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"Estar grávida torna tudo mais pesado – não só fisicamente, mas emocionalmente", disse Nour, que pediu que seu sobrenome não fosse publicado. "Fico me perguntando o tempo todo se meu bebê está seguro dentro de mim."
Nour agora vive em um abrigo coletivo, um dos centenas montados em todo o país. As condições são difíceis: a falta de privacidade e o saneamento inadequado aumentam os riscos à saúde, especialmente para gestantes.
Os abrigos públicos chegaram ao limite da capacidade quando o Líbano foi arrastado para o conflito mais amplo no Oriente Médio. No início de março, o grupo Hezbollah, apoiada pelo Irã, atacou Israel após a morte do então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
A retaliação israelense, aérea e por terra, deixou quase 2,5 mil mortos, 7 mil feridos e 1,2 milhão de pessoas deslocadas desde março, segundo Beirute. A maioria dos deslocados ainda não conseguiu voltar para casa, e a incerteza cresce em meio às frágeis negociações para o fim das agressões.
Sistema de saúde à beira do colapso
A situação de Nour está longe de ser única. Entre os deslocados estão 13,5 mil de mulheres que enfrentam a gravidez em condições extremas, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Agências humanitárias alertam que o impacto sobre mulheres e meninas é especialmente severo.
O acesso aos cuidados maternos também está se deteriorando rapidamente, com unidades de saúde danificadas e recursos sobrecarregados.
"O já frágil sistema de saúde do Líbano está agora à beira do colapso", afirmou Philipose, ao apontar as crescentes barreiras ao acesso a serviços obstétricos.
A Organização Mundial da Saúde informou nesta semana que pelo menos 51 centros de atenção primária à saúde fecharam as portas em meio aos combates, que também mataram dezenas de profissionais de saúde.
Os hospitais que permanecem em funcionamento enfrentam dificuldades para atender à demanda.
Milhares isolados no sul do Líbano
As condições são ainda mais precárias no sul do país, onde o acesso a unidades médicas é severamente restrito.
O UNFPA estima que cerca de 1.700 mulheres grávidas estejam entre as aproximadamente 150 mil pessoas isoladas do restante do país. "Essas mulheres correm um risco grave", disse Philipose.
Os esforços de ajuda continuam, mas são limitados tanto pela insegurança quanto pela falta de recursos. Onde é possível, afirmou Philipose, foram mobilizadas unidades médicas móveis, além da distribuição de kits de saúde reprodutiva. Parteiras e médicos locais que permaneceram na região seguem oferecendo apoio.
Ainda assim, a resposta está aquém do necessário. Segundo Philipose, o apelo emergencial da agência para o período de março a maio pediu 12 milhões de dólares (R$ 59 milhões) para atender 225 mil pessoas, mas apenas uma fração desse valor foi recebida até agora. A escalada contínua do conflito já superou essas projeções.
Anos de pressão e incerteza
O sistema de saúde do Líbano, antes considerado robusto, já estava sob intensa pressão antes da última escalada.
Após quatro anos imerso em uma crise econômica, agravada pela pandemia de covid-19, pela explosão no porto de Beirute em agosto de 2020 e por um prolongado vácuo político, o Líbano lançou sua estratégia nacional de saúde, a "Visão 2030", em janeiro de 2023. À época, o então ministro da Saúde Pública, Firass Abiad, afirmou que o plano tinha como objetivo modernizar o setor de saúde do país.
"Apesar dos esforços consideráveis de profissionais e instituições de saúde em todo o país, e do aumento dos investimentos por parte de diversas organizações, o sistema continua altamente vulnerável", disse Khalife.
Hoje, os serviços são distribuídos de forma desigual. Hospitais privados oferecem a maior parte do atendimento, enquanto unidades públicas e aquelas financiadas por ONGs ou pelo braço político do Hezbollah atendem a população de baixa renda. O acesso muitas vezes depende de custo, localização e conexões pessoais – barreiras que se intensificaram ainda mais durante o atual conflito, explica Khalife.
Para muitas mulheres próximas do parto, a incerteza é esmagadora.
Yara, de 28 anos, moradora do leste de Beirute, está grávida de 33 semanas e planejava dar à luz em um hospital público. Agora, não sabe se a unidade ainda estará em funcionamento quando chegar sua data prevista para o parto.
"Eu sonho com segurança e com um lar onde eu possa segurar meu bebê sem medo", disse ela, "sem o som de explosões".

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2 horas atrás
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