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'Como em um filme': os relatos de testemunhas e sobreviventes do incêndio em bar na Suíça durante festa de Ano Novo

'Nunca tinha visto queimaduras tão fortes'

Testemunhas relatam que tudo aconteceu muito rápido: as chamas começaram no teto do bar Le Constelation. O local estava cheio de jovens e alguns ainda chegaram a fazer vídeos enquanto alguns dançavam e outros tentavam apagar as chamas.

O Noah tem 14 anos, e o Mathis 15. Eles gravaram o incêndio quando estavam na fila para entrar no bar.

"A gente viu uma chama enorme saindo da escada, que era a única saída do andar de baixo. Uma amiga nossa não parava de chorar porque o irmão dela estava lá dentro, então a gente só tentava que ela se acalmasse", conta Mathis.

O local, frequentado por adolescentes e turistas, não exigia documentos para venda de bebidas alcoólicas. Na Suíça, o consumo de vinho e cerveja é permitido a partir dos 16 anos, mas testemunhas afirmam que havia jovens de 13 e 14 anos no espaço.

"As pessoas estavam exaltadas. Eu estava com medo porque eu era menor que quase todo mundo e porque eu tinha me perdido do meu grupo", relata Noah.

O brasileiro Rique Hawlley, que mora há 28 anos na Suíça, passava de carro pelo centro da cidade quando viu a movimentação. Ele parou para ajudar e gravou a chegada dos bombeiros.

“Eu vi um rapaz forte, com rosto todo danificado. Nunca tinha visto queimaduras tão fortes, que nem filme. Tinha gente deitada, que não se mexia. E os que estavam sentados, queimados, gritando. Já estavam do lado de fora”, relatou Rique.

Os relatos de testemunhas e sobreviventes do incêndio em bar na Suíça durante festa de Ano Novo — Foto: Reprodução/TV Globo

Estrutura e falta de rotas de fuga

Segundo relatos, o bar funcionava em dois andares: no superior, mesas e um balcão; no inferior, música alta e pista de dança, onde o fogo teria começado. De acordo com as testemunhas, a única rota de fuga era uma escada estreita, que se tornou um gargalo durante o pânico.

“Aquele andar de baixo era um bunker. Aqui em Crans-Montana, muitos restaurantes são assim”, disse Ginevra Bono, turista italiana.

Simulação mostra como era bar que sofreu incêndio na Suíça — Foto: Reprodução/TV Globo

Investigação e comparação com a Boate Kiss

Os proprietários do bar, um casal francês, são investigados por homicídio doloso, lesão corporal dolosa e incêndio por negligência. As autoridades apuram se havia superlotação, saídas de emergência e extintores. O material das placas acústicas no teto também está sob análise — situação semelhante à tragédia da Boate Kiss, no Brasil, que matou 242 pessoas em 2013.

Neste domingo, a principal igreja da cidade ficou lotada para uma missa em memória das vítimas. Centenas acompanharam uma procissão silenciosa até o local do incêndio. Velas, flores e mensagens foram deixadas no memorial improvisado.

“Eu perdi meu filho há dois anos. Sinto a dor desses pais”, disse Ferhat Aydin, emocionado.

Entre as vítimas, estavam adolescentes de 14 anos e jovens de até 21. Sarah Weber, de 19, chorava a morte da amiga Mariane:

“Ela era uma pessoa incrível. De verdade”.

No fim do dia, a polícia anunciou que todos os 40 mortos foram identificados.

Incêndio Suíça: velas, flores e mensagens foram deixadas no memorial improvisado para vítimas — Foto: Reprodução/TV Globo

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