O Copom também menciona inflação ainda fora do centro da meta, que é 3% ao ano. "As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus [com economistas consultados pelo BC] permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4% e 3,8%, respectivamente", diz. Desde dezembro, a inflação está dentro do teto da meta, que é de 4,5%.
O Copom também mencionou a "conjuntura" nos Estados Unidos. "O ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais", afirma. "Tal cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes em ambiente de acirramento da tensão geopolítica."
O Copom mostrou preocupação com a política fiscal do governo. "O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza", escreve.
O tom do comunicado adotado foi ameninzado. Se antes o comitê afirmava que a necessidade de manter os juros elevados por "período bastante prolongado", desta vez o termo desapareceu. A necessidade de uma política monetária "em patamar significantemente contracionista" também saiu do texto, indicando que a redução da Selic pode ocorrer em março.
Ainda assim, o Copom defendeu cautela. "O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", diz a nota.
Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros.
Comunicado do Copom
Decisão foi unânime. Além de Gabriel Galípolo, presidente do BC, votaram os diretores: Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Governo defende a redução imediata da taxa básica de juros. Tanto o presidente Lula (PT) quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vêm insistindo na necessidade de baixar os juros. Eles encaram a Selic em atos patamares como um empecilho para o crescimento econômico. Em novembro, Haddad afirmou que "[as taxas de juros] vão ter que cair".
Por mais pressão que os bancos façam sobre o Banco Central, [as taxas de juros] vão ter que cair. Não tem como sustentar 10% de juro real.
Fernando Haddad, no Bloomberg Green Summit
Inflação fora da meta

O Comitê apresentou a projeção para a inflação acumulada em 2026: 3,4%. Em dezembro, essa previsão era de 3,5%. Para o terceiro trimestre de 2027, o Copom projeta IPCA (o índice oficial de inflação no Brasil) em torno de 3,2%.
O mercado financeiro espera que a manutenção da taxa reduza a inflação. A aposta do Boletim Focos é que o IPCA termine 2026 em 4%. Essa projeção era maior na semana passada: 4,02%.
A meta oficial da inflação é de 3%. Com permissão para oscilar 1,5 ponto percentual para mais ou menos, o objetivo será cumprido se o IPCA terminar o ano entre 1,5% e 4,5%.
A prévia da inflação de janeiro ficou em 0,20%. A alta de preços foi menor na comparação com a prévia de dezembro (0,25%). Nos 12 meses finalizados em janeiro, o IPCA-15 aumentou 4,5%, portanto no teto da meta (4,5%).
O que diz o mercado?
Para analistas, nem o esfriamento da economia justificaria a queda dos juros em janeiro. "O Copom ainda não tem espaço para sinalizar cortes agora. A inflação segue pressionada em núcleos e serviços, e o cenário fiscal ainda exige cautela", diz André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Eles esperam que os cortes comecem na reunião de março. "O ciclo de cortes da Selic deve começar em março, com um de 0,25 ponto percentual, e ganhar tração em abril, com redução de 0,50 p.p." , diz Felipe Salles, economista-chefe da C6 Juros. "Diante de um cenário de inflação acima da meta, projetamos que a taxa de juros termine 2026 em 13%."
A economia segue rodando e o mercado de trabalho permanece resiliente.
João Kepler, CEO da Equity Group
Crédito mais caro

A Selic é a principal forma de conter a inflação. A elevação dos juros torna mais cara a tomada de empréstimo, inibindo o consumo e, consequentemente, a inflação. Por outro lado, seguidas altas podem enfraquecer o ritmo da economia, diminuindo a produção industrial e aumentando o desemprego.
Selic alta encarece principalmente a concessão de crédito. As taxas cobradas em empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários e de veículos, além de linhas de crédito para empresas, ficam caras.
Mas investir em renda fixa é bom negócio com a Selic nas alturas. Investimentos remunerados pela taxa básica, como o Tesouro Selic, oferecerem retorno maior, enquanto a poupança perde ainda mais competitividade.

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1 semana atrás
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