A entrada na disputa levantou preocupações de que a milícia xiita volte a mirar seu poder de fogo também no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, como fizeram no passado. "Nossos dedos estão no gatilho", disse o porta-voz da milícia, Yahya Saree, em um comunicado na sexta-feira.
Uma tentativa de dificultar o fluxo no Estreito de Bab el-Mandeb, somada ao bloqueio já em curso em Ormuz, afetaria dois corredores marítimos estratégicos. O Mar Vermelho recebe cerca de 12% do comércio mundial rumo ao Canal de Suez, incluindo petróleo, gás natural, grãos e eletrônicos.

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A missão naval Aspides, liderada pela União Europeia, vê risco de que a milícia Houthi ataque navios internacionais no Mar Vermelho e no Golfo de Áden. A entidade pediu cautela às empresas de navegação, especialmente às ligadas a Israel ou aos Estados Unidos.
"As capacidades militares dos Houthis são atualmente consideradas intactas e substanciais", disse o grupo.
Houthis sinalizam futura participação 'plena' na guerra
Os Houthis são parte central do chamado "Eixo da Resistência" do Irã, que inclui grupos militantes no Líbano, Iraque e nos territórios palestinos. Eles controlam a capital iemenita, Sanaa, e grande parte do norte do país, e desde 2014 travam uma guerra civil contra o governo reconhecido internacionalmente, apoiado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.
Diferentemente do Hezbollah e de grupos militantes no Iraque, os rebeldes haviam se mantido inativos desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro. Tensões internas no país, pressão sobre suas próprias lideranças e receio de retaliações podem explicar a hesitação, pontuam analistas.

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Contudo, o grupo parece agora ter mudado de rota, o que pode gerar um novo cenário de pressões globais.
Uma ofensiva no Mar Vermelho ampliaria ainda mais os impactos na indústria marítima e na economia global. A milícia já provou ser capaz de gerar disrupção na região ao atacar mais de 100 navios mercantes com mísseis e drones, afundar duas embarcações e matar quatro marinheiros durante o conflito entre Israel e Gaza, entre novembro de 2023 e janeiro de 2025.
Para ele, os mísseis contra Israel funcionam como um aviso de uma possível participação plena em uma fase posterior, o que poderia incluir, por exemplo, ataques a instalações petrolíferas no Golfo Pérsico, como fizeram anteriormente durante a guerra civil no Iêmen.
Impacto sobre toda a segurança marítima
Irã diz que vai abrir o Estreito de Ormuz para embarcações “não hostis” — Foto: Benoit Tessier/Reuters
O estreito, com 32 quilômetros de largura, é um dos mais movimentados do comércio global de petróleo. Mas ataques Houthi a embarcações não apenas elevariam ainda mais os preços do petróleo, alertou Ahmed Nagi, analista sênior do Iêmen no International Crisis Group, à agência de notícias Associated Press (AP).
Um quarto do comércio mundial de contêineres também passa por ali rumo ao Canal de Suez. Interromper o trânsito por Bab el-Mandeb força empresas de navegação a desviar seus navios pelo Cabo da Boa Esperança, como ocorreu em 2024 e 2025, aumentando significativamente os custos de frete globais.
O Mar Vermelho é também um corredor crítico para o gás natural da Europa, já pressionada pela diminuição da oferta desde o início da guerra na Ucrânia. Navios-tanque que transportam gás natural liquefeito — resfriado a temperaturas extremamente baixas para ser transportado por navio — passam rotineiramente pelo Mar Vermelho.
Durante a última tentativa de interrupção, os EUA e Israel responderam com uma intensa campanha aérea contra áreas controladas pelos houthis no Iêmen, que matou a maior parte do gabinete aliado aos houthis em Sanaa. Um cessar-fogo foi acordado em outubro de 2025, interrompendo os ataques no Mar Vermelho.

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