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Ataques se espalham pelo Oriente Médio: o que mudou na guerra entre Irã, EUA e Israel

Entre a noite de terça-feira (3) e a manhã desta quarta (4), novos ataques foram registrados em diferentes países da região, com novos lançamentos de mísseis e drones. Além disso, governos estrangeiros começaram a reagir de forma mais direta ao conflito.

Também nesta quarta ocorre o funeral do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto nos ataques realizados por Estados Unidos e Israel no fim de semana –um evento que pode mobilizar multidões e aumentar ainda mais a tensão política dentro do Irã.

Nas últimas horas, o cenário indica que o conflito deixou de ser apenas um confronto direto entre Irã e Israel e passou a atingir uma parte maior do Oriente Médio. A seguir, veja o que você precisa saber para entender a escalada do conflito.

Imagens de satélite mostram antes e depois de estruturas atacadas no Irã — Foto: Reprodução/Reuters

O que você precisa saber para ficar informado

  • Por que a guerra começou: Estados Unidos e Israel dizem que atacaram o Irã porque temem que o país esteja se aproximando da capacidade de produzir uma arma nuclear. O ponto central da disputa é o enriquecimento de urânio, processo que pode ser usado tanto para energia quanto para fabricar bombas.
  • O estopim: no sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos militares e nucleares no Irã. No bombardeio, morreu o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
  • Resposta iraniana: o Irã passou a lançar mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, onde existem bases militares americanas.
  • O conflito se espalhou: ataques já atingiram também Líbano, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, elevando o risco de uma guerra regional maior.
  • Europa entra em alerta: governos europeus começaram a reforçar presença militar na região e discutir medidas de defesa. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a Europa precisa fortalecer sua capacidade militar e nuclear diante da escalada do conflito.
  • Mais de mil mortos: segundo a organização humanitária iraniana Crescente Vermelho, o número de mortos no Irã já passou de mil desde o início dos bombardeios. Há também mortes no Líbano, em Israel, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. Veja abaixo.
  • Petróleo no centro da crise: o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Donald Trump afirmou que os Estados Unidos podem escoltar petroleiros para desafiar o bloqueio, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana disse ter controle total sobre o estreito.
  • Disputa pelo poder no Irã: após a morte de Khamenei, o país precisa escolher um novo líder supremo –processo que ocorre enquanto o conflito continua.

Destruição em Teerã em 3 de março de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA/Reuters

De 3 para 4 de março: novos ataques e expansão do conflito

Israel afirmou nesta quarta-feira que iniciou uma nova onda de bombardeios contra Teerã, capital do Irã. Explosões foram registradas em diferentes partes da cidade, segundo a imprensa local.

Os ataques também atingiram Beirute, no Líbano. Regiões associadas ao Hezbollah–grupo armado aliado do Irã– voltaram a ser alvo das ofensivas israelenses.

Em resposta, o Irã ampliou seus ataques. Nas últimas horas, mísseis e drones foram lançados contra Israel e países do Golfo, como Catar e Kuwait, que informou ter interceptado projéteis em seu espaço aéreo.

ℹ️ Esses países não participam diretamente da guerra, mas abrigam bases militares americanas, o que os transforma em possíveis alvos de retaliação iraniana.

Autoridades iranianas disseram que não pretendem negociar com os Estados Unidos neste momento e que o país está preparado para continuar a guerra.

Mortes e impacto humanitário

A guerra já deixou centenas de mortos em vários países do Oriente Médio e também entre militares americanos. Veja o balanço mais recente:

  • Irã: mais de mil pessoas morreram, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano.
  • Israel: 10 civis morreram, incluindo nove pessoas atingidas por um míssil iraniano em Beit Shemesh, perto de Jerusalém, segundo o serviço de emergência Magen David Adom. O Exército israelense afirma não ter registrado mortes entre militares.
  • Líbano: 50 pessoas morreram em ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde libanês.
  • Bahrein: uma pessoa morreu após um incêndio provocado pela interceptação de um míssil na cidade industrial de Salman, segundo o Ministério do Interior do país.
  • Kuwait: três pessoas morreram, incluindo dois soldados kuwaitianos, em ataques atribuídos ao Irã, segundo os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores do país.
  • Omã: uma pessoa morreu após um projétil atingir um navio petroleiro próximo à costa de Mascate.
  • Emirados Árabes Unidos: três pessoas morreram, segundo o Ministério da Defesa do país.
  • Militares dos EUA: seis soldados americanos morreram em um ataque contra uma instalação militar no Kuwait, segundo o Comando Central dos Estados Unidos.

Donald Trump faz duras críticas ao líder do Reino Unido, aliado histórico dos americanos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

EUA: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a ofensiva militar e disse que as operações contra o Irã estão tendo sucesso.

Segundo ele, “praticamente tudo foi destruído no Irã”. Autoridades militares americanas afirmam que cerca de 2 mil alvos já foram atingidos e 17 embarcações iranianas foram destruídas.

Trump também disse que, se necessário, a Marinha dos EUA poderá escoltar navios petroleiros no Estreito de Ormuz para garantir o fluxo de energia mundial.

IRÃ: do lado iraniano, autoridades afirmaram que não há negociação possível neste momento e que o país está preparado para continuar a guerra.

Um general da Guarda Revolucionária disse ainda que, se os ataques continuarem, centros econômicos do Oriente Médio poderão se tornar alvos.

Países aliados e reações internacionais

A guerra também provocou reações entre países ocidentais.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou os ataques e disse que Donald Trump estaria “brincando de roleta russa com o destino de milhões de pessoas”.

A crise aumentou depois que a Espanha se recusou a permitir que os Estados Unidos usassem bases militares do país para a ofensiva.

Em resposta, Trump ameaçou romper as relações comerciais com o governo espanhol, ampliando a tensão diplomática entre os dois países.

Outros países europeus também demonstraram preocupação com a escalada da guerra.

França, Grécia e Reino Unido anunciaram o envio de aparatos militares para o Oriente Médio, que devem ficar estacionados na costa do Chipre, como forma de reforçar a presença militar europeia na região.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o conflito representa uma ameaça à segurança internacional e defendeu o fortalecimento da defesa europeia.

Ele também anunciou que a França pretende aumentar o número de ogivas nucleares de seu arsenal, reforçando a estratégia de dissuasão militar do país.

Disputa pela liderança do Irã

Outro ponto de tensão envolve a sucessão política no Irã.

Com a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, o país precisa escolher um novo representante.

Essa decisão cabe à Assembleia dos Peritos, um conselho religioso formado por 88 aiatolás. Na manhã desta quarta-feira, o órgão afirmou estar “perto” de escolher o próximo líder supremo do país.

Autoridades israelenses afirmaram que qualquer novo sucessor de Ali Khamenei será considerado um alvo do Exército israelense, caso mantenha a política de confronto com o país.

Enquanto isso, a situação no Oriente Médio continua em rápida evolução. Os próximos dias serão decisivos para saber se o conflito ficará restrito à região ou se poderá provocar uma crise internacional ainda maior.

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