A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve pedir o arquivamento da investigação da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes em descontos do INSS e chegou a levantar suspeitas sobre o filho do presidente Lula (PT).
Procurado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e responsável pela defesa de Lulinha no caso ao lado de Guilherme Suguimori, afirmou à coluna que o depoimento da empresária Roberta Luchsinger à Polícia Federal feito nesta quarta (20) reforçou a tese de que o filho do presidente não teve participação nas irregularidades investigadas.
Roberta afirmou que apresentou Lulinha ao lobista antes da deflagração da Operação Sem Desconto, mas negou que ele tenha recebido recursos ou atuado nos negócios ligados ao mercado de canabidiol.
"[O depoimento] não foi uma surpresa, ele apenas reafirmou que Fábio Luís nunca recebeu um único recurso sequer derivado da prestação de serviços que Roberta celebrou com o então empresário Antônio Carlos Camilo Antunes [o Careca do INSS]", diz. "[Lulinha] não é, nunca foi, nem poderia ser alvo direto dessas investigações", disse o advogado à coluna.
Segundo ele, a defesa avalia pedir o arquivamento por "absoluta ausência de provas".
A investigação apura suspeitas de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024. A PF chegou a levantar a hipótese de que Lulinha pudesse ser sócio oculto do Careca do INSS, o que é negado pela defesa.
Marco Aurélio disse que o filho do presidente colaborou com as investigações desde o início e colocou seus sigilos à disposição da Justiça antes mesmo da quebra autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).
O advogado também comparou o caso envolvendo Lulinha às investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que as diferenças entre as posturas do presidente Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação aos filhos são "oceânicas".
Segundo ele, enquanto Lula teria orientado o filho a colaborar com as autoridades, Bolsonaro tentou "blindar" Flávio durante investigações que ocorreram em seu governo.
Carvalho afirmou ainda que, na avaliação dele, o caso deixou de representar um problema político para Lula e passou a funcionar como um "trunfo" para a campanha do petista em 2026, justamente por "permitir comparações entre as duas famílias".
Ele também ironizou a atuação da oposição na CPMI do INSS e disse que a insistência pela quebra de sigilo de Lulinha acabou ajudando a defesa ao expor, segundo ele, a inexistência de irregularidades.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS

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