O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou a emissários do governo o desejo de conversar pessoalmente com o presidente Lula (PT). A ideia é reconstruir pontes após a Casa impor ao petista uma derrota histórica na última semana, rejeitando a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal).
A interlocutores Alcolumbre avisou que deseja encerrar o caso —nas palavras dele, "passar a régua" no episódio. Nessas conversas, o presidente do Senado sustenta que não trabalhou contra a indicação de Lula e que a rejeição foi resultado de uma insatisfação da Casa, cujo risco foi alertado por ele ao Planalto anteriormente.
O recado é que o parlamentar não quer prejudicar o governo e não vai trancar propostas ou pautar surpresas indigestas para o Executivo.
Até a derrota de Messias, Alcolumbre era visto como o presidente de uma Casa que deu pouca dor de cabeça a Lula. O tom dado pelo senador amapaense é que segue sendo do seu interesse jogar junto ao governo. A aliados do centrão ele havia comunicado que apenas procurava abrir um canal de interlocução com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição à Presidência, mas sem aderir à oposição.
Lula, por sua vez, também deixou claro que não deseja queimar pontes com Alcolumbre. Após a derrota na semana passada, disse "vida que segue" aos seus articuladores. Na terça-feira (5), o ministro José Mucio (Defesa) foi ao encontro do Senador para sentir a temperatura. Na quarta-feira (6), foi a vez do ministro José Guimarães (Relações Institucionais) almoçar com o chefe do Legislativo.
No Senado, Alcolumbre tem conversado com aliados de Lula, como o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), com quem esteve na manhã desta quinta-feira (7).
No rol de possibilidades aventadas no Planalto para melhorar o desempenho no Senado, está a troca de ocupantes de lideranças do governo na Casa. Aliados sugerem que Randolfe seja afastado por causa da sua proximidade com Alcolumbre, pela aliança no Amapá, e também porque o petista precisará se dedicar à reeleição no estado.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também é alvo de objeções. Alcolumbre rompeu relações com o petista durante o processo de indicação de Messias, e uma ala do governo aponta a impossibilidade de mantê-lo na liderança sem relação direta com o presidente da Casa.
O governo tem propostas importantes nas mãos de Alcolumbre. Estão para ser votadas no Senado as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) do Suas (Sistema Único de Assistência Social) e a da Segurança Pública. O projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos no Brasil, as chamadas "terras raras", também aguarda análise dos senadores.
A prioridade legislativa do governo para a eleição, o fim da escala 6x1, também precisará passar pelo Senado. A PEC está na Câmara e deve ser votada até o final de maio. Ou seja, o Planalto precisará da boa vontade de Alcolumbre para aprová-la até junho, mês que naturalmente é mais conturbado pela intensificação da pré-campanha e pelo início da Copa do Mundo.
Apesar desses movimentos, a fase do relacionamento entre Alcolumbre e governo foi descrita como abrasiva por um ministro de Lula. E, mesmo com esse esforço mútuo de reaproximação, o envolvimento de líderes do centrão com o caso do Banco Master deverá ser explorado pelo PT na disputa presidencial.
Sobre a rejeição de Messias, por exemplo, a estratégia será reprisar que adversários de Lula se uniram a ministros do STF para impedir o avanço das investigações, prejudicando um evangélico.
A associação de bolsonaristas ao caso ameaça azedar a relação com dirigentes partidários investigados. Pivô do escândalo, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se reuniu com Alcolumbre em 2025 na residência oficial do Senado, de acordo com diálogos dele com a ex-namorada Marta Graeff que estavam em um dos celulares apreendidos pela PF.
A Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do estado, aplicou R$ 400 milhões em títulos de alto risco do banco. A instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro e afilhado político de Alcolumbre.

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