A Polícia Civil de São Paulo apontou falhas de moderação em plataformas de comunicação digital, como o Discord, que estariam permitindo a prática de crimes contra crianças e adolescentes na internet. Um relatório técnico elaborado pelo Núcleo de Observação Digital (NOAD) foi entregue nesta terça-feira (10) ao Ministério Público.
O relatório é resultado do monitoramento contínuo realizado pelo NOAD, criado no fim de 2024 para suprir lacunas de fiscalização que, de acordo com a corporação, deveriam ser responsabilidade dos próprios gestores das plataformas.
O material foi recebido pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
Durante o monitoramento foram observadas falhas recorrentes nas plataformas de jogos online, com destaque para a manutenção de servidores ativos mesmo diante da prática de crimes em tempo real. O documento também aponta obstáculos para interromper rapidamente condutas ilegais e para identificar os responsáveis pelas ações criminosas.
A partir da análise do material, o Ministério Público poderá avaliar a adoção de medidas para reforçar a moderação em uma das principais plataformas monitoradas.
O NOAD mantém monitoramento 24 horas por dia de ambientes digitais voltados ao público jovem. Atualmente, o núcleo acompanha mais de 1,2 mil alvos. Desde o início das atividades, o trabalho já contribuiu para o resgate de 359 crianças e adolescentes em situações de risco iminente, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Dados divulgados pelo Ministério Público apontam 358 resgates.
“O trabalho do NOAD demonstra que o combate aos crimes digitais exige atuação técnica, permanente e integrada. Estamos falando da proteção direta de crianças e adolescentes em ambientes virtuais que precisam ser mais seguros e responsáveis. Ao encaminhar esse relatório ao MP, reforçamos a necessidade de que as plataformas também cumpram seu papel na moderação de conteúdos e na prevenção de crimes, enquanto o Estado segue atuando com inteligência para identificar criminosos, resgatar vítimas e impedir a expansão da violência online”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
O núcleo é apontado pela Polícia Civil como uma iniciativa pioneira no país no combate à violência digital, com foco na prevenção de crimes como estupros virtuais e comercialização de pornografia infantil.
As informações coletadas são consolidadas em relatórios de inteligência que subsidiam inquéritos policiais e podem embasar pedidos judiciais, como mandados de busca, prisões ou internações. Além da investigação, o núcleo também atua de forma preventiva, acionando outras unidades diante da iminência de crimes, com prioridade no resgate das vítimas e na responsabilização dos envolvidos.

Profissão Repórter flagra automutilação de menina durante transmissão ao vivo no Discord

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