Agricultores de diversos sindicatos convocaram os protestos em Paris em meio a negociação de acordo de livre comércio entre os países da UE e países da América do Sul com importações de alimentos baratos, além de discordarem com a forma como o governo lida com uma doença contagiosa que afeta o gado.
Em tratores, os manifestantes romperam os bloqueios policiais e circularam pela avenida Champs-Élysées e bloquearam a via ao redor do Arco do Triunfo.
Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris — Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters
Dezenas de tratores bloquearam rodovias que levam à capital, incluindo a A13, que liga os subúrbios do oeste e a Normandia a Paris, causando 150 quilômetros de congestionamento, segundo o ministro dos Transportes.
O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, um dia antes de os Estados-membros da União Europeia deverem votar o acordo comercial. Sem maioria no Parlamento, qualquer erro de política de Macron pode resultar em um perigoso voto de desconfiança na Câmara.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em recursos da UE para agricultores no próximo orçamento e concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de conquistar países hesitantes em apoiar o Mercosul.
Os agricultores também pedem pelo fim da política de abate de bovinos em resposta à contagiosa doença da dermatite nodular, que consideram excessiva, defendendo a vacinação, além de reclamarem dos altos custos e da regulamentação excessiva.
A polícia estava evitando confrontos com os manifestantes, afirmou o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot. “Os agricultores não são nossos inimigos”, disse ele.
Votação no Mercosul esperada pra sexta-feira
A França há muito tempo se opõe firmemente ao acordo e, mesmo após extrair concessões de última hora, a posição final de Macron ainda não é conhecida.
Mesmo tendo obtido concessões significativas, o acordo é um tema politicamente sensível para o governo, em meio às eleições municipais de março e ao bom desempenho da extrema direita nas pesquisas antes da eleição que substituirá Macron em 2027.
“Este tratado ainda não é aceitável”, disse a porta-voz do governo, Maud Brégeon, à rádio France Info. Ela se recusou a dizer se Macron votará a favor ou contra o acordo, ou se irá se abster.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.
O acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Comissão parecia mais próxima de conquistar o apoio da Itália. O aval de Roma significaria que a UE teria votos suficientes para aprovar o acordo comercial com ou sem o apoio francês.
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9).
Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante uma manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR) — Foto: Thomas Samson/AFP

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