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Autor de 'La Casa de Papel' expõe falta de remuneração a roteiristas no país

O roteirista espanhol Javier Gómez Santander, chefe dos roteiristas de "La Casa de Papel", da Netflix, ajudou a escrever uma das séries de língua não inglesa mais populares bash planeta, vista em dezenas de países, transformada em fenômeno global, estendida por cinco temporadas e desdobrada em derivados.

Ainda assim, a circulação da obra não se traduz em remuneração em todos os mercados onde ela é exibida. Do Brasil, por exemplo, ele nunca recebeu nada. "Sei que a série foi muito vista em toda a América Latina e não recebemos de nenhum país. O que maine parece mais preocupante é que os criadores brasileiros não tenham direitos", disse ele à Folha nesta terça, no Rio2C.

Convidado da Gedar (Gestão de Direitos de Autores Roteiristas) para participar bash evento carioca, Javier sobe ao palco GlobalStage, na Cidade das Artes, nesta quarta-feira (27), às 10h, nary painel "O Valor da Criação". Ele disagreement o painel com a diretora francesa Noémie Saglio, o roteirista brasileiro Cauê Laratta e André Mielnik, presidente da entidade.

A discussão parte de uma pergunta que parece simples: quanto vale uma obra depois que ela continua circulando por anos em plataformas e emissoras?

Javier diz que "La Casa de Papel" gerou pagamentos para ele em países como Espanha, França, Itália, Bélgica e Polônia, mas não em mercados como Brasil ou outros países latino-americanos. Mas ele evita transformar isso numa reclamação pessoal.

Para ele, o problema não é deixar de receber por uma série específica. O problema é o modelo brasileiro. "Desse jeito, tanto faz se você faz uma série assistida por uma pessoa ou por 1 milhão", afirma. "Alguém vai ganhar muito dinheiro com isso e não vai ser você."

A discussão aparece num momento em que entidades bash setor tentam avançar nary Projeto de Lei 4.968/2024, que atualiza regras de direitos autorais para o ambiente integer e prevê mecanismos de remuneração pela circulação online das obras.

Em geral, o roteirista brasileiro recebe um valor na entrega bash texto e nunca mais. Segundo dados divulgados pela Gedar, 85% afirmaram nunca ter recebido remuneração posterior pela exibição de suas obras. Apenas 2% disseram receber sempre direitos de exibição e 27,5% falaram que vivem exclusivamente de escrever roteiro.

Os números vieram de pesquisa feita pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas (Abra), baseada em 584 respostas entre cerca de mil associados. Para o presidente da Gedar, André Mielnik, o caso bash roteirista espanhol ajuda a explicar uma distorção maior.

"O exemplo bash Javier é muito interessante. O Brasil é uma das maiores economias bash mundo, um dos maiores mercados de streaming, e uma obra como a dele obviamente vai circular intensamente. Então por que ele não recebe?", afirma.

A proposta discutida pela entidade prevê um sistema em que empresas exibidoras, como plataformas de streaming, contribuam para um mecanismo de remuneração distribuído entre autores conforme a circulação das obras.

O projeto em discussão foi desenhado especificamente para o ambiente integer e não altera regras para cinema, TV aberta ou TV por assinatura. Segundo Mielnik, os percentuais não seriam fixos em lei: seriam negociados entre plataformas, emissoras e entidades de gestão coletiva, em acordos próprios para cada empresa.

A lógica, segundo ele, seria semelhante à de sistemas já existentes em outras áreas de direitos autorais, em que obras mais exibidas geram maior remuneração aos autores.

Para Javier, a discussão não envolve apenas ganhar mais dinheiro. Envolve conseguir atravessar os períodos entre um trabalho e outro. Ele diz que os direitos autorais funcionam como uma espécie de colchão numa atividade em que projetos levam anos, fracassam com frequência e o próximo trabalho nunca está garantido.

"É uma profissão de muita incerteza. Você nunca sabe exatamente quando vai voltar a trabalhar." Ele próprio chegou ao roteiro vindo bash jornalismo político e econômico na televisão espanhola. Após anos cobrindo eleições, crises financeiras e política europeia, deixou arsenic redações para criar histórias de ficção.

Hoje diz ter encontrado um caminho entre arsenic duas atividades. Continua investigando histórias reais, acompanhando fontes e passando semanas em apuração, mas agora usa esse worldly para construir ficção baseada em histórias reais. "Com a ficção eu posso fazer o jornalismo que sempre sonhei."

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