
Crédito, Anadolu via Getty Images
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O conflito no Oriente Médio continua a ganhar força, desde que os Estados Unidos lançaram amplos ataques ao Irã, matando o líder supremo do país no dia 28 de fevereiro.
O Irã respondeu lançando ataques a Israel e aos Estados aliados americanos no Golfo Pérsico. O combate sofreu rápida escalada, chegando até o Líbano, acumulando mortes e danos por toda a região.

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O que está acontecendo no Irã?
Os primeiros ataques dos Estados Unidos e Israel tiveram como alvo a infraestrutura de mísseis, instalações militares e os líderes do Irã na capital Teerã e em outras partes do país.
O líder supremo iraniano desde 1989, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante a primeira onda de ataques.
As forças israelenses afirmam que dezenas de outras figuras de alto escalão do poderoso Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) também foram mortas.
O filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, foi nomeado seu sucessor no dia 8 de março.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou posteriormente que o sucessor havia sido ferido e "provavelmente está desfigurado", o que o Irã nega.
Outras autoridades iranianas de alto escalão mortas incluem o chefe de segurança Ali Larijani, o ministro da Inteligência Esmail Khatib e o chefe da força paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani. Israel afirma que eles foram atingidos durante ataques aéreos.
Os Estados Unidos e Israel também atacaram instalações fundamentais para o programa nuclear iraniano (que o Irã defende ser totalmente pacífico) e a infraestrutura de petróleo e gás do país.
Elas incluem a ilha de Kharg, que abriga um importante terminal petrolífero, considerado a tábua de salvação econômica do Irã.
Israel também atacou South Pars, que faz parte do maior campo de gás natural do mundo.
O grupo americano Ativistas dos Direitos Humanos no Irã (HRANA, na sigla em inglês) informou que 3.230 pessoas foram mortas no Irã até 21 de março. Elas incluem 1.167 militares e 1.406 civis, incluindo pelo menos 210 crianças. E 657 mortes não foram classificadas como civis ou militares.
O Irã acusou os Estados Unidos e Israel de lançarem um ataque a uma escola de meninas perto de uma base do CGRI no sul do Irã, no dia 28 de fevereiro, matando 168 pessoas, incluindo cerca de 110 crianças.
Os Estados Unidos declararam que estão investigando o incidente, enquanto Israel afirmou que "não tinha conhecimento" de operações militares naquela região.
Um vídeo analisado por especialistas mostra um míssil Tomahawk americano atingindo uma base militar perto da escola, segundo informado pela BBC Verify, o serviço de verificação de dados e imagens da BBC.
O acesso dos jornalistas internacionais ao Irã é limitado e a conexão à internet no país é quase totalmente restrita.
Fora do território iraniano, um submarino americano afundou um navio de guerra do Irã no Oceano Índico, perto do Sri Lanka, no dia 4 de março, causando a morte de pelo menos 87 pessoas.
Quais países o Irã atacou?
O Irã descreveu os ataques dos Estados Unidos e de Israel como "não provocados, ilegais e ilegítimos". Em resposta, o país realizou amplos ataques com mísseis e drones.
O CGRI declarou ter atingido instalações militares e governamentais israelenses em Tel Aviv e em outros locais em Israel. Autoridades israelenses afirmam que, do início da guerra até 22 de março, ataques com mísseis mataram 16 pessoas, todas civis.
Houve também ataques em países que abrigam bases americanas: Catar, Bahrein, Jordânia, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Kuwait, além dos aliados americanos Omã e Arábia Saudita. Foram mortos 13 militares americanos.
O Irã também foi acusado de atacar instalações de petróleo e gás, de transporte marítimo e civis.
Em 18 de março, o Irã atacou um complexo energético no Catar, em resposta a um ataque israelense no dia anterior ao campo de gás South Pars. Não houve relatos de mortes.
Pelo menos 20 pessoas foram mortas até agora na região do Golfo. A maioria delas eram pessoal de segurança ou trabalhadores estrangeiros. Foram oito pessoas nos EAU e seis no Kuwait, enquanto Omã, Arábia Saudita e o Bahrein registraram duas mortes cada um.
No norte do Iraque, um drone matou um soldado francês em uma base militar curda. Também no Iraque, as Forças de Mobilização Popular (FMP), formadas na última década para enfrentar o grupo Estado Islâmico, declararam que 27 dos seus membros foram mortos.
Na Cisjordânia ocupada por Israel, um ataque de mísseis iranianos matou quatro mulheres palestinas em um salão de beleza.
A Turquia declarou que as defesas aéreas da Otan derrubaram três mísseis iranianos sobre o seu espaço aéreo e o Azerbaijão acusou o Irã de atacar um aeroporto com drones.

Os Estados Unidos e seus aliados árabes condenaram os ataques iranianos. Eles afirmaram que "o ataque a civis e a outros países não envolvidos nas hostilidades é irresponsável".
No dia 14 de março, o grupo armado palestino Hamas na Faixa de Gaza pediu ao Irã a suspensão dos ataques aos Estados do Golfo, em um raro apelo ao seu principal aliado.
Fora da região, um drone atingiu uma base militar britânica em Chipre, segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido. Autoridades ocidentais afirmaram posteriormente que o drone não havia sido lançado pelo Irã.
Nos últimos dias, o Irã teria disparado dois mísseis balísticos em direção à base militar britânica de Diego Garcia, no Oceano Índico. Nenhum deles atingiu o alvo.
Em 7 de março, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas aos países vizinhos atacados. Ele declarou que, "de agora em diante", as forças armadas iranianas não atacariam países vizinhos, "a menos que sejam atacadas em primeiro lugar".
Mas os ataques continuaram desde então.
O que está acontecendo no Líbano?

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Uma nova frente de guerra se abriu no Líbano no dia 2 de março, quando o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, disparou foguetes contra posições israelenses. O grupo afirmou estar buscando vingança pelo assassinato de Ali Khamenei.
Israel lançou ataques em resposta, atingindo a região sul e central da capital libanesa, Beirute, e partes do sul e do leste do Líbano.
O ministro da Defesa de Israel declarou, no dia 3 de março, que tropas terrestres iriam "avançar e capturar novas áreas estratégicas no Líbano", para impedir os ataques do Hezbollah.
No dia 20 de março, o ministro da Saúde libanês declarou que os ataques de Israel mataram 1.001 pessoas, incluindo 118 crianças.
Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas de suas casas, segundo o governo libanês. O número representa cerca de um a cada seis habitantes do país.
As forças armadas israelenses também relataram que dois dos seus soldados foram mortos até 8 de março.
Por que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã?
O ministério da Defesa israelense, Israel Katz, descreveu os primeiros ataques ao Irã como "preventivos" para "retirar ameaças contra o Estado de Israel". Mas ele não explicou o porquê da necessidade de tomada de ações militares naquele momento.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou em 2 de março que Washington sabia que haveria ações israelenses, o que significava que os Estados Unidos precisavam agir "preventivamente", frente a ataques esperados do Irã às forças americanas.
Mas existem também outras razões por trás dos ataques.
Israel e seu principal aliado, os Estados Unidos, são arqui-inimigos do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Os líderes iranianos convocam repetidamente a eliminação de Israel e denunciam que os Estados Unidos são seu maior inimigo.
Os dois países lideram a oposição ocidental ao programa nuclear iraniano. Eles afirmam que o Irã busca desenvolver uma bomba nuclear, o que o país nega veementemente.
Israel e os Estados Unidos atacaram instalações militares e nucleares iranianas em junho de 2025, durante a Guerra dos 12 Dias. Desde então, os dois países afirmam que o Irã vem tentando reconstruir seu programa nuclear e desenvolver mísseis capazes de carregar armas nucleares.
Israel considera o Irã uma ameaça à sua existência e quer a total retirada do programa nuclear e de mísseis do Irã, bem como a mudança do regime vigente no país.
Os Estados Unidos começaram a falar abertamente sobre a possibilidade de atacar o Irã em janeiro, quando forças iranianas reprimiram manifestantes com força letal no país.
O Irã e os Estados Unidos começaram negociações e, aparentemente, vinham fazendo progresso até 27 de fevereiro, quando o presidente americano, Donald Trump, declarou "não estar feliz" com o andamento das negociações.
Horas depois, os Estados Unidos e Israel deram início aos ataques.
Como a guerra está afetando a economia e os preços da energia?
A instabilidade no Oriente Médio começou a causar impactos à economia global.
O Irã foi acusado de atacar navios no Golfo Pérsico, forçando o efetivo fechamento do Estreito de Ormuz, uma artéria fundamental por onde passam cerca de 20% do abastecimento global de petróleo.
No dia 21 de março, Trump deu ao Irã 48 horas para "abrir completamente, sem ameaças" o Estreito de Ormuz ou os Estados Unidos "obliterariam" as usinas energéticas iranianas.
O Irã afirmou que, se isso acontecesse, o país atacaria a infraestrutura de energia e dessalinização pertencente aos Estados Unidos na região.
Foram relatados ataques aos principais centros de petróleo e gás. Os ataques levaram alguns dos maiores produtores mundiais de gás e petróleo a suspender sua produção, gerando forte aumento dos preços da energia.
Viajar para a região é seguro? E quanto tempo poderá durar a guerra?
No dia 20 de março, Trump declarou que estava considerando "relaxar" a guerra porque os Estados Unidos estariam "chegando muito perto" de atingir seus objetivos militares.
Anteriormente, ele delineou uma ampla missão para o conflito, a fim de garantir que o Irã não pudesse desenvolver armas dirigidas aos Estados Unidos, Israel ou qualquer outro aliado americano "por muito tempo".
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, indicou anteriormente que a guerra poderia durar até seis semanas. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no início da guerra que a campanha iria "continuar pelo tempo que for necessário".
A guerra gerou uma das mais sérias interrupções ao tráfego global desde a pandemia de covid-19. Algumas linhas aéreas mantiveram suas operações ou retomaram uma quantidade limitada de voos.
No Reino Unido, o Ministério das Relações Exteriores aconselhou qualquer pessoa com planos de viajar para o Oriente Médio a consultar seu website em busca de aconselhamento em relação ao seu país de destino.
Com colaboração de Mallory Moench, Raffi Berg, Emily Atkinson, Olivia Ireland, Robert Greenall, Hafsa Khalil, Gabriela Pomeroy, Jaroslav Lukiv e da BBC News Persa.

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