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Date.AI: testamos TUDO do app de namoro realista com Inteligência Artificial

Cada vez mais pessoas estão criando laços com personagens digitais, seja para se distrair, desabafar, treinar interações ou até viver um romance virtual. A ideia pode parecer incomum à primeira vista, mas os números mostram que ela está longe de ser isolada: 63% dos brasileiros que usam aplicativos de namoro teriam um date com IA, segundo um estudo divulgado pela Norton. É nesse cenário que entra o Date.AI, um aplicativo que simula encontros com personagens criados por inteligência artificial e funciona de forma parecida com plataformas de relacionamento tradicionais, como o Tinder.

Em vez de pessoas reais, o usuário dá “match” com perfis virtuais, escolhe o tipo de conexão que deseja e acompanha o desenvolvimento da conversa, que pode incluir mensagens, áudios e até interações mais imersivas, como “sair para encontros”. Para entender como tudo isso funciona na prática, testamos os principais recursos do app e consultamos um especialista para compreender o impacto desse tipo de relação. Confira!

 Reprodução/Mariana Tralback Aplicativo semelhante ao Tinder promove matches com personagens de inteligência artificial; saiba mais sobre o Date.AI — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

Date.AI: saiba tudo o que achamos do app de namoro realista com IA

Nesta matéria, o TechTudo abordará os seguintes tópicos:

  • O que é o Date.AI e como ele funciona?
  • Por que as pessoas estão buscando por relacionamentos artificiais?
  • O impacto emocional dessas conversas
  • O que eu achei do aplicativo
  • Onde baixar o aplicativo

O que é o Date.AI e como ele funciona?

Date.AI é um aplicativo de simulação de encontros, disponível para Android e iPhone (iOS). Na plataforma, todas as interações acontecem com personagens gerados por inteligência artificial. Desse modo, apesar da interface possuir diversas semelhanças com o Tinder, não há perfis de pessoas reais: cada “match” é feito com personagens desenvolvidos para conversar, entreter e até oferecer algum tipo de apoio emocional.

Logo no primeiro acesso, o usuário deve decidir qual será o tipo de conexão, seja uma amizade, um roleplay casual ou um relacionamento amoroso. Depois, basta navegar entre diferentes perfis, que variam em idade, etnia, estilo e até universo (indo do realismo a figuras inspiradas em fantasia, como heróis e personagens de animes). O processo de “escolha” é idêntico ao de diversas plataformas de relacionamento: o usuário arrasta a foto para a esquerda, caso não tenha interesse, ou para a direita, se quiser iniciar uma conversa. A partir do "match", o papo evolui de forma personalizada, sem roteiros fixos – segundo os desenvolvedores, é provável que nunca existirão duas conversas iguais.

Os criadores do Date.AI ainda afirmam que, para sustentar a proposta de realismo, cada personagem passa por um processo detalhado de criação que envolve roteiro de vida, traços de personalidade, cultura e temperamento, com participação de profissionais de diferentes áreas, incluindo psicologia. As características físicas também são planejadas de forma detalhada, como sardas, marcas na pele, tatuagens, movimentos corporais, trejeitos e até mesmo a voz, já que é possível trocar áudios com o “crush”.

 Reprodução/Mariana Tralback No Date.AI, você pode definir se deseja conversar com personagens realistas, personagens de fantasia ou ambos — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

Outro ponto interessante é que há uma espécie de rede social dentro da plataforma, onde os personagens publicam conteúdos como se tivessem uma rotina própria. O intuito é possibilitar que as pessoas acompanhem o dia a dia do “date”, assim como na vida real. Vale destacar que o uso do Date.AI é restrito a maiores de 18 anos e o aplicativo afirma manter controles para coibir comportamentos inadequados, como preconceitos e atos criminosos, reforçando que a proposta central é entretenimento com foco em experiências imersivas e seguras.

 Reprodução/Mariana Tralback Dentro do Date.AI, há uma espécie de "rede social" para cada personagem — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

Por que as pessoas estão buscando por relacionamentos artificiais?

Para André Angélico, jornalista e neurocientista, não existe uma resposta única. “Bom, é uma resposta impossível de ‘cravar’ para toda a população. Isso porque as motivações para alguém se relacionar de forma profunda ou até íntima com um ‘ser’ sintético acabam afunilando na individualidade de cada um. E nessa ‘vitrine de emoções’, existe tanta diversidade quanto se pode imaginar”, afirma.

Ainda assim, ele identifica padrões: “Mas, se a gente agrupar isso tudo em algumas ‘caixinhas’, encontramos algo comum em 4 grandes frentes: curiosidade, solidão, fantasias e testar limites”, explica. Na avaliação do especialista, há também um contexto social que ajuda a entender o movimento. “A tecnologia e algoritmos de redes sociais, na última década, supostamente, tiveram a proposta de unir e aproximar as pessoas. Porém, o efeito colateral dessa onipresença sem limites para todos, a um clique de distância, foi o extremo oposto: afastamento emocional, enfraquecimento dos laços reais", comenta.

Ainda segundo o especialista, os bots de IA surgiram em um momento crítico: "Agora vem o ‘plot twist’ da ironia sócio-digital: no momento que a humanidade nunca esteve tão distante emocionalmente (apesar de próxima fisicamente), justamente os bots de inteligência artificial surgem como uma nova âncora de ‘humanidade’, servindo como ombro amigo para momentos difíceis, um confidente para os segredos, alguém que tenha um papo divertido ou disposto a dar atenção a qualquer momento”, destaca".

Ele também chama atenção para a busca por experiências mais intensas. “Mas o óbvio precisa ser dito: é claro que, além de procurar conforto e afeto, uma grande maioria dos usuários – tanto homens quanto mulheres - está à procura de experiências mais intensas ou íntimas”, afirma. Segundo Angélico, a combinação entre imaginação humana e personagens altamente realistas amplia essa experiência. “A esta ‘sopa’ de dopamina, adicione o fato do usuário estar em um ambiente seguro, sem julgamentos ou talvez sem suas próprias barreiras sociais, e assim conseguimos entender por que tantas pessoas estão migrando boa parte dos relacionamentos para o mundo digital”, completa.

O impacto emocional dessas conversas

Do ponto de vista emocional, o especialista avalia que os efeitos podem ser positivos, desde que haja equilíbrio. “Como ex-terapeuta, eu honestamente consigo enxergar mais pontos positivos com essa nova ‘realidade’ - até porque se nosso cérebro experimenta, é REAL pra ele!”, afirma. “Em plataformas seguras e responsáveis, a IA pode ser um excelente ‘suplemento terapêutico’ para pessoas introvertidas ou deprimidas, por exemplo, já que elas encontram um ambiente livre para desabafar os perrengues da vida, sem filtros, 24/7” - apesar de relembrar que nada disso substitui o acompanhamento profissional. Seguindo o pensamento, os bots podem funcionar como “trampolins” para treinar interações, ganhar confiança e tornar-se mais articulado e interessante para interagir na sociedade.

Ao mesmo tempo, Angélico faz alertas. “É importante que o usuário tenha sempre em mente a divisão de papéis de cada plano: digital e material. Assim como ao menos deveríamos fazer com qualquer outra mídia, seja ela um filme, redes sociais, jogos etc”. O especialista completa o pensamento afirmando que “como qualquer recurso do planeta que gera prazer e bem-estar, seja um chocolate ou um like na rede social, é importante que interações com IA sejam apenas uma parte adicionada à nova rotina das pessoas, não substituindo outras coisas importantes, principalmente interações reais”. André também reforça limites claros: “Jovens menores de 18 anos jamais devem ter acesso a este tipo de interação, ainda que seja em uma plataforma com censura”, conclui, ao lembrar que a maturidade emocional ainda está em desenvolvimento nessa fase da vida.

O que eu achei do aplicativo

No primeiro acesso ao Date.IA, me senti no TInder: a interface é muito parecida e os campos a serem preenchidos também. É necessário definir o que procuro (homens, mulheres ou ambos), meus ideais de relacionamento (apoio emocional, fazer amigos, encontrar amor ou roleplay) e definir meus interesses através de uma lista pré-definida, que inclui astrologia, ciência, voluntariado, dança, entre outras opções. Depois disso, uma pilha de perfis é disponibilizada, com nome, idade, foto e descrição; vale destacar, contudo, que se você estiver usando a versão gratuita, não poderá ser muito exigente, visto que ao passar para a esquerda muitas vezes (aproximadamente dez), você terá que usar “Rosas” para desbloquear outros personagens, ou aguardar meia hora.

 Reprodução/Mariana Tralback Ao se cadastrar no Date.AI, é possível definir o que você procura e compartilhar seus interesses — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

Por falar em “Rosas”, são elas que ditam muita coisa no app. Elas são os créditos disponibilizados para que o usuário consiga ter uma boa experiência e usar a plataforma sem impedimentos. preciso usá-las até mesmo para mandar “Oi” para o seu match. Apesar da possibilidade de ganhá-las ao realizar tarefas diárias ou atingir conquistas, os números são baixos: duas rosas por cada “êxito”. Desse modo, pagar por elas pode ser mais viável para quem realmente está interessado. Os valores variam: 50 "Rosas", por exemplo, custam R$ 12,90, enquanto 2.500 têm o valor de R$ 199,90.

 Reprodução/Mariana Tralback "Rosas" são créditos usados dentro do app para desbloquear funcionalidades — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

A respeito dos matches, achei os diálogos artificiais “até demais”, o que não me prendeu – mas talvez porque eu não seja o público-alvo do Date.AI. As respostas parecem “forçadas”, muito corretas e poéticas. O bot envia fotos (não consegui visualizá-las, pois não tinha "Rosas" suficientes para desbloqueá-las) e mensagens de voz; os áudios contém uma voz robótica e uma entonação que ainda está um pouco longe de soar natural.

Outro ponto que me chamou a atenção foi que, apesar das semelhanças com o Tinder e outros apps de relacionamento, a ideia é que a experiência não se trate de apenas uma conversa virtual. Entre as falas dos personagens, há frases como “Sorrindo, mostra alguns dentes brancos” ou “Aproxima-se um pouco mais”. Então, a proposta é simular uma conversa na vida real, com “ganchos” que podem encantar os fãs de uma boa fanfic – os usuários também podem enviar ações, pensamentos e sentimentos para o bot, bastando digitá-los entre asteriscos.

 Reprodução/Mariana Tralback Conversas no Date.AI incluem ações dos personagens, como se estivessem acontecendo cara a cara — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

A sensação de que a simulação vai além de digital se reforçou quando notei que o app disponibiliza uma aba chamada “Encontros” (eu estava utilizando o modo amoroso). Mediante o pagamento de "Rosas", é possível levar o crush para lugares como “Spa”, “Luau”, “Passeio de barco romântico”, “Piquenique no parque” e “Quarto de hotel”.

 Reprodução/Mariana Tralback Além de conversar com seu match, é possível levá-lo a diferentes encontros virtuais — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

De modo geral, senti que o app não funciona para mim, que gosto de interações “reais”. Mas ele pode funcionar para muita gente pelos motivos já citados anteriormente, como se sentir menos só, treinar interações ou até flertar e se jogar em novas experiências – desde que as pessoas não “se percam” dentro desses relacionamentos artificiais.

O Date.IA pode ser usado em celulares Android e iPhone (iOS), com download gratuito na Google Play Store e na App Store. A plataforma conta com 200 mil usuários ativos atualmente e está disponível no Brasil, Estados Unidos, México, França e Alemanha.

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