
Crédito, PA Media
- Author, Chris Mason
- Role, Editor de Política da BBC News
Published Há 4 minutos
Tempo de leitura: 4 min
Westminster — a região central de Londres que abriga o epicentro político do Reino Unido — é um endereço cuja moeda é o poder. E o poder está mudando de mãos rapidamente.
Primeiro, Starmer estabeleceu um cronograma para sua saída, abrindo caminho para o favorito, o ex-prefeito de Manchester Andy Burnham, ocupar a vaga. Depois, o maior rival em potencial de Burnham, o ex-secretário de saúde Wes Streeting, desistiu de concorrer e endossou o ex-prefeito de Manchester.
Portanto, não apenas soubemos que Starmer partirá em breve, mas obtivemos a indicação mais forte possível de que é muito provável que Burnham seja seu sucessor — e provavelmente em pouco tempo.
As fotografias do novo deputado por Makerfield, sorridente na presença de centenas de parlamentares trabalhistas, contrastam com as imagens de Starmer e de sua esposa, ambos emocionados, ilustrando essa transferência de poder que pode ser brutal.
Um 'perdedor'
Figuras de alto escalão esperam manter cargos importantes no governo, mas agora há um novo líder que eles precisam conquistar. Aqueles que defendem a permanência de Rachel Reeves como ministra das Finanças dizem que ela manteve a confiança dos mercados e que mantê-la no cargo poderia ajudar Burnham a fazer o mesmo.
Alguns acreditam que ela poderia vir a ser substituída por Streeting, embora ele tenha me dito que não recebeu esse convite de Burnham.
Após o teatro e o drama de segunda-feira, surgem as questões difíceis para o Partido Trabalhista e para Burnham.
E alguns já estão preocupados.
Um homem que nem sequer foi candidato ao Parlamento nas últimas eleições gerais e que ainda não era deputado na semana passada pode ser primeiro-ministro já no próximo mês.
"E lembre-se de que ele já concorreu à liderança do Partido Trabalhista duas vezes antes e perdeu", me disse um ministro, acrescentando: "E não só isso. Ele perdeu para dois perdedores — Ed Miliband e Jeremy Corbyn."
Miliband perdeu as eleições gerais de 2015. Corbyn perdeu as eleições gerais de 2017 e 2019.
Combatendo o Reform UK
Então, o que está impulsionando o magnetismo atual de Burnham? Resumindo, neste momento, ele é visto como um vencedor e Starmer é visto como um perdedor.
E não um vencedor qualquer — um vencedor contra o Reform UK, partido da direita radical que vem rivalizando com os Trabalhistas nas pesquisas de opinião. Burnham venceu na semana passada a eleição complementar em Makerfield, local onde o Reform UK costuma se sair bem.
Sem dúvida, Burnham não escolheu uma vaga fácil para disputar e retornar ao Parlamento. Mas também é verdade que ele é muito popular na Grande Manchester e sua popularidade ainda não foi testada.
"Parece que muitos deputados trabalhistas estão correndo para pegar um trem que está prestes a sair da estação, mas não fazem ideia de para onde ele vai", foi como uma fonte descreveu a situação para mim, sugerindo que ainda há muito que o partido e o país não sabem sobre o programa de governo de Burnham.
Ele apresentou algumas ideias, em termos gerais, durante a campanha da eleição complementar, mas – talvez compreensivelmente – se concentrou mais nas questões locais que poderiam ajudar a garantir a vaga no Parlamento.
Em uma publicação nas redes sociais refletindo sobre a decisão de Starmer de deixar o cargo, Burnham disse que "as pessoas querem ver progresso no crescimento econômico, no custo de vida, nos serviços públicos, na habitação e nas oportunidades para a próxima geração".
Poucos, independentemente de sua posição política, discordariam disso. A forma como ele pretende concretizar isso agora enfrentará um intenso escrutínio.
É a falta de detalhes e a potencial janela de tempo muito estreita para preencher essas lacunas que estão causando nervosismo em alguns no Partido Trabalhista.
É por isso que alguns parlamentares trabalhistas estão falando da ideia de tentar persuadir Darren Jones, o ministro-chefe de Starmer, a concorrer contra Burnham.
Aliados dele sugerem que, no geral, é improvável que ele o faça, mas pelo menos ainda não descarta essa possibilidade.
Dúvidas em política externa
O próximo momento-chave desse processo de transição será quando Burnham decidir apresentar seu programa.
Um homem que, até as primeiras horas de sexta-feira da semana passada, ainda era prefeito não teve muitos motivos para se aprofundar publicamente em política externa, por exemplo.
Mas caso ele se torne primeiro-ministro, certamente passará uma grande parte do seu tempo considerando esse tema.
Como ele abordaria a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por exemplo? Ele estaria disposto a destinar mais recursos para as Forças Armadas britânicas? E, se estiver, como pretende pagar por isso?
Há hoje uma série de questões em aberto para um homem que poderá estar liderando o Reino Unido já no próximo mês.

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