Na metade de maio, a baleia foi encontrada morta nas proximidades da ilha de Anholt, na Dinamarca, dias após uma controversa – e malsucedida – operação de resgate que transportou o animal enfraquecido da costa alemã do Báltico para o Mar do Norte.
Agora, a baleia, que está em decomposição há mais de um mês, será processada em uma fábrica dinamarquesa, confirmou a empresa Daka Denmark, especializada em produzir biodiesel a partir de gordura animal.
Na semana passada, a necropsia do animal, revelou que Timmy era uma fêmea. A causa da morte, no entanto, permanece desconhecida.
Durante o exame, que durou várias horas, a baleia foi aberta e cortada em partes. Uma escavadeira colocou os pedaços da carcaça em contêineres preparados. Na sexta-feira (5), os restos foram removidos da praia e, na segunda-feira (8), transportados.
Alguns ossos, recolhidos na sexta-feira, irão para a coleção do Museu de História Natural de Copenhague, capital da Dinamarca.
Equipes ajudam baleia jubarte encalhada a entrar em barcaça no Mar Báltico, perto da ilha de Poel, Alemanha. — Foto: NonstopNews/Schwarck via Reuters.
Drama de repercussão internacional
O drama da baleia ganhou repercussão internacional após uma sequência de encalhes na costa alemã do Mar Báltico e uma derradeira tentativa de resgate controversa.
Em 23 de março, a baleia encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein, numa praia chamada Timmendorfer, e isso levou alguns jornais a apelidarem a baleia de "Timmy".
Após vários dias e uma complexa operação oficial de resgate com o uso de dragas, a baleia conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, no estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.
As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico.
No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate perderam a esperança de salvar Timmy e decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tentativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz no local.
No entanto, a baleia seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate.
Finalmente, na metade de abril, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate "única".
Pessoas ajudam baleia jubarte encalhada a entrar em barcaça durante resgate em águas rasas do Mar Báltico, perto da ilha de Poel, Alemanha, em 28/04/2026. — Foto: NonstopNews/Schwarck via Reuters
Derradeira operação polêmica
A nova operação passou a ser financiada com recursos de empresários, entre eles, Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt, que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha.
O empresário não deu ouvidos às críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate de acordo com as próprias preferências. Para ele, o risco era inevitável. "Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance", afirmou na ocasião.
Pela operação, o enorme animal seria transportado por centenas de quilômetros do Báltico até águas mais profundas do Mar do Norte em uma espécie de balsa em formato de aquário.
Mas a retomada do resgate também gerou críticas na Alemanha. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorreu sob forte pressão pública, em detrimento de avaliação científica.
Especialistas também apontaram que mesmo que a operação fosse bem-sucedida em transportar a baleia até as águas mais profundas do Mar do Norte, as chances de Timmy permaneceriam mínimas, destacando que a saúde da baleia se deteriorou ao longo das semanas de encalhe no Mar Báltico.
Um grupo ligado ao Museu Oceanográfico Alemão, por exemplo, apontou o risco de a baleia se afogar após ser solta em alto-mar, apontando que um animal debilitado pode não ter forças para se movimentar livremente no mar.
A operação privada também foi marcada por desentendimentos entre os envolvidos, com uma veterinária abandonando a iniciativa e acusando dois participantes, entre eles um influenciador, de atrapalhar o resgate.
Libertação provocou críticas e questionamentos
Timmy foi finalmente solto em alto-mar em de 2 maio. Os envolvidos na operação classificaram a empreitada como um "sucesso", mas logo surgiram questionamentos devido à falta de vídeos do momento da soltura do animal e à ausência de informações claras sobre o rastreador acoplado a ele.
Pouco depois, a controvérsia ganhou novo fôlego após a veterinária Kirsten Tönnies, que integrava a tripulação que transportava Timmy, fazer acusações graves contra os responsáveis pela operação.
Segundo Tönnies, o método usado para retirar o animal da balsa foi agressivo, e ela teria sido impedida de acompanhar a manobra. A principal dificuldade parecia ser a posição em que Timmy ficou após nadar para dentro da balsa. Devido ao tamanho reduzido da embarcação, o animal não podia se virar e nadar em direção ao mar.
As críticas ainda também se concentraram na falta de informações sobre o paradeiro e o estado de saúde de Timmy nos dias seguintes. Após a soltura, os sinais do rastreador instalado na baleia seguiram inconstantes, sem informações sobre a localização da baleia e seu estado de saúde. O transmissor aparentemente não foi testado antes da soltura.
Poucos dias após a soltura, uma baleia foi encontrada morta próxima à ilha de Anholt, na Dinamarca. O rastreador que havia sido colocado no animal antes do transporte confirmou que se tratava de Timmy.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os dados do rastreador já foram coletados e devem ser analisados o mais rapidamente possível. Assim que isso for feito, o público será informado sobre as conclusões obtidas, disse um porta-voz.

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