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Aliados de Flávio admitem desgaste com Ciro Nogueira e se dividem sobre reação

Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitem que a operação da Polícia Federal sobre o Banco Master que atingiu o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), tem efeito sobre a direita na disputa presidencial, dado que o partido é cotado para ocupar a vaga de vice na chapa e o político foi braço direito de Jair Bolsonaro (PL).

A primeira avaliação da campanha, no entanto, foi a de que Flávio conseguiu se manter afastado até aqui e deve tentar permanecer preservado. Foi um acerto, dizem esses auxiliares, que a vaga de vice já não tenha sido anunciada para a federação PP-União Brasil, o que ampliaria o desgaste desta quinta-feira (7).

A federação ainda não declarou apoio a Flávio, embora esse seja o caminho natural até as convenções, de acordo com quatro integrantes de PP e União Brasil.

O posto de vice está vago, entre outros motivos, porque havia a expectativa de que o caso Master pudesse chegar a aliados importantes como Ciro Nogueira. Como mostrou a coluna Painel, há receio na campanha de Flávio de que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, seja alvo das investigações.

A orientação na equipe de Flávio é dar tempo para que os efeitos das apurações e da delação de Daniel Vorcaro possam ser medidos antes de definir se o PL fará coligação e com quais partidos. Na prática, o jogo segue em aberto, com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) como possíveis vices.

Seguindo a cautela pregada por seus aliados, Flávio divulgou uma nota em que comenta a operação, mas não defende Ciro e evita se posicionar, aparentando um distanciamento.

"O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração", diz o texto.

Um dos líderes do centrão, Ciro adota uma linha pragmática. Ele já gravitou da base de apoio de governos petistas para a chefia da Casa Civil de Bolsonaro e tentou o apoio de Lula (PT) neste ano após fracassar na tentativa de ser vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma possível chapa presidencial.

Em março, durante entrevista a jornalistas no Piauí, Ciro chegou a dizer que renunciaria ao seu mandato se alguma denúncia em relação ao Master fosse comprovada.

Caso outros políticos e partidos também sejam alvos de suspeitas graves como as de Ciro, que a PF acusa de ter recebido pagamentos mensais de Vorcaro para atuar a favor dos interesses do Master, a opinião de pessoas ao redor de Flávio é a de que seria possível ter o PP na vice, dado que o escândalo ficaria generalizado.

Mas, se Ciro for o foco das investigações, como é o caso neste momento, há um cálculo em torno do nome de Tereza —que vem repetindo publicamente não ter interesse na vaga. Por um lado, bolsonaristas dizem que ela tem seu capital político preservado e independente do presidente do PP. Por outro, é certo que adversários a usariam para atingir Flávio.

Integrantes e aliados do governo Lula buscam associar Flávio ao Master, tática reforçada após a operação. Mas a expectativa é que a tarefa de desgastar o bolsonarismo a partir das acusações contra o presidente do PP fique com ministros e congressistas.

Nos EUA, ao ser questionado, o presidente evitou se aprofundar na investigação e, sem citar Ciro Nogueira nominalmente, disse esperar que todos os investigados sejam inocentes. "A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes", afirmou Lula.

"A nova operação mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do BolsoMaster", disse o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). Ele defendeu a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o escândalo.

Governistas dizem acreditar que a operação dificulta a aliança do PP com Flávio e, consequentemente, tira do adversário político vantagens como aumentar seu tempo de TV. Por outro lado, eles preveem maior dificuldade para que o Planalto forme maioria no Congresso, já que Ciro é um dos principais líderes do centrão.

Auxiliares de Flávio dizem ver efeito limitado nos ataques do governo, enquanto parlamentares bolsonaristas já preparam um discurso para rebatê-los.

Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PT-PB) afirma que a direita defende o avanço das investigações e questiona o interesse político por trás da operação contra o presidente do PP. "O filho do Lula [PT] recebeu mesada e não teve operação. Também era para ter operação na casa do [ministro do STF] Alexandre de Moraes", diz.

O parlamentar afirma ainda que a oposição defendeu a CPI do Banco Master desde o início, e tenta descolar a campanha de Flávio do ex-ministro de Bolsonaro. "O Ciro também foi aliado do PT, e aí? Ele é centrão. Centrão é centrão, não é direita", afirma.

Brasília Hoje

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A operação desta quinta reforçou a dúvida que já existia entre alguns aliados de Flávio a respeito das vantagens de uma coligação com PP e União Brasil. Parte dos integrantes da campanha afirma que o PL, sozinho, já tem verba, tempo de TV e palanques pelo país suficientes para alavancar Flávio —atualmente empatado com Lula mesmo sem o embarque formal do centrão.

Segundo esse raciocínio, a união do PL ao centrão nos estados seria desejável para isolar o PT, porém, em relação à presença na chapa majoritária de Flávio, só teria sentido agregar outros partidos se não houvesse desgaste algum.

Outra parcela dos bolsonaristas tem insistido na aliança com a federação para consolidar os votos da direita e conquistar eleitores ao centro. Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) passou os últimos dias em conversas em busca de um anúncio formal de apoio nas próximas semanas.

Zema, que tem pretensão de ser o vice da chapa do PL, aproveitou a operação desta quinta para criticar Ciro nas redes sociais e se contrapor à possível aliança de Flávio com o PP. Seu principal articulador político em Minas Gerais, no entanto, é integrante do PP, o ex-deputado e pré-candidato ao Senado Marcelo Aro.

Dentro do PP, a possibilidade de afastamento de Ciro da presidência do partido para evitar desgaste eleitoral é descartada.

Em nota, a defesa de Ciro afirmou repudiar ilações de ilicitude, "especialmente em sua atuação parlamentar", e disse que o senador está comprometido a contribuir com a Justiça para esclarecer que não participou de atividades ilícitas.

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