás nitrogênio.
O enforcamento foi usado como forma de execução em seis países em 2024, segundo o relatório mais recente da Anistia Internacional.
Foram eles: Irã, Iraque, Egito, Síria, Kuwait e Singapura.
Já os Estados Unidos, aliado de Israel, não realizam execuções por enforcamento há cerca de 30 anos, de acordo com o Death Penalty Information Center, organização norte-americana especializada em pena de morte.
Israel aplicou a pena de morte duas vezes na sua história
A legislação de Israel prevê a pena de morte em casos de traição à pátria — julgados por tribunais militares em contexto de guerra — e para crimes ligados ao Holocausto, explica João Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv.
Na prática, porém, o país aplicou a pena capital apenas duas vezes.
O outro foi o de Meir Tobiansky, oficial israelense condenado por traição em 1948 após um julgamento sumário. Mais tarde, foi descoberto que ele era inocente.
Segundo Miragaya, os dois episódios ajudam a explicar por que a Justiça israelense evita aplicar a pena de morte desde então.
Lei aprovada por Parlamento israelense é discriminatória, segundo especialistas
Uma das principais críticas em relação à lei aprovada pelo Parlamento israelense nesta segunda é de que ela é discriminatória.
A proposta estabelece duas vias para a pena de morte, segundo a ONU.
Em Israel, a pena de morte seria aplicada de acordo com a lei penal israelense, em tribunais civis, mas apenas para o “homicídio intencional de cidadãos ou residentes israelenses”.
Já nos territórios palestinos, a pena de morte seria imposta por tribunais militares, sob a lei militar, por atos terroristas que resultem na morte de uma pessoa, mesmo que não intencionalmente.
Na prática, isso significa que apenas palestinos serão enquadrados, segundo especialistas e organizações de direitos humanos.
"Nos tribunais militares, a pena de morte é obrigatória, exceto em casos de circunstâncias especiais, e, portanto, a regra geral da lei é que qualquer palestino nos territórios que seja julgado por homicídio relacionado ao terrorismo e condenado receberá a pena de morte."
"Em contraste, nos tribunais civis israelenses, a pena de morte é a pena máxima, mas não é obrigatória", afirma a Associação para Direitos Civis em Israel.
Ao The New York Times, Sapir, professor da Universidade de Tel Aviv, disse:
“A intenção é claramente que a lei se aplique aos palestinos e não ao terrorismo judeu de forma alguma”.
Além disso, segundo a Organização de Direitos Civis de Israel, em tribunais militares há mais risco para falsas confissões.
A lei determina que a sentença, ou seja, a execução, seja concluída em até 90 dias da decisão - o que pode ser adiado por até 180 dias. Para especialistas, esse prazo é muito apertado para garantir que a defesa tenha todos os seus direitos garantidos.
Ministro israelense Ben-Gvir usa broche com símbolo de forca. — Foto: REUTERS/Amir Cohen/Foto de Arquivo

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