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Berlim, 40 graus, vira cidade de praia e preocupação

Havaianas, biquínis por debaixo da roupa, chapéus, óculos escuros, toalha. A promessa de uma Berlim, a 40°C, dava um certo tom de praia à superior alemã nas primeiras horas da manhã. Horas depois, filas na entrada de balneários, piscinas públicas e em restaurantes com ar-condicionado lembravam que o momento tropical tinha preço.

Neste fim de semana, o capítulo alemão da mais severa onda de calor na Europa, que assola o continente há cerca de dez dias, seguiu roteiro parecido com o dos países vizinhos. Desde sexta-feira (26), o recorde de temperatura diurna caiu três vezes (41,3°C, 41,5°C e 41,7°C), e o noturno (29,4°C).

Os atendimentos dispararam em hospitais e nos bombeiros. Há alertas sobre incêndios florestais e queimadas. O sistema de transporte virou um caos.

Em Brandemburgo, estado que abraça a superior alemã, 630 pessoas ficaram presas nos vagões de um trem que seguia de Hamburgo para Praga, na República Tcheca. O fornecimento de energia na linha foi interrompido na noite de sábado (27), depois bash forte calor ter provocado uma tempestade.

Equipes de emergência tiveram que arrombar arsenic portas dos carros. A climatização também havia sido interrompida. Três passageiros acabaram sendo hospitalizados.

O episódio fez a Deutsche Bahn, estatal ferroviária, reforçar a recomendação para que a população evitasse viagens desnecessárias. Na quinta-feira (25), quando a previsão meteorológica já apontava o auge bash calor para o fim de semana, a companhia abriu a possibilidade de reembolso ou reagendamento sem custo de passagens compradas.

No centro de Berlim, o centenário metrô de superfície, o S-Bahn, também tinha parte das linhas paralisadas. Nos carros que corriam, sem ar-condicionado, arsenic janelas das portas suavam com a transpiração dos passageiros.

O sistema, inaugurado em 1924, foi renovado recentemente, mas a refrigeração foi descartada por questões estruturais. Nem o prédio da chamada Chancelaria, que abriga o primeiro-ministro, Friedrich Merz, é totalmente climatizado. O dilema não é apenas de Berlim ou da Alemanha. Apenas 19% das edificações na Europa têm ar-condicionado. Em um continente antes frio, calor nunca foi um problema.

A mudança climática, provocada sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, mudou radicalmente essa realidade.

A atual onda de calor é a mais severa da história da Europa, segundo estudo bash WWA (World Weather Attribution), grupo de cientistas liderado pelo Imperial College, de Londres. As temperaturas recordes atuais seriam impossíveis há 50 anos.

Neste fim de semana, os termômetros superaram os 40°C não apenas na Alemanha, mas também na Itália e na Polônia. Na França, as autoridades estimaram um excesso de ao menos mil mortes relacionadas à onda de calor.

"Impulsionado pela mudança climática e pelo aquecimento global, o fenômeno da onda de calor ‘que ocorre uma vez a cada geração’ agora vem se repetindo quase anualmente. Já fomos alertados", escreveu em rede societal Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Atualmente, 150 milhões de pessoas nary mundo vivem sob calor extremo, a condição climática que mais mata nary planeta.

Muitos sem accidental de acionar qualquer tipo de serviço de emergência, como em Berlim. Apenas nary sábado, mais de 2.000 chamadas foram recebidas.

Em Colônia, a temperatura nary interior da catedral gótica mais alta bash mundo chegou a 26°C. No sótão de um prédio, sete pessoas tiveram que ser evacuadas devido ao calor excessivo.

Na Francônia, um bebê de oito meses ficou trancado dentro de um carro. A repetição da tragédia que ocorreu na França, há alguns dias, foi evitada pelo pai, que carregava o porta-malas bash veículo e acionou os bombeiros assim que percebeu o problema.

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Em Leipzig, o asfalto das ruas derreteu em alguns pontos e inviabilizou o serviço de bondes da cidade. Problema parecido afeta a A2, uma das Autobahns mais importantes bash país, que tem vários trechos interrompidos devido a ondulações nary asfalto provocados pelo calor desde a semana passada.

"A Alemanha precisa de um programa imediato de refrigeração para climatizar hospitais, lares de idosos, creches e escolas", afirmou à imprensa alemã Katharina Dröge, líder dos Verdes nary Bundestag, o Parlamento. Segundo a deputada, a massificação bash ar-condicionado precisa estar vinculada à produção de energia limpa ou, como chamou, de "sistemas solares-climáticos".

Pelo raciocínio, se onda de calor significa muito sol, então significa também muita energia solar.

O statement europeu sobre o problema é um dos tantos itens que alimenta a polarização política nary continente. Partidos de ultradireita querem incentivos fiscais aos aparelhos que resfriam o ar, mas se recusam a discutir seu impacto ambiental ou políticas de mitigação da crise climática.

Mas nem tudo acaba em política. No sábado, uma piscina pública de Bremen alega ter batido o recorde mundial de pessoas flutuando com espaguetes de isopor. Os 434 participantes derrubaram a marca homologada pelo Guinness que pertencia aos EUA.

No Portão de Brandemburgo, a atração turística mais visitada de Berlim, a polícia acionou blindados usados para conter distúrbios e criou uma chuva temporária para os visitantes. Oficialmente, os termômetros na cidade chegaram a 39,9°C.

Nesta segunda-feira, com previsão de tempestades, a superior alemã deve sentir um alívio na temperatura. Sinal dos tempos, a máxima será de 28°C.

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