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Candidatos e governadores do PSD ignoram nas redes lançamento de Caiado à Presidência

Lançado à Presidência pelo PSD com o mote de acabar com a polarização do país, Ronaldo Caiado precisará antes unificar seu próprio partido, com alas já divididas entre o apoio a Lula (PT), a Flávio Bolsonaro (PL) e a Romeu Zema (Novo).

O próprio ato de divulgação da pré-candidatura contou com poucas lideranças de fora de São Paulo, onde ocorreu o evento, e foi ignorado nas redes sociais de todos os 13 pré-candidatos da sigla aos governos estaduais e pela maioria dos atuais governadores.

A falta de apoio público reforça a percepção de parte da legenda de que Caiado terá espaço para disputar, mas pouco empenho de políticos de fora de Goiás, onde é governador. Esse cenário só vai mudar, afirmam nos bastidores, se ele começar a crescer nas pesquisas de intenção de voto.

Dos 7 governadores do partido (incluindo o próprio Caiado), 4 não fizeram nenhum comentário em suas redes sociais. Eduardo Leite, que brigava para ser o escolhido e afirmava ser o único capaz de acabar com a polarização, gravou um vídeo para dizer que a decisão do PSD "tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país".

"Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão", afirmou no vídeo. "Eu acredito em um outro caminho, acredito num centro liberal, democrático de verdade, não como uma posição de conveniência."

Ratinho Junior, que era o favorito para assumir a candidatura presidencial pelo PSD e desistiu para continuar no Governo do Paraná e tentar fazer seu sucessor, foi o único governador do partido a usar suas redes sociais para divulgar nesta segunda (30) a candidatura de Caiado. Afirmou que a "legenda apostou num homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente, sobretudo, em áreas vitais como educação e a segurança".

Aliados, no entanto, afirmam que ele tem indicado nos bastidores a intenção de fazer um palanque duplo no estado e apoiar também Flávio Bolsonaro, para evitar a migração dos votos da direita para a candidatura ao governo do senador Sergio Moro (PL). Cotado como candidato de Ratinho, o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), não fez comentários sobre o lançamento da candidatura de Caiado em suas redes sociais.

O partido tem ainda como governadores Marcos Rocha (Rondônia), Raquel Lyra (Pernambuco), Fábio Mitidieri (Sergipe) e Mateus Simões (Minas Gerais).

Raquel foi eleita pela oposição ao PT, mas desde que assumiu o mandato tenta obter apoio do presidente Lula para diminuir a força do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Ela trocou o PSDB pelo PSD justamente para fazer essa aproximação com o petista e tem aval da direção do partido para se manter neutra na disputa nacional.

Outro que já recebeu autorização para não fazer campanha por Caiado é Mitidieri, único governador eleito pelo PSD em 2022 que disputará a reeleição (os demais entraram no partido ao longo do atual mandato). O governador já afirmou publicamente que apoiará a reeleição de Lula, também de olho no apoio do presidente entre os nordestinos.

Mateus Simões, por outro lado, fará campanha por Zema, de quem era vice-governador até semana passada. Em entrevista à Folha há duas semanas, Simões afirmou que Zema e Kassab apostam que a candidatura de Flávio pode repetir um movimento que deu errado em 2022 e os eleitores procurarem um terceiro nome. "Acho que é essa leitura do Kassab, e é por isso que ele não se importa em dar liberdade para os governadores e eu aqui apoiar o Zema", disse.

Dos 13 pré-candidatos do PSD aos governos estaduais, parte já está comprometida com outros presidenciáveis. O senador Omar Aziz, que concorrerá ao Governo do Amazonas, é próximo de Lula. O PT também negocia apoio aos candidatos do PSD no Mato Grosso e no Maranhão, em troca de palanque para o presidente.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes é outro que vai concorrer ao governo numa aliança com Lula e com o PT, embora tente manter a discussão mais focada na questão local para ganhar parte dos votos da direita no berço do bolsonarismo.

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), também não tinha publicado nenhuma informação referente a Caiado. Há duas semanas, ele postou entrevista em que defendia Ratinho como candidato do partido. Num estado com o eleitorado majoritariamente de direita, ele disputará contra o governador Jorginho Mello (PL), aliado da família Bolsonaro.

Os dois líderes do PSD no Congresso também são próximos ao PT. O deputado Antonio Brito, que coordena a bancada da sigla na Câmara dos Deputados, cumpriu agendas em Salvador nesta segunda (30). Já a senadora Eliziane Gama (MA) ignorou o lançamento da candidatura presidencial do seu partido, mas postou foto com Lula há dois dias.

O ato em São Paulo para anunciar a candidatura de Caiado teve baixa adesão de políticos do partido. Quase todos eram de São Paulo, onde ocorreu o evento. Um dos poucos de fora foi o deputado Otoni de Paula (RJ). O governador de Goiás argumentou à imprensa que a entrevista foi marcada às pressas e até ele teve dificuldade de arranjar um voo que chegasse a tempo do anúncio.

Ele afirmou também que buscará Leite e outros correligionários em busca de apoio e disse que a pré-candidatura é "fruto de uma conversa entre todos" do partido.

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