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Da recompensa dobrada à captura de Maduro: entenda a escalada de tensões entre EUA e Venezuela

▶️ Contexto: As tensões entre Venezuela e EUA começaram em agosto, quando o governo norte-americano dobrou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. Pouco tempo depois, a presença militar no Caribe foi reforçada.

  • O presidente venezuelano é acusado pelo governo americano de liderar o chamado Cartel de los Soles.
  • O grupo foi classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional ligada ao tráfico de drogas.
  • Com essa classificação, autoridades americanas passaram a afirmar que integrantes do regime venezuelano poderiam ser considerados alvos legítimos em operações militares contra cartéis de drogas.

💥 Ataques: Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas.

  • As explosões começaram por volta das 2h, pelo horário local (3h, em Brasília).
  • Trump confirmou o ataque e disse que Maduro foi capturado e levado com a esposa para fora do país.
  • Segundo o governo da Venezuela, ataques atingiram Caracas e também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
  • O governo venezuelano declarou emergência e acusou os EUA de bombardearem alvos civis e militares.
  • Até a última atualização, não havia informações oficiais sobre feridos.

Nos últimos meses, Trump já havia dito que os EUA poderiam realizar ataques terrestres contra a Venezuela, como parte da campanha contra cartéis na região.

Por outro lado, ao longo desse período, o governo venezuelano vinha classificando as ações de Trump como imperialistas e afirmando que os EUA tentam tomar o controle do petróleo do país e derrubar o governo de Nicolás Maduro.

Veja abaixo os principais marcos da escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela nos últimos quatro meses.

Trump e Maduro — Foto: AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez

Os Estados Unidos dobraram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro. Pouco depois, navios de guerra e um submarino nuclear foram enviados ao Mar do Caribe, marcando o início do reforço militar na região.

No dia 19 de agosto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump usaria “toda a força” contra o regime venezuelano.

“Maduro não é um presidente legítimo. Ele é um fugitivo e chefe de um cartel narcoterrorista acusado nos EUA de tráfico de drogas. Trump está preparado para usar toda a força americana para deter o tráfico de drogas”, disse.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante coletiva de imprensa em 1º de setembro de 2025 — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

No dia 2, os Estados Unidos realizaram o primeiro ataque contra um barco supostamente carregado com drogas no Mar do Caribe. A partir desse episódio, ações em mar aberto se tornaram frequentes e passaram a ocorrer também no Oceano Pacífico.

No fim do mês, o governo da Venezuela decretou estado de exceção, concedendo poderes especiais ao presidente Nicolás Maduro em caso de “agressão” por parte dos Estados Unidos.

Donald Trump em pronunciamento na Casa Branca, em 15 de outubro de 2025 — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Trump anunciou ter autorizado operações da CIA na Venezuela relacionadas à campanha contra o narcotráfico e admitiu a possibilidade de ataques terrestres. Semanas depois, afirmou que havia alvos localizados em território venezuelano.

No mesmo período, a imprensa americana passou a reportar que o objetivo final da operação dos EUA no Caribe seria derrubar o governo Maduro, com base em relatos de autoridades americanas que falaram sob condição de anonimato.

No dia 15 de outubro, três bombardeiros B-52 fizeram um voo em uma região muito próxima da Venezuela. As aeronaves sobrevoaram a chamada “FIR” — sigla em inglês para Região de Informação de Voo.

Porta-aviões USS Gerald Ford, navio principal do grupo de ataque USS Gerald Ford da Marinha dos Estados Unidos. — Foto: Alyssa Joy/Marinha dos Estados Unidos

No início do mês, o USS Gerald Ford, considerado o maior porta-aviões do mundo, chegou ao Mar do Caribe. A embarcação tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre caças e helicópteros.

EUA interceptam 2º petroleiro e aumentam pressão sobre Maduro — Foto: Reprodução

Nesta segunda-feira, no mesmo dia em que Trump confirmou o ataque em solo venezuelano, o Departamento de Guerra anunciou o 30º bombardeio contra barcos suspeitos de transportar drogas.

Ao todo, até agora, a operação norte-americana atingiu mais de 30 embarcações e deixou 115 mortos, segundo dados divulgados pelo governo dos EUA.

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