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Artista russo crítico a Putin é assassinado a tiros na Polônia

Foram disparados cinco tiros contra a vítima, incluindo um na cabeça, disse Marcin Kozak, porta-voz do Ministério Público do distrito de Lublin. Segundo Kozak, dois cidadãos belarrussos suspeitos de ter ligação com o caso foram presos nas proximidades do consulado de Belarus em Biala Podlaska. Belarus é governado por um regime aliado da Rússia.

Ainda segundo Kozak, o artista foi abordado por um atirador não identificado, que inicialmente disparou dois tiros contra ele. "Quando a vítima caiu no chão, o autor se aproximou, disparou mais três vezes e fugiu rapidamente do local", disse. Cinco cápsulas e um projétil foram recolhidos na cena do crime, informou a autoridade.

Até o momento, "nenhuma acusação foi formalizada" contra os dois belarrussos, disse Kozak, acrescentando que "eles permanecem à disposição do Ministério Público e da polícia".

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O crime ocorreu na segunda-feira, e a vítima do ataque foi identificada pelas autoridades polonesas como Robert Kuzovkov, de 44 anos, também conhecido pelo pseudônimo artístico Semyon Skrepetsky, um artista e performer russo, conhecido por suas críticas ao líder russo.

Kozak confirmou que o homem morto estava envolvido em atividades artísticas nas quais expressava críticas às ações atuais das autoridades em Moscou.

Três dias antes de ser assassinado, Skrepetsky havia viajado para Berlim no Dia da Rússia, um feriado na data de 12 de junho que marca a declaração de soberania do país antes do colapso da União Soviética, onde realizou um protesto em frente à embaixada russa com uma caricatura de Joseph Stalin e Putin.

Skrepetsky se mudou para a Polônia em 2021, alegando temer perseguição política na Rússia. No exílio, ele manteve uma postura desafiadora, participando de eventos da oposição russa, a quem também criticava abertamente.

Ele era conhecido por suas caricaturas, por vezes provocativas, que tinham como alvo figuras políticas russas em evidência, incluindo o líder opositor Alexei Navalny –morto em 2024 em uma prisão russa– e o governante checheno Ramzan Kadyrov.

Uma de suas obras mais conhecidas reinterpreta um ícone ortodoxo clássico, retratando Stalin segurando Putin no lugar da Virgem de Deus com o menino Jesus.

A Polônia afirma que seu papel como centro de fornecimento de ajuda militares e suprimentos para a Ucrânia a tornou alvo de espiões russos que tentam coletar informações sobre o apoio aos esforços de Kiev para repelir a invasão russa, bem como se envolver em atos de sabotagem.

Opositores russos mortos no exterior

Os serviços de segurança de vários países europeus alertaram para possíveis ataques contra opositores do governo russo que vivem no exílio.

Nos últimos anos, vários membros da oposição russa foram mortos no exterior em circunstâncias suspeitas ou violentas.

Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2018, com o envenenamento do ex-agente duplo Sergei Skripal e de sua filha no Reino Unido, ataque atribuído por Londres a agentes russos. Mais recentemente, em 2024, um piloto militar russo que havia desertado para a Ucrânia foi assassinado a tiros na Espanha. Ele havia desertado para a Ucrânia no ano anterior em seu helicóptero.

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