Veio como um terremoto a revelação de um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro pede milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro para salvar o financiamento da cinebiografia de seu pai. O furo do site Intercept atingiu não apenas a candidatura do senador, mas a própria perspectiva da direita na eleição presidencial.
O abalo sofrido por Flávio retira Lula do aperto causado pela rejeição de Jorge Messias, seu candidato ao STF. O petista respira aliviado. Se a recente rodada da pesquisa Quaest já havia sinalizado uma leve recuperação frente ao adversário que vinha crescendo, agora o céu desanuviou.
O outro lado da moeda é que o campo da esquerda considera Flávio o concorrente ideal, por tratar-se de notório incompetente, sem nenhuma experiência de gestão pública, com farto histórico de atividades suspeitas e de relacionamento com bandidos. Agora, poderá, em tese, ser trocado por alguém mais capacitado. Mas quem? Tarcisio de Freitas, o candidato dos sonhos do establishment e o mais temido pelo PT, já perdeu o prazo oficial para se afastar e concorrer, assim como Ratinho Jr.
Romeu Zema e Ronaldo Caiado dificilmente serão protagonistas, mas farão o possível para aumentar o desgaste de Flávio em busca de mais projeção na disputa.
A tarefa de substituir o senador, se é que isso poderá realmente ocorrer, terá também pela frente a realidade de que o escândalo do Banco Master envolve sobretudo personagens da direita, sejam eles do centrão ou do bolsonarismo. A operação, na semana passada, contra Ciro Nogueira, que foi chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, serviu como um lembrete.
Qualquer mudança mais drástica terá, ainda, que partir ou contar com a bênção de Jair Bolsonaro. Por ora, o mais provável é deixar estar para ver como fica.
Não é descartável, também, que nomes ligados ao PT e ao presidente venham a aparecer nas investigações da PF ou numa possível delação de Vorcaro. Mas é impossível, de qualquer forma, imaginar o presidente pedindo favores ao banqueiro e o tratando por "irmão".
Sabe-se que Vorcaro pagou, com certeza, cerca de R$ 61 milhões para a produção de, "Dark Horse", filme ardilosamente concebido para levar Bolsonaro, o pai, ora preso, a participar indiretamente da campanha eleitoral. As notícias, contudo, são de que a negociação entre a família e o banqueiro ia muito além dessa quantia. Envolvia os fundos suspeitos de sempre ligados ao Master —e não é certo de que se tratava apenas de bancar um filme.
Num país como o Brasil poucos meses até a campanha começar e esquentar podem ser um longo tempo. A disputa com certeza será apertada. O território está minado, e novas explosões devem acontecer.
Por fim, vale lembrar que os indicadores da cotação do dólar e da Bolsa no chamado "Flávio day" mostraram —como se já não fosse evidente— em que lado está o mercado financeiro, sempre inclinado a pegar caronas irresponsáveis para derrotar Lula. O tremor deixou claro que a grande armação para tentar transformar Flávio Bolsonaro num candidato bacana, moderado e amigo do ajuste fiscal, se já era improvável, tornou-se praticamente impossível. Resta saber para onde a Faria Lima irá caminhar. Se desembarca do filhote ou segue em frente na canoa furada.

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