Detentores de títulos das empresas são os primeiros impactados. Os investidores que têm debêntures, CRIs e CRAs dessas duas empresas na carteira, em contas que possuem em corretoras, ou por meio de fundos de investimentos que aplicaram nesses ativos deixam de receber os pagamentos dos juros ou do principal no período da recuperação.
GPA possui cerca de R$ 4,7 bilhões em debêntures e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) emitidos no mercado de capitais. Desse total, aproximadamente R$ 3,1 bilhões correspondem a títulos nos quais a empresa é devedora direta, segundo dados da plataforma de crédito privado Vitrify.
Já Raízen tem R$ 11,4 bilhões captados em CRAs e debêntures que continuam como dívida ativa. Desse total, aproximadamente R$ 5,7 bilhões em CRAs e R$ 5,7 bilhões em debêntures, também conforme levantamento da Vitrify.
Preços no mercado secundário já chegam a sofrer descontos de 50%. Parte de investidores e fundos detentores desses ativos que não quer ficar sem receber juros ou teme perder parte do principal no correr da negociação da recuperação extrajudicial prefere vender esses papéis. Esse movimento já provoca a desvalorização dos ativos.
Uma das lições desse evento é o risco de liquidez. Em momentos de estresse, a saída desses ativos no mercado secundário exige um deságio, a chamada marcação a mercado negativa, que é muitas vezes superior ao da volatilidade de ações, penalizando o investidor ou o fundo que precisa de caixa. Otávio Faria, analista de crédito e renda fixa da Eleven Financial
Fundos de renda fixa com títulos de outras empresas sofrem impacto por tabela. Os pedidos de resgates de carteiras que carregam títulos de dívida de empresas levam os gestores a terem que se desfazer dos papéis. E isso acaba ampliando a desvalorização dos títulos, diz o chefe de renda fixa da Manchester Investimentos, Rafael Sueishi.
Títulos de renda fixa emitidos por outras empresas também são afetados. No primeiro momento, o impacto é maior nos ativos diretamente ligados aos pedidos de recuperação extrajudicial. Na sequência, o evento também já reflete nos ativos de companhias consideradas pares, que atuam no mesmo setor ou que têm uma dinâmica semelhante, diz Sueishi.
O sentimento de aversão a risco fica mais latente e isso impacta fluxo. E esse fluxo, contaminando outros setores e nomes do mercado, pode gerar um efeito maior no mercado, igual a gente viu em 2023, que é um fluxo maior de resgates nos fundos de crédito privado, principalmente. Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos
Custo de captação de recursos pode aumentar para empresas. A queda de preço dos títulos de renda fixa emitidos leva a um aumento das taxas praticadas no mercado. Isso tende a encarecer o custo do dinheiro para companhias no mercado de capitais.
O impacto sobre novas emissões pode ocorrer. Eventualmente, você pode ter um custo maior de emissão para novas empresas em um mercado mais seletivo. O que acaba transbordando e impactando o mercado de emissões primárias como um todo. Porém, isso vai impactar mais o preço e o custo dessas emissões que o volume porque a necessidade de emissão não vai ser alterada. Matheus Falci, sócio da One Investimentos
Títulos de renda fixa lideram captações no mercado brasileiro de capitais. Os pedidos das duas grandes empresas ocorrem em um momento em que as operações com debêntures, CRIs e CRAs respondem pela maior parte dos negócios no país.
Debêntures lideraram ofertas no mercado de capitais em 2025. As emissões desses títulos somaram R$ 492,8 bilhões, respondendo por 58,8% dos R$ 838,8 bilhões captados pelas companhias ano passado, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
CRAs totalizaram o valor recorde de R$ 46,2 bilhões em 2025. O aumento foi de 11,1%. Já os CRIs somaram R$ 49,0 bilhões, com redução de 20,2% nesse comparativo.
Quanto mais empresas se utilizarem de ferramentas de proteção, como os recentes casos da GPA e Raízen, mais seletivo será o mercado. Isto implica na obrigação dos investidores em terem maior seletividade e exigência de maiores taxas de retorno versus risco, com o foco na estrutura de capital das empresas emissoras de títulos de dívida. Este movimento pode inibir o volume de novas emissões de dívida em operações tradicionais e reduzir liquidez neste mercado. Pedro Galdi, analista CNPI do AGF
Investidor deve considerar risco de renda fixa emitida por empresas. Segundo profissionais de mercado, os casos de GPA e Raízen reforçam a necessidade de o aplicador diferenciar títulos emitidos por empresas, o chamado crédito privado, daqueles emitidos pelo Tesouro.
Fundos listam ativos em que investem. Para identificar se um fundo carrega títulos do GPA ou da Raízen, o aplicador deve analisar a carteira pública do fundo, disponível nos relatórios mensais ou na CVM. No processo de recuperação extrajudicial, é o agente fiduciário que negocia durante o processo em nome dos cotistas do fundo.
Muitos alocaram capital em dívida corporativa acreditando se tratar da mesma segurança de um CDB de grande banco, ignorando a ausência do FGC. O prêmio de risco maior desses títulos existe justamente para remunerar o risco de crédito da companhia, os desafios do setor de atuação e a qualidade da gestão. Otávio Faria, analista de crédito e renda fixa da Eleven Financial

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