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Bangladesh: 1ª eleição motivada pela 'Geração Z' tem vitória de partido tradicional e desempenho fraco de legenda de manifestantes

A votação ocorreu cerca de dois anos depois dos protestos de 2024, que levaram à queda da então primeira-ministra Sheikh Hasina. A repressão deixou cerca de 1.400 mortos, segundo a ONU, e mergulhou o país em crise política e econômica.

Com cerca de 128 milhões de pessoas aptas a votar, a eleição teve participação considerada alta. Analistas afirmam que um resultado claro é essencial para restaurar a estabilidade no país, que tem 175 milhões de habitantes e sofreu impactos econômicos após meses de violência política.

Os resultados apontam que a coalizão liderada pelo Partido Nacionalista de Bangladesh conquistou ampla maioria parlamentar. Já o grupo político criado por jovens ativistas que participaram dos protestos teve desempenho limitado nas urnas.

  • O Partido Nacionalista de Bangladesh conquistou 209 das 300 cadeiras do Parlamento, garantindo maioria de dois terços.
  • Já a aliança chefiada pelo partido islâmico Jamaat-e-Islami ficou com 68 assentos e reconheceu a derrota.
  • O Partido Nacional Cidadão, liderado por jovens ativistas que participaram dos protestos contra Hasina, venceu apenas 5 das 30 cadeiras que disputou.

Com o resultado, Tarique Rahman deve se tornar o novo primeiro-ministro. Aos 60 anos, ele é filho da ex-premiê Khaleda Zia e do ex-presidente Ziaur Rahman. O partido que lidera era o principal rival do governo derrubado em 2024.

Além da disputa parlamentar, os eleitores também votaram em um referendo sobre mudanças constitucionais.

Segundo o jornal local The Daily Star, resultados parciais indicam que 73% dos votos foram favoráveis às reformas. As propostas incluem limite de mandatos para o primeiro-ministro, fortalecimento do Judiciário e criação de governo interino neutro em períodos eleitorais.

Mais de 2 mil candidatos e pelo menos 50 partidos participaram da eleição. A Liga Awami, que governou o país por mais de 15 anos até a queda de Hasina, foi impedida de concorrer.

Em comunicado divulgado após o fechamento das urnas, Hasina afirmou que a eleição foi uma "farsa cuidadosamente planejada", realizada sem a verdadeira participação dos eleitores. Ela disse que apoiadores da Liga Awami rejeitaram o processo.

Mulher vota em eleições de Bangladesh, em 12 de fevereiro de 2026 — Foto: REUTERS/Mohammad Ponir Hossain

Em várias regiões, eleitores formaram filas antes da abertura das urnas. Muitos afirmaram que estavam votando livremente pela primeira vez em mais de uma década e descreveram o ambiente como festivo.

"Estou entusiasmado porque estamos a votar livremente depois de 17 anos", disse Hossain enquanto esperava na fila. "Os nossos votos vão fazer a diferença e terão significado."

Houve eleições durante o mandato de Hasina, mas os pleitos foram marcados por boicotes e intimidações à oposição, segundo críticos.

Desta vez, quase 1 milhão de agentes de segurança foram mobilizados. Não houve violência generalizada, embora incidentes isolados tenham sido registrados.

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