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Alta do ouro preocupa setor de eletrônicos, mas efeito nos preços é pequeno

Impacto da alta em celulares, TVs e computadores ainda é descartado. Os especialistas afirmam que a quantidade de ouro presente nos equipamentos eletrônicos é insuficiente para que a valorização do metal altere o preço dos produtos. "Os componentes eletrônicos têm menos de 1% de ouro. Então, esse impacto pode ser psicológico nas unidades industriais, mas distante de ser um material tão relevante quanto o lítio, utilizado nas baterias", afirma Brunella.

Ouro representa pequena parcela do valor final de um aparelho eletrônico. Com a cotação do metal na faixa dos US$ 5.000, um equipamento fabricado com 34 miligramas de ouro (quantidade máxima indicada pela APMEX) conta com somente US$ 5,47 (o equivalente a R$ 28,70 na cotação atual do dólar) de seu valor atrelado ao elemento precioso. Para de um celular de R$ 2.000, o valor equivale a menos de 1,5% do preço.

Cotação do dólar tem peso mais relevante sobre o preço dos produtos. A variação da moeda norte-americana é citada como elemento determinante para definir o valor final dos aparelhos eletrônicos, que são importados e têm seus custos atrelados ao dólar. Desde o início do ano passado, o valor comercial da divisa dos EUA desabou 15% em relação ao real.

Quando o dólar sobe, o reflexo na formação de preços é praticamente imediato. Por outro lado, o impacto do ouro é mais difuso e tende a afetar os preços ao consumidor apenas no médio e longo prazo.
Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos

Gargalos logísticos têm potencial para elevar preço dos eletrônicos. Conforme o relatório da Abinee, 13% das empresas importadoras indicaram atrasos no recebimento de cargas. Ainda que o percentual seja o menor desde 2021, Brunella relata que a questão é dominante para o preço final dos equipamentos. "Uma interrupção, ainda que mínima, nas cadeias logísticas, como a que aconteceu nos últimos anos no Canal de Suez, é muito mais relevante para os eletrônicos", afirma ele.

O Canal de Suez é por onde passa boa parte da cadeia de suprimentos dos mercados europeu e asiático, que encurta o caminho para não passar pelo Cabo da Boa Esperança. Qualquer interrupção provocada por um conflito armado é muito mais relevante do que o preço do ouro.
Marcelo Brunella, diretor-executivo da Anoro

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