Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) já fazem uma disputa com cara de segundo turno antes mesmo do início oficial da campanha. O impacto do caso "Dark Horse", o avanço das investigações do Banco Master sobre o campo petista e o giro da máquina do governo preparam as duas campanhas para um embate direto.
O petista retomou a condição de favorito assim que foram reveladas as conversas em que Flávio pedia milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, em maio. Lula explorou o momento para reforçar a propaganda de bandeiras que pretende levar à campanha, como a defesa do fim da escala 6x1, e abrir os cofres do governo para tentar ganhar pontos de popularidade.
Após um início de ano em que os ventos pareciam soprar a favor do adversário, o resultado para o presidente foi reconfortante, mas ainda modesto. A avaliação do governo melhora a passos lentos, e Lula ainda vê Flávio em seu encalço nas simulações de segundo turno.
Agora, a investigação sobre as conexões do Banco Master com o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), surge como variável capaz de diluir os efeitos agudos do escândalo que atingiu a direita. Ainda que de maneira difusa, o episódio pode oferecer anticorpos a eleitores que buscam justificativa para continuar ao lado de Flávio.
O caso "Dark Horse" provocou um prejuízo limitado à candidatura do senador, como mostram os números da nova pesquisa feita pelo Datafolha. O filho de Jair Bolsonaro parece ter conseguido estancar sua queda num patamar que o mantém como o nome mais competitivo da direita, sem enfrentar uma ameaça real de outros pretendentes.
Mesmo assim, a pesquisa mostra que o episódio, que desnorteou a pré-campanha de Flávio por algumas semanas, não foi um mero soluço. O senador ainda aparece dez pontos atrás de Lula no primeiro turno e perdeu o empate técnico que animava seu comitê nas simulações de segundo turno.
Embora tenha preservado a lealdade do eleitor bolsonarista e de uma boa parcela do eleitor de direita menos vinculado a esses grupos fiéis, há uma faixa restrita que demonstra estar com um pé atrás em relação a Flávio e pode fazer muita falta numa eleição presidencial que, mais uma vez, promete ser apertada.
Flávio ainda atravessa uma espécie de crise de confiança em setores estratégicos do eleitorado. Esse quadro aparece de maneira nítida no primeiro turno, onde o Datafolha captou um distanciamento de grupos importantes quando estourou o caso "Dark Horse".
O senador até recuperou alguns pontos nas últimas semanas, mas seu desempenho continua muito abaixo do capital acumulado pelo patriarca da família em segmentos como evangélicos e brasileiros mais escolarizados.
No primeiro turno, Flávio aparece quatro pontos atrás de Lula na região Sudeste e tem uma vantagem modesta de apenas sete pontos no Sul. Entre eleitores com ensino superior, o petista tem seis pontos a mais que o pré-candidato do PL.
Mesmo entre os homens, que deram boas vantagens a Jair Bolsonaro no passado, Flávio arranca apenas um empate com Lula no primeiro turno (37% a 37%).
As esperanças de Flávio já estão depositadas no segundo turno —e os números da pesquisa dão alguma razão ao senador.
Frente a frente com Lula, o filho de Jair Bolsonaro recebe uma migração em massa de eleitores interessados em derrotar o petista. Flávio ganha 12 pontos e recupera terreno com mais força justamente em setores como homens, eleitores com mais anos de estudo e no Sul.
O cenário de hoje ainda deixa uma brecha razoável para o que seria um movimento de antecipação desse fluxo ainda no primeiro turno. Caso os eleitores identifiquem um inevitável confronto direto entre Flávio e Lula, dois candidatos que despertam paixões de forma intensa, eles podem adiantar suas escolhas já na fase inicial da votação.

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2 horas atrás
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