
Crédito, Tasmania Department of Environment
- Author, Tiffanie Turnbull
- Role, Da BBC News em Sydney
Há 14 minutos
As autoridades australianas estão sacrificando cerca de 90 falsas-orcas (Pseudorca crassidens) que sobreviveram a um encalhe em massa em uma praia remota da Tasmânia.
Uma equipe de especialistas que está no local disse que as condições complexas tornaram impossível salvá-las.
Elas fazem parte de um grupo de 157 falsas-orcas que encalharam perto de Arthur River, no noroeste da ilha. As demais morreram logo após o encalhe.
A Tasmânia tem testemunhado uma série de encalhes em massa de baleias nos últimos anos — incluindo o pior já registrado na Austrália, em 2020 —, mas não havia um encalhe em massa de falsas-orcas na região há mais de 50 anos.
'Absolutamente horrível'
As falsas-orcas são tecnicamente uma das maiores espécies de golfinhos do mundo, assim como as orcas. Elas podem crescer até 6 metros e pesar 1,5 tonelada.
As autoridades disseram nesta quarta-feira (19/2) que o grupo estava encalhado no local há cerca de 24 a 48 horas, e que os animais sobreviventes já estavam sob estresse extremo.
Jocelyn Flint, moradora local, contou à rede australiana ABC que foi até o local na manhã desta quarta-feira depois que o filho notou o grupo de falsas-orcas enquanto pescava tubarões durante a noite.
"Há bebês. São apenas as famílias delas. Seus olhos estão abertos, elas estão olhando para mim, como se pedissem 'socorro'."
"É absolutamente horrível", ela disse.
O local em que elas estão, a cerca de 300 quilômetros da cidade de Launceston, é de difícil acesso, o que dificulta transportar qualquer equipamento de resgate, explicou o biólogo marinho Kris Carlyon à imprensa.
"Esse é, possivelmente, o local mais complicado que já vi em 16 anos desempenhando essa função na Tasmânia", ele disse.
"Estamos falando de uma estrada bastante acidentada, íngreme e de mão única até o local. Podemos colocar veículos com tração nas quatro rodas lá, mas não muito mais do que isso."
As condições adversas impossibilitaram a devolução dos animais ao mar no local em que encalharam. Por isso, uma equipe de especialistas tentou recolocar dois deles e colocá-los de volta na água, mas não obteve sucesso.
"Os animais simplesmente não conseguem passar pela arrebentação para sair. Eles continuam dando meia-volta, e voltando para a praia", explicou Shelley Graham, do Serviço de Parques e Vida Selvagem da Tasmânia.
Diante da previsão de condições semelhantes para os próximos dois dias, os veterinários especializados em vida selvagem tomaram a "difícil" e "controversa" decisão de sacrificar as falsas-orcas restantes.
"Quanto mais tempo esses animais ficam encalhados, mais eles sofrem. Todas as opções alternativas não foram bem-sucedidas, a eutanásia é sempre o último recurso", afirmou Carlyon.
A expectativa é de que esta tarefa terrível — que envolve atirar nos animais — tenha início nesta quarta e continue na quinta-feira.
As autoridades ainda estão estudando como descartar as carcaças. O local é um importante patrimônio cultural para os aborígenes, portanto, um porta-voz do departamento de meio ambiente sugeriu anteriormente que "pode ser o caso de... deixar a natureza seguir seu curso".
As autoridades pediram à população que evitasse o local, pois há incêndios florestais nas proximidades e o acesso rodoviário é limitado.
Mais de 80% dos encalhes australianos de baleias acontecem na Tasmânia, geralmente na costa oeste.
Cerca de 470 baleias-piloto ficaram encalhadas mais ao sul, no Porto de Macquarie, em 2020, e aproximadamente 350 delas morreram apesar dos esforços de resgate. Outras 200 encalharam no mesmo porto em 2022.
As baleias são mamíferos altamente sociais, e são conhecidas por encalhar em grupos porque viajam em comunidades grandes e unidas que dependem de comunicação constante.
Outros acreditam que um indivíduo pode, por engano, levar grupos inteiros para a praia.

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