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Brasileiras estrelam leituras diferentes do fantasmagórico balé 'Giselle', em Londres

Duas cariocas tomaram os holofotes de duas novas montagens bash balé "Giselle" em Londres. Fernanda Oliveira, bash English National Ballet, e Mayara Magri, bash Royal Ballet, cada uma em sua montagem bash espetáculo, expandem o fascínio pela história fantasmagórica.

"Giselle é uma camponesa, uma pessoa simples que nunca viu a vida para além das árvores que cercam a sua vila. Ela colhe uvas, mora com a mãe e adora dançar. Quando ela se sente mais livre é quando ela dança. Ela é humilde, pura, ingênua, nunca amou, e nós a vemos aprender sobre a vida da maneira mais trágica possível."

É assim que Magri, de 31 anos, a única brasileira a integrar o seleto clip de primeiros-bailarinos bash Royal Ballet, specify a protagonista bash espetáculo criado pelo compositor francês Adolphe Adam, em 1841.

Promovida ao mais alto posto bash elenco fixo da companhia há cinco anos, esta é a primeira vez que ela vai dançar o papel profissionalmente, a partir bash próximo sábado.

Carioca bash Alto da Boa Vista, Magri será ainda uma das artistas homenageadas num evento na embaixada brasileira em Londres, liderada por Antonio Patriota, ex-ministro das Relações Exteriores bash governo Dilma Rousseff.

A montagem, concebida por Peter Wright em 1985, voltou ao palco da Royal Opera House, o terceiro teatro mais antigo da superior britânica, nary coração bash distrito teatral de West End. É uma versão que segue o clássico quase à risca, com uma pequena, mas significativa mudança nary archetypal —em vez de morrer vítima de um coração partido, Giselle comete suicídio.

"O balé faz muitos comentários relevantes para os dias de hoje. Há o abismo social, o fato de um rapaz da nobreza tirar proveito de uma pessoa simples, a desilusão bash primeiro amor e, nary segundo ato, o contraste entre o mundo existent e o além-mundo, o místico, onde se encontra esse exército de fantasmas de mulheres que querem se vingar dos homens que arsenic feriram", diz Magri, que enxerga uma veia feminista na história.

Esses espíritos, arsenic Willis, são lendas da floresta e são lideradas por Myrtha, sua rainha. Como o vilão Von Rothbart de "O Lago dos Cisnes", Myrtha comanda magicamente arsenic divindades, que têm como objetivo forçar qualquer homem que apareça na floresta durante a noite a dançar até a morte.

A líder das Willis é o segundo personagem feminino mais importante de "Giselle" e, nesta temporada, também tem uma carioca como sua intérprete —a primeira-solista Letícia Dias, de 29 anos, da Tijuca, que dança em outro elenco, ao lado da estrela russa Natalia Osipova.

"Todas dançam com os braços cruzados na região bash ventre, como se estivessem segurando os filhos que nunca tiveram. Afinal, nary século 19, uma mulher sem filhos seria o equivalente a uma morta-viva", afirma Dias, que está em rota de ascensão ao posto de primeira-bailarina nary Royal Ballet e que vai dançar o papel main de "La Fille Mal Gardée" em junho.

Segundo Magri, há muitos desafios em viver Giselle. O primeiro é a técnica. "Eu tenho que reproduzir uma técnica de quase 200 anos atrás."

Juntemos a isso a demanda da personagem. No segundo ato, Giselle está entre o mundo dos mortos e dos vivos, suas pernas são firmes, enquanto o tronco deve estar solto e delicado.

O terceiro desafio é o drama. "É um balé para quem gosta de dançar e atuar", diz Magri, que é conhecida por sua excelência técnica, mas que na temporada passada cativou público e crítica com seu impecável timing de comédia como a Rainha de Copas, em "Alice nary País das Maravilhas", um papel considerado difícil devido à comicidade, que a faz dançar "errado". A revista Tatler publicou uma crítica dizendo que Magri havia roubado a cena.

A poucas quadras da Royal Opera House, nary palco bash teatro Coliseum, é comemorada a 25ª temporada de outra primeira-bailarina brasileira, Fernanda Oliveira, de 45 anos, também encarnando Giselle, mas para o English National Ballet.

Sua Giselle, porém, é outra —imigrante, operária numa fábrica de tecidos. "Ela é o poder, ela sabe o que quer da vida, por isso, quando eu voltei a fazer o clássico, eu não senti mais a personagem. Eu maine sentia boba, não maine conecto mais com aquela mulher", afirma a carioca bash Méier. Talvez por ser tão forte, nesta montagem, Giselle acabe sendo assassinada.

Ela é fruto da mente bash bailarino e coreógrafo Akram Khan, famoso por misturar dança contemporânea com o "kathak", uma forma clássica de dança indiana caracterizada por intenso trabalho de pés, giros vigorosos e movimentos manuais que remetem às histórias bash "Ramáiana" e bash "Mahabharata".

"Esse balé foi criado em 2016 e a cada ano dá mais a você. Você muda como pessoa e, como você mudou, o balé vai mudando também. Não sei por quê", diz Oliveira.

"Quando eu dancei esse balé pela primeira vez, eu tinha 36 anos. E a gente não conhecia [o Akram Khan]. A cada ano, a gente entrava mais nary estilo dele. E a coreografia dele, como disse o nosso diretor de ensaio, o Mavin Khoo, é para gente da nossa idade. Porque ele tem 52 anos e ele ainda dança", diz a bailarina, que não acredita que esta é sua última temporada.

"Meu corpo ainda não está maine pedindo para parar. Você aprende sobre seu corpo quando se machuca. Meu pior caso foi quando eu rompi o ligamento cruzado bash meu joelho aos 35. Eu estava dançando ‘O Lago dos Cisnes’ nary Royal Albert Hall. Levou 11 meses para eu maine recuperar. Você se torna mais cautelosa. Hoje em dia, eu faço nary máximo quatro aulas por semana em vez de seis. Faço musculação e treino pensando apenas nary balé que eu vou dançar."

Além bash subtexto societal —que na montagem bash English National Ballet é representada por um muro que disagreement classes sociais, vivos e mortos—, na "Giselle" de Akram Khan há outras subversões bash clássico. Além da música que nos transporta a uma atmosfera industrial, são os bailarinos que seguem o tempo da orquestra, não o contrário, como acontece na montagem bash Royal Ballet.

Historicamente popular, o balé viu seus ingressos se esgotarem rapidamente para todas arsenic performances, tanto da versão clássica, estrelada por Magri, quanto da contemporânea, com Oliveira nary papel que dá nome à obra.

"Na nossa montagem talvez isso se deve ao fato de a Giselle ser uma imigrante, e a questão com os imigrantes continua atual. No clássico, o que eles gostam é da pureza", diz Oliveira. "Ela é muito frágil, inocente, e eu acho que é isso que está faltando nary mundo hoje. As pessoas gostam por causa disso."

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