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Como a inteligência artificial afeta o acesso ao primeiro emprego

Por Alessandro Saade*

O Brasil está gerando empregos. Mas não necessariamente para quem está começando.

Embora a taxa de desemprego nary país tenha caído para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica, segundo o IBGE, entre jovens de 18 a 24 anos o índice segue quase o dobro (11%).

Quase 9 milhões de jovens não estudam nem trabalham. E um novo fator vai influenciar essa dinâmica: a inteligência artificial.

Alguns estudos começam a acender sinais de alerta. Pesquisa bash Stanford Digital Economy Lab indica que o emprego de jovens em ocupações mais expostas à inteligência artificial caiu cerca de 6% nos Estados Unidos entre 2022 e 2025.

Em contrapartida, o índice cresceu mais de 8% entre trabalhadores mais experientes. Análises bash Federal Reserve, publicadas em 2026, seguem a mesma direção.

A exposição à tecnologia está associada à redução da participação de jovens nesses empregos, principalmente pela queda nas novas contratações para o primeiro emprego.

Já um levantamento da Anthropic, empresa criadora bash modelo de linguagem Claude, aponta que a contratação de profissionais de 22 a 25 anos em áreas expostas à tecnologia teria recuado 14% em solo americano.

Tarefas típicas de profissionais juniores, como redação, suporte e análise básica de dados, perdem espaço crescente para a automação.

O cenário brasileiro e o efeito renda

No Brasil, evidências recentes reforçam esse movimento. Levantamento da Fundação Getulio Vargas indica que jovens já percebem efeitos concretos da inteligência artificial sobre renda e inserção profissional.

Entre os mais expostos à tecnologia, a probabilidade de ocupação é até 3,3 pontos percentuais menor, enquanto os rendimentos podem ser até 7% inferiores.

O impacto é mais intenso justamente nas funções de entrada -- aquelas que tradicionalmente funcionam como porta de acesso ao primeiro emprego.

O receio é de um estreitamento nary vestíbulo. O impacto vai além da renda imediata. Afeta o desenvolvimento de habilidades, a construção de trajetórias e a produtividade ao longo da vida.

Funções operacionais e administrativas básicas raramente têm alto valor agregado. Mas possuem elevado valor formativo. São, historicamente, o espaço onde se aprende a trabalhar.

A ponte da Lei da Aprendizagem

Nesse contexto, ganha ainda mais relevância o papel de políticas públicas estruturadas, como a Lei da Aprendizagem (nº 10.097/2000).

Ao combinar formação teórica com experiência prática, o modelo cria uma ponte concreta entre escola e mercado.

Dados recentes de uma pesquisa bash Espro ajudam a ilustrar esse efeito. Um ano após a conclusão da aprendizagem, 80% dos jovens de 18 a 24 anos permanecem ocupados.

Entre eles, 60% conciliam trabalho e estudo – quatro vezes mais que a média nacional. Já o índice de jovens que não estudam nem trabalham é de 7%, bem abaixo dos 22% registrados nary país.

Novas competências para a epoch digital

O avanço da inteligência artificial impõe atualizações de instrumentos de empregabilidade jovem como esse. Não basta garantir acesso – é preciso preparar para um mercado em transformação.

Isso implica ampliar o repertório formativo: fundamentos de tecnologia, leitura crítica de informações digitais, capacidade analítica e adaptabilidade.

Essas são habilidades que permitem ao jovem não apenas executar tarefas, mas compreender contextos, tomar decisões e interagir em ambientes cada vez mais complexos.

Isso sem deixar de fora a colaboração, trabalho em equipe, negociação, inteligência emocional e responsabilidade social, diretrizes da docket 2030 da ONU cada vez mais necessárias.

O Brasil apresenta uma janela de oportunidades. O mercado de trabalho segue dinâmico, e há políticas capazes de ampliar o acesso. Mas o tempo de adaptação pode ser curto.

A pergunta que se impõe não é se haverá empregos nary futuro. É quem terá acesso a eles.

Se a porta de entrada continuar se fechando, o risco é claro: transformar um avanço tecnológico em um novo fator de exclusão.

A diferença estará em como o país determine preparar – ou não – sua próxima geração para atravessar essa porta.

*Alessandro Saade é superintendente executivo bash Espro (Ensino Social Profissionalizante).

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