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Banco Central dos EUA interrompe cortes e mantém juros entre 3,50% e 3,75%

Dez dos 12 membros do comitê votaram pela manutenção da taxa de juros. Nesse grupo majoritário está o presidente do Fed, Jerome Powell. Foram derrotados Stephen Miran e Christopher J. Waller, que votaram pela redução de 0,25 ponto percentual.

A decisão se deve ao custo de vida, que ainda preocupa. "A inflação permanece um pouco elevada", escreve o comitê. Os preços subiram 0,3% em dezembro do ano passado em relação a novembro, encerrando o ano em 2,6%, acima dos 2% perseguido pelo Fed.

Em apoio aos seus objetivos, o Comitê decidiu manter a meta para a taxa de juros dos fundos federais entre 3,5% e 3,75%.
Fomc, em comunicado

O Fed disse ainda que a atividade econômica tem se expandido em um ritmo "sólido". Se o Fomc cortasse a taxa, a atividade econômica poderia se intensificar, aumentando ainda mais a inflação.

Embora considere que a taxa de desemprego "se estabilizou", os ganhos de emprego "permaneceram baixos". "O Comitê está fortemente empenhado em apoiar o máximo emprego e retornar a inflação à sua meta de 2% [ao ano]", escreve o Fomc no comunicado.

O comitê deixa em aberto ajustes futuros, reforçando a dependência de dados.
Relatório do banco Daycoval

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Especialistas já atribuiam a decisão à melhora no mercado de trabalho. "A recente estabilização no mercado de trabalho e os sólidos dados de atividade econômica são os principais fatores [para a manutenção da taxa]", previu em nota Michael Gapen, economista-chefefe do Morgan Stanley.

A inflação controlada também anima. Embora ainda acima da meta de 2% a ano, a inflação de 2,7% em 2025 vem caindo: ela foi de 2,9% em 2024 e de 3,4% em 2023.

Os dados de inflação mantêm o Fed confiante o suficiente sobre a desinflação no final deste ano para manter um viés de flexibilização.
Michael Gapen, da Morgan Stanley

Impactos sobre o Brasil

Diferencial entre juros americanos e brasileiros atrai capital para o Brasil. A manutenção dos juros pelo Fed mantém a diferença em relação à taxa básica de juros Selic de 15% ao ano no Brasil, tornando mais vantajosos os rendimentos de aplicações no país.

Fluxo amplia oferta de dólares no Brasil, o que sustenta a cotação da moeda brasileira. Segundo profissionais de mercado, esse movimento é um dos fatores que têm sustentado a cotação do dólar abaixo de R$ 5,50.

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O dólar comportado alivia a inflação no Brasil. A estabilidade ou desvalorização da moeda americana ante o real reduz a pressão por reajustes nos preços de produtos importados ou que seguem cotações internacionais, como grãos e petróleo.

A Bolsa brasileira também se beneficia da manutenção dos juros americanos. Parte desse fluxo de capital apoiado na diferença de juros entre Estados Unidos e Brasil tem ido para investimentos em ações. No acumulado deste ano, a entrada líquida de recursos de estrangeiros já supevam os R$ 15 bilhões até o dia 26 de janeiro.

O Ibovespa subiu 13,32% em janeiro até o fechamento do dia 27. O principal índice de ações do mercado brasileiro acumula essa alta apoiada no ingresso de recursos estrangeiros.

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