A direção abandonou o posicionamento de fiscalização da Casa Branca que sustentava a relevância do Post, apostou em estratégias sem lastro editorial e falhou em adaptar seu modelo de negócio à lógica digital, justamente a área de expertise de Bezos.
A crise começou com intervenções diretas do proprietário, seguidas por seu afastamento do dia-a-dia do jornal. Houve também a ruptura da confiança com o público por mudança editorial e a incapacidade de inovar com clareza em produtos, formatos e receitas.
A demissão de cerca de 30% de seus funcionários neste mês, incluindo mais de 300 jornalistas, foi descrita como um "reset estratégico" para conter prejuízos financeiros. Já o ex-diretor de redação Martin Baron classificou o dia dos cortes como "um dos mais sombrios na história de uma das maiores organizações de notícias do mundo".
A recente derrocada do Washington Post acontece após um período de euforia no primeiro governo Trump (2017-2020), quando o jornal assumiu uma postura combativa sob o slogan "Democracy Dies in Darkness" (democracia morre na escuridão, em tradução livre), mote pessoal de Bezos, e viu as assinaturas dispararem.
Críticos apontam que, depois desse auge, o jornal perdeu o rumo e deixou várias oportunidades escaparem. Entre as falhas listadas estão: permitir que o site Politico (fundado por ex-posteanos) se consolidasse de forma independente, em vez de tê-lo incorporado; não criar um produto tipo Politico Pro para vender conteúdo especializado a assinantes corporativos; não investir em um negócio de eventos como fizeram concorrentes (Semafor, Punchbowl News etc.); e perder talentos-chave, como o jornalista Ezra Klein, que saiu para fundar a Vox Media.
Além disso, o Post não diversificou sua oferta de produtos para além do noticiário diário, diferentemente do The New York Times, que expandiu para verticais e comprou empresas que agregaram ao portifólio, como o veículo de jornalismo esportivo The Atlethic e a empresa de jogos Wordle.
Outros erros remetem à falta de foco editorial e à incapacidade de capitalizar áreas em que o Post era forte. A colunista Katherine Boyle argumenta que Bezos "fez o oposto do que a redação imaginou": em vez de gerir com parcimônia, despejou dinheiro em todas as seções, deu ao Post um prédio novo e reluzente, financiou experimentalismos em vídeo e podcast, expandiu cobertura internacional e subsidiou até áreas pouco lidas.

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