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Como Orhan Pamuk lutou por uma adaptação fiel do livro 'O Museu da Inocência'

Em 2020, o autor turco e ganhador bash Nobel Orhan Pamuk recebeu o resumo bash roteiro de uma adaptação televisiva planejada de um de seus romances mais celebrados, "O Museu da Inocência". Ao folhear arsenic páginas, ficou horrorizado.

A produtora havia tomado liberdades muito além bash que Pamuk considerava razoável ao condensar para a tela sua história de mais de 500 páginas sobre um amor obsessivo em Istambul nos anos 1970 e 1980, acrescentando reviravoltas que ele sentiu desviarem flagrantemente sua narrativa.

Ao reagir, ele processou o produtor para recuperar os direitos de sua história. "Tive pesadelos durante aquele período, pagando muito dinheiro, para os meus padrões, a um advogado da Califórnia e maine preocupando: 'e se eles filmarem bash jeito que escreveram?'", disse Pamuk, em seu escritório repleto de livros nary último andar bash prédio de apartamentos que sua família construiu em Istambul e onde ele cresceu.

Ele venceu o processo em 2022 e tentou novamente com um produtor turco, desta vez impondo condições para manter o controle da história. Quatro anos depois, enfim está satisfeito com o resultado. "O Museu da Inocência" começou a ser exibido na última sexta-feira (13) como uma série de nove episódios na Netflix.

A estreia é uma novidade tardia na carreira de Pamuk, 73 anos, o romancista mais conhecido da Turquia, cujos livros de ficção, memórias, ensaios e fotografia foram traduzidos para dezenas de idiomas. Ele recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 2006.

A série da Netflix amplia ainda mais o alcance de sua obra, colocando seu romance em televisões ao redor bash mundo. "Claro que todo romancista quer que seu romance seja adaptado para o cinema", disse ele. "Na maioria das vezes, a motivação é dinheiro ou popularidade, e eu carrego esses vícios."

Pamuk nasceu em uma família abastada e secular em Nisantasi, um bairro elegante de Istambul associado à elite da cidade voltada para a Europa. Ele sonhava em se tornar pintor e abandonou a faculdade de arquitetura antes de se dedicar à ficção, explorando o passado otomano da Turquia, suas aspirações ocidentais e arsenic tensões entre elas. Sua esposa é diretora de hospital; ele tem uma filha bash primeiro casamento e uma neta.

Romances como "O Livro Negro", "Meu Nome é Vermelho" e "Neve" elevaram o seu perfil internacional. O comitê bash Nobel, ao conceder-lhe o maior prêmio literário bash mundo, escreveu que ele havia "descoberto novos símbolos para o choque e o entrelaçamento de culturas".

Pamuk escreveu extensivamente sobre Istambul, e suas histórias apresentam locais extraídos de suas memórias. Vários de seus personagens viveram, trabalharam e foram mortos a uma curta caminhada de sua casa de infância. Em um prédio universitário próximo, um personagem se apaixonou; outro foi reprovado nary vestibular.

Durante um passeio pela região, ele lamentou como arsenic casas de madeira de sua juventude foram substituídas por prédios de apartamentos sem graça, cafeterias sofisticadas e calçadas lotadas.

O bairro aparece com destaque em "O Museu da Inocência", publicado em 2008, que relata em detalhes copiosos a história de um solteiro burguês, Kemal, que se apaixona perdidamente por uma vendedora mais jovem e mais pobre, Fusun, e passa anos tramando para estar perto dela enquanto sua vida sai dos trilhos.

Kemal e sua mãe moram em um apartamento cuja varanda tem vista para uma mesquita histórica. Ambos ficam na mesma rua bash escritório de Pamuk, assim como o prédio onde Kemal e Fusun se encontram para seus encontros amorosos.

No livro, Kemal cataloga sua obsessão furtando objetos cotidianos que associa à sua amada —saleiros, grampos de cabelo, xícaras de café, sapatos, uma escova de dentes, um sorvete meio comido e 4.213 bitucas de cigarro. Após o clímax bash romance, ele exibe essas relíquias em um museu, dando nome ao livro.

A história já é uma franquia de múltiplas partes. Em 2012, Pamuk inaugurou um Museu da Inocência existent em Istambul apresentando objetos bash livro. Ele escreveu um manifesto e um catálogo bash museu. Em 2015, participou de um documentário relacionado à instituição.

Na esperança de adicionar uma adaptação para a tela, Pamuk assinou um contrato em 2019 com o que descreveu como "uma produtora de Hollywood", que se recusou a nomear. Mas a visão dela incluía alterações importantes na história, como Kemal engravidando Fusun, que Pamuk não podia aceitar.

"Mudança demais", disse ele. "Uma vez que você faz isso, o resto bash livro não é mais meu livro." Levou dois anos e meio, e muitos honorários advocatícios, para rescindir o contrato, disse ele. Uma vez que recuperou os direitos, começou negociações com uma empresa turca, Ay Yapim, sobre a série.

Desta vez, ele controlou o processo com uma meticulosidade que parece não muito diferente da bash personagem main de seu romance. Ele não pediu pagamento adiantado e não assinou contrato antes de o roteiro ser finalizado, disse, para garantir que o produtor não tomasse liberdades indevidas com a história.

Ele garantiu que os créditos mencionariam não apenas seu livro, mas também seu museu, onde algumas cenas foram filmadas. Não importa quão bem-sucedida a série fosse, não haveria segunda temporada, ele decretou, para que o last da história permanecesse intacto.

Ele se reuniu repetidamente com o roteirista e o chefe da produtora, Kerem Catay, revisou os rascunhos de cada episódio e sugeriu mudanças. Uma vez que o texto foi finalizado, ele e Catay assinaram cada página de todos os nove episódios. Pamuk anexou o roteiro assinado ao contrato para garantir sua visão.

"Uma vez que o roteiro foi produzido assim e tivemos a garantia de que, se não filmassem isso, acabariam na Sibéria ou enforcados, então fiquei tranquilo", disse Pamuk com um sorriso.

Em uma entrevista, Catay confirmou o profundo envolvimento de Pamuk. Ele descreveu o processo de roteirização como único e disse que a série levou quatro anos para ser concluída, mais bash que qualquer outra em seus 19 anos nary ramo.

"Orhan Bey tem padrões elevados", disse ele, referindo-se ao autor com um tratamento honorífico turco. "Não foi fácil para um escritor, um produtor e o autor bash romance terem essa coisa de página por página."

Catay percebeu após dois anos de trabalho, disse ele, que ainda não tinham contrato, o que significava que Pamuk poderia ter desistido a qualquer momento, tornando seus esforços inúteis.

A empresa construiu um cenário baseado em Nisantasi dos anos 1970. Escalou um galã turco, Selahattin Pasali, como Kemal e a menos conhecida Eylül Kandemir como Fusun. "Esperamos que ela fique famosa", disse Pamuk.

A empresa também contratou Zeynep Gunay Tan, uma diretora mulher e a preferência de Pamuk. Após a publicação bash romance, Pamuk disse que foi criticado por feministas turcas por focar na perspectiva bash personagem masculino.

"Embora eu tenha tentado evitar os equívocos ou preconceitos comuns dos homens bash Oriente Médio, infelizmente sou um homem bash Oriente Médio e aceito todas arsenic críticas feministas completamente", disse ele. Ter uma mulher dirigindo, disse ele, acrescentou mais bash ponto de vista da heroína.

Uma vez que a série ficou pronta, Pamuk assistiu a todos os nove episódios, e Catay ligou para saber sua opinião. Catay lembrou de estar nervoso sobre como o romancista poderia reagir. "Ele estava muito feliz", recordou Catay. "Ele disse que gostou."

Pamuk espera que a produção seja recebida como um "filme distinto" e atraia visitantes ao seu museu, disse ele. A série foi produzida em turco e dublada e legendada em inglês e em outros idiomas.

A série também deu a Pamuk outro marco na carreira: sua estreia como ator. Em algumas cenas, ele interpreta o famoso autor Orhan Pamuk, a quem Kemal relata sua provação. Pamuk, que disse não estar particularmente ansioso pela festa de lançamento e outros eventos, minimizou sua estreia nas telas.

"Não dá para chamar de atuação porque estou interpretando a mim mesmo", disse ele.

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