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Brasileira que perdeu US$ 17 mil em golpe imigratório questionou agência após alerta de fraude e recebeu garantia: 'CEO nos tranquilizou'

A investigação levou à prisão dos brasileiros Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva, apontados como os líderes da agência Legacy Immigra, no dia 23 de abril. A reportagem tenta contato com os citados para tentar um posicionamento.

A moradora do interior de São Paulo não vai ser identificada pela reportagem. Ao g1, ela disse que os primeiros sinais de alerta surgiram em maio de 2025, após a circulação de um vídeo nas redes sociais que denunciava esquemas envolvendo pedidos de asilo e retenção de documentos de clientes em agências.

Na ocasião, a vítima enviou o link da publicação ao número da agência e afirmou se sentir insegura com possíveis irregularidades na emissão de documentos de regularização migratória e vistos. Veja as mensagens abaixo.

Mulher de Fernandópolis (SP) demonstrou preocupação em golpes de agências imigratórias — Foto: Arquivo pessoal

"Para nós que estamos de fora, fica um turbilhão de pensamentos, né? Mas eu pedi muito a Deus e, para te falar a verdade, você me passa essa segurança", escreveu a vítima.

Apesar da repercussão, os questionamentos foram minimizados à época pela representante comercial com quem conversava. Em resposta, a vendedora afirmou que a direção da empresa havia se reunido com os funcionários.

"Sobre as denúncias, o CEO da Legacy fez uma reunião com nossos gerentes e este nos tranquilizou para darmos continuidade às nossas rotinas e continuar dando o andamento e tramitação normal aos processos de nossos clientes", diz trecho da conversa.

Da esquerda para a direita: Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci, Ronaldo de Campos e Lucas Felipe Trindade Silva — Foto: Reprodução/Orange County

Após receber a mensagem, a mulher respondeu dizendo que se sentia mais tranquila. De acordo com a vítima, a confiança no atendimento e nas garantias repassadas pela empresa contribuíram para que ela mantivesse o processo.

"Diziam que havia muitas empresas, que o grupo era enorme, que não fazia sentido todo aquele escândalo e que, por fazerem um bom trabalho, estavam incomodando a concorrência", contou a vítima.

De acordo com a vítima, o prejuízo financeiro foi de US$ 17 mil, valor investido no processo, que, se convertido, equivale a mais de R$ 85 mil. Os pagamentos eram para uma conta internacional, no nome de Ronaldo, conforme consta nos comprovantes enviados à reportagem. Veja abaixo.

Moradora de Fernandópolis (SP) perde US$ 17 mil ao cair em fraude imigratória — Foto: Arquivo pessoal

A vítima é casada e tem três filhos. Há cinco anos, a família decidiu que sairia do Brasil para morar nos Estados Unidos e iniciou os trâmites para conseguir a autorização imigratória. A Legacy foi indicação de duas amigas, que também tiveram prejuízos.

Para obter o dinheiro, a mulher chegou a vender a casa e fez os pagamentos parcelados para a agência. Após dois meses do fechamento do contrato, entre março e abril do ano passado, surgiram as desconfianças.

"Nunca, em nenhuma hipótese, pensamos em ir ilegalmente. A rotatividade de funcionários era absurda, isso foi nos incomodando muito e nos gerou muita insegurança, porque não poderíamos mais resgatar o nosso dinheiro", conta a vítima.

Toda a dívida com a agência foi quitada em janeiro deste ano. A família segue em Fernandópolis e não conseguiu efetuar o processo imigratório americano. Devido à fraude, ela desenvolveu problemas psicológicos.

"Há vários dias, sinto dores no meu corpo, mal-estar, insônia e não sei como conduzir. Quero meu dinheiro de volta. As pessoas estão 'sambando' na nossa dor. Muita gente tirando sarro da nossa cara e nos desejando bem feito, mas a gente nunca fez nada de errado", finaliza a mulher.

Vítima de Fernandópolis fazia transferência de dinheiro para conta internacional em nome de um dos suspeitos — Foto: Arquivo pessoal

DESTAQUES G1 RIO PRETO E ARAÇATUBA

O caso veio à tona após denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados da Flórida, em setembro do ano passado. Segundo o xerife responsável pelo caso, o grupo se apresentava como uma agência completa de serviços de imigração.

Os supostos advogados lidavam com os pedidos de imigração. De acordo com ele, a prática era diferente do discurso. "Eles basicamente enriqueceram com um modelo de negócio baseado em manipulação, fraude, mentiras e extorsão", disse.

Os prejuízos individuais variam de US$ 2.500 a US$ 26 mil. Registros financeiros indicam que o grupo arrecadou mais de US$ 20 milhões em três anos. A operação que resultou nas prisões foi conduzida por autoridades locais, em parceria com o Departamento de Segurança Interna.

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