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Corrupção abre alas e pede passagem

A corrupção voltou a fazer parte da paisagem eleitoral. Em todas as suas formas: do peculato a transações ilegais no mundo privado e condutas flagrantemente antiéticas, passando pela infiltração do crime organizado no poder público.

A velha senhora andava meio esquecida. Não por falta de atividade, mas devido à disseminação da ideia de que excessos cometidos em investigações aconselhavam que se desse por esgotado o assunto.

O Supremo Tribunal Federal respaldou essa versão com o desmonte das malfeitorias apuradas na Lava Jato; os telhados de vidro das forças políticas dominantes fizeram o resto.

A chaga da criminalidade desenfreada sentou-se no topo das aflições populares. Natural que as pessoas tenham muito mais medo do bandido da rua do que da roubalheira cujo efeito não é sentido na pele de imediato.

A gravidade de um problema não apaga a importância do outro. Ambos ficam espetados na conta das demandas não resolvidas por governantes que neste ano de novo reivindicam do eleitorado a concessão de passaportes para o poder.

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Como quem é vivo sempre acaba aparecendo, eis que temos a corrupção de volta à cena no embalo das fraudes do INSS e do lodaçal ainda em crescimento nos desdobramentos da liquidação do banco Master. Dinheiro voando pela janela é mais uma ilustração igual a outras de notas escondidas em malas, armários e colchões ou acomodadas em cuecas.

Agora ainda há fatores novos no ambiente: as graves suspeições que rondam ministros de tribunais superiores, a exposição de privilégios a uma casta do serviço público —com ênfase no Judiciário— a completa desfaçatez corporativista do Congresso e o abuso da máquina pública em campanha eleitoral no Executivo.

A sociedade talvez grite nas próximas pesquisas. Mas fica a dúvida se tais comportamentos serão levados ao centro do debate eleitoral ou se o compartilhamento dos telhados de vidro fará com que os candidatos deem voz à velha cantilena que joga a culpa de tudo na malvadeza do "sistema".

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