Para levar adiante a transação, Oliveira Neto diz ter vasculhado toda a carteira de crédito do Master, sem encontrar qualquer sinal de fraude. Agora, ele critica o BC por ter tornado inevitável a queda do Master ao autorizar, em julho de 2025, a cisão do departamento de crédito consignado, o Credcesta, que acabou sendo incorporado pelo Banco Pleno, de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master.
O ex-futuro-novo-presidente do Master afirma, sem dar detalhes, que Lima é ligado ao PT e acabou ficando com a parte mais lucrativa do banco, enquanto o Master virou um "zumbi". Sem a "vaca leiteira" do consignado, o banco só ganhava dinheiro com a compra e venda de carteiras de crédito geradas por terceirizadas como a Tirreno e a Cartos, algo que antes era feito pelo próprio banco. Os investidores árabes que acertaram a compra do Master tinham planos de retomar esse negócio, mas não deu tempo: sem dinheiro no caixa para seguir operando, o banco acabou sendo liquidado pelo BC após a descoberta de uma fraude de, ao menos, R$ 12 bilhões em créditos podres vendidos ao BRB (Banco de Brasília).
Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Oliveira Neto à coluna. Procurado para comentar as alegações do executivo, o BC não respondeu até a publicação deste texto. O banqueiro Lima, do Credcesta, não quis comentar.
Se o BC aprovasse a venda do Master para o Fictor, você seria o presidente?
Assinamos o documento de compra do banco no dia 17 de novembro [de 2025] às 15 horas, na sede [do Master], em São Paulo. Na sequência, o Daniel [Vorcaro] ligou para o Ailton Santos [diretor de fiscalização do BC] para explicar a venda e dizer que estava indo para Dubai. O Bellini [Santana, chefe do departamento de Supervisão, hoje afastado do cargo em meio a investigação interna aberta pelo BC sobre o caso] também estava na linha.
Naquele momento, a gente já tinha subido toda a documentação para o BC pelo sistema do Master. Nela havia, inclusive, a futura troca de diretoria. O Daniel Vorcaro sairia e eu seria o presidente. Ali detalhamos qual seria a estratégia do novo banco, principalmente de captação [de recursos no mercado]. Como tínhamos investidores árabes, não íamos trabalhar com essa história de plataforma [de venda de CDBs para investidores, como XP, BTG e outras]. Você não pode ficar dependendo de investidor de varejo, de dinheiro de curto prazo. E, fora do Brasil, tem um mercado de capitais muito maior.

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