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Árbitro somali tirado da Copa após ser barrado pelos EUA faria história pelo seu país; conheça

Artan seria o primeiro árbitro da Somália a apitar em uma Copa do Mundo após entrar na lista final da Fifa para o torneio, anunciada dois meses atrás. Ele é um dos principais árbitros da África e foi eleito o melhor árbitro masculino do continente em 2025.

O sonho, no entanto, teve que ser adiado. A Fifa o cortou do quadro de arbitragem da Copa após ele ter sua entrada negada no Aeroporto Internacional de Miami. A entidade máxima do futebol disse na segunda-feira (8) que "não se envolve nos processos de imigração dos países-sedes".

A decisão de negar a um oficial de arbitragem designado pela Fifa a permissão para entrar no país-sede da Copa do Mundo é altamente incomum. Artan deveria se reunir com outros árbitros do Mundial na base de treinamento em Miami. Ao todo, 170 árbitros de campo, assistentes de arbitragem e árbitros de vídeo (VAR) participarão da Copa, segundo a Fifa.

Agora no g1

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Artan faria história pela Somália

Omar Artan tem 34 anos e é árbitro Fifa desde 2018 —é necessário ter essa patente para apitar um jogo de Copa do Mundo e de alguns dos campeonatos mais importantes do futebol.

Artan tem sido elogiado como um dos melhores árbitros da África e apitou o jogo decisivo da final da Liga dos Campeões Africana no mês passado —a principal competição de clubes do continente.

Em entrevista recente à rede catari "Al Jazeera", ele falou sobre a honra de ser escolhido como o primeiro somali a apitar uma Copa do Mundo e sobre os desafios enfrentados em seu país marcado por conflitos, incluindo a necessidade de mudar rotas para o treino por causa de explosões nas ruas da capital, Mogadíscio.

“Você não pode desistir como árbitro”, disse Artan na entrevista. “Ir para a Copa do Mundo era meu grande objetivo, e estou realmente empolgado.”

Interrogado por 11 horas nos EUA e submetido a 'inspeção adicional'

Seleção de Senegal é revistada ainda na pista do aeroporto ao chegar aos EUA

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Artan disse ao jornal norte-americano "The New York Times" que foi entrevistado por 11 horas no aeroporto de Miami por agentes de fronteira, que perguntaram por que ele viajou aos EUA e o questionaram sobre a política somali e o grupo militante al-Shabab, que luta uma insurgência contra o governo local. Ele afirmou ter mostrado documentos da FIFA e fotos de sua carreira como árbitro.

Após o interrogatório, ele foi colocado em uma sala de retenção e enviado de volta em um voo para Istambul, na Turquia, de onde havia embarcado em conexão para os EUA. O incidente ocorreu no último sábado, seu aniversário.

“Acho que eles têm um problema com meu país”, disse Artan ao The New York Times, acrescentando que tinha os documentos e o visto corretos. Segundo o jornal, ele não foi informado sobre o motivo da recusa.

O Ministério da Juventude e Esportes da Somália afirmou nesta terça-feira (9) que sua embaixada nos EUA tentava resolver o problema para permitir que Artan apite na Copa do Mundo, que começa já na próxima quinta-feira (11).

A recusa pode estar relacionada às restrições mais amplas impostas à Somália “e não a qualquer acusação específica contra ele”, disse Isse Aden Abshir, assessor sênior do ministério, à agência de notícias Associated Press.

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou em comunicado na segunda que Artan “passou por inspeção adicional” ao chegar a Miami, e classificou o procedimento como “parte rotineira do processo quando os agentes precisam verificar informações ou determinar admissibilidade”.

“Após a inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo da FIFA, foi considerado inadmissível devido a preocupações de verificação e teve a entrada negada”, disse o órgão.

A agência afirmou que todos os viajantes que buscam entrar nos EUA — incluindo jogadores, técnicos e equipes da Copa — estão sujeitos a inspeção e verificação.

“As decisões de admissibilidade são tomadas caso a caso com base em informações de segurança pública, segurança nacional e imigração disponíveis no momento da inspeção”, diz o comunicado. “Os agentes têm autoridade para questionar viajantes, realizar inspeções e determinar admissibilidade de acordo com a lei dos EUA.”

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