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Como projeto que ensina crochê na cadeia virou ateliê e tomou as passarelas

Silvestre relata que a primeira visita foi à Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos (SP), após conversar com diretores e acertar materiais e horários. Ele levou agulhas e tesouras sem ponta e diz que, no primeiro dia, encontrou 11 homens esperando pela aula.

O estilista conta que a direção discutiu o risco de segurança com as agulhas, mas ele defendeu que os alunos precisavam ocupar o tempo ocioso na cela. "O mais importante é o tempo que eles passam na cela, que é 99,9% do tempo", afirma.

Com a experiência, Silvestre diz que passou a se preocupar com o momento da saída da prisão, quando, segundo ele, falta rede de apoio e oportunidades de emprego.

Eu comecei a me preocupar com isso e entendi, ao longo desse tempo, que a parte mais delicada é quando eles saíssem. Ali dentro, de certa forma, eles têm um ambiente controlado. Quando eles saem é que não tem o chão para eles pisarem, porque a sociedade vira as costas.
Gustavo Silvestre

Para receber ex-alunos e ampliar o atendimento, ele criou a escola Ponto Firme com apoio da Brasil Foundation, em um espaço na região da República, no centro de São Paulo. Depois, diz que passou a receber também mulheres e pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão, além de refugiados e imigrantes, com apoio do Ministério Público.

Segundo ele, a escola chegou a ter 60 alunos, com turmas de manhã e à tarde, e passou a formar monitores entre os próprios estudantes. "O professor começou a formar outros" relata.

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