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António José Seguro faz seu 1º discurso como presidente eleito de Portugal

O candidato de esquerda, que recebeu apoio dos candidatos de partidos de centro, recebeu 66,7% dos votos válidos contra 33,3% de André Ventura, do partido de extrema direita Chega.

Seguro começou seu discurso expressando pesar pelas vítimas das tempestades que vem atingindo Portugal e falou sobre a responsabilidade do Estado em ajudá-las. Depois agradeceu quem superou as condições climáticas adversas para exercer sua cidadania e ir às urnas.

"Os vencedores dessa noite são os portugueses e a democracia", afirmou o novo presidente, mandando também um recado ao adversário: "Como democrata, todos que concorreram comigo merecem meu respeito. Como futuro presidente, acrescento que a partir dessa noite deixamos de ser adversários e temos o dever partilhado de trabalhar para um Portugal mais desenvolvido e mais justo".

Duas pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas - 19h do horário local e 16h em Brasília deste domingo (8) - já apontavam a vitória, prevista nas pesquisas de intenção de voto. A jornalistas, antes de seu pronunciamento oficial como eleito, Seguro afirmou:

"A resposta que o povo português deu hoje, o seu compromisso com a liberdade, a democracia e o futuro do nosso país, deixa-me naturalmente comovido e orgulhoso da nossa nação".

Em seu discurso, ele afirmou que Portugal tem uma oportunidade única para que todos os poderes encontrem uma solução para os problemas enfrentados pelo país atualmente, como questões na saúde e os incêndios florestais.

"Serei o impulsionador dessa mudança, para a melhoria da vida dos portugueses", disse. Ainda defendeu que a transparência e a ética são inegociáveis.

"Esperança não é ignorar os problemas, mas a certeza que temos capacidade de resolvê-los", afirmou.

António José Seguro é eleito novo presidente de Portugal. Na imagem, ele chega para acompanhar a apuração do segundo turno, na noite deste domingo (8), em Lisboa — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

Em seu perfil nas redes sociais, Ventura reconheceu a derrota e agradeceu os apoiadores:

"Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer história! Obrigado pela confiança".

Apoiantes do candidato presidencial e socialista moderado António José Seguro reagem aos resultados das sondagens no dia das eleições presidenciais — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

António José Seguro tem 63 anos e é um político socialista de longa data.

Durante a campanha, ele posicionou-se como um candidato moderado que cooperará com o governo minoritário de centro-direita de Portugal, repudiando as diatribes anti-establishment e anti-imigração de Ventura, e conquistou o apoio de outros políticos tradicionais, tanto de esquerda quanto de direita, que desejam conter a crescente onda populista.

Apesar da derrota deste domingo, André Ventura, de 43 anos, segue em sua escalada de popularidade no país. O apoio crescente a ele e seu partido reflete a influência cada vez maior da extrema direita em Portugal e em grande parte da Europa.

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"Todo o sistema político, tanto de direita quanto de esquerda, uniu-se contra mim. Mesmo assim, acredito que a liderança da direita foi definida e consolidada hoje. Espero liderar esse espaço político a partir de hoje", disse Ventura a jornalistas ao sair de uma missa católica no centro de Lisboa.

André Ventura, candidato do partido de extrema direita de Portugal Chega — Foto: REUTERS/Rodrigo Antunes

Eleição foi adiada em alguns municípios

Segundo informações da agência de notícias Reuters, cidades no sul e no centro do país adiaram a votação por uma semana. Cerca de 37 mil eleitores, o que corresponde a 0,3% do total, foram afetados.

"Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe. Acho que em muitas partes do país, as pessoas se sentem desrespeitadas", afirmou.

António José Seguro, candidato do Partido Socialista de Portugal — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Seguro também falou sobre o adiamento em algumas zonas eleitorais. Expressou solidariedade aos afetados, mas pediu que os cidadãos não deixem de ir às urnas:

"Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país. Estamos a eleger o Presidente da República para os próximos cinco anos, o que é uma decisão muito importante. Expresso também a minha solidariedade a todas as famílias que estão a atravessar momentos difíceis em algumas partes do nosso país".

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