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Disputa entre juros e estímulos faz inflação fechar no teto da meta em 2025

De outro lado, a injeção de recursos públicos, via programas sociais de transferência de renda, ao lado de isenções e abatimentos de tributos, em combinação com linhas de crédito direcionadas, impulsionou o mercado de trabalho e os rendimentos do trabalho, mantendo o consumo ativo e pressionando os preços dos serviços.

Núcleos pressionados

É possível observar, nos números da inflação em dezembro — a alta de preços no mês foi de 0,33%, dentro das expectativas, em linha com as pressões normais do período de festas e fim de ano —, que pressões inflacionárias persistem, principal e exatamente no setor de serviços.

Essas pressões ficam evidentes na evolução dos núcleos de inflação — medidas mais estruturais das altas de preços, que descartam eventos sazonais ou inesperados.

A média dos núcleos encerrou 2025 com alta de 4,61%, embora a média móvel trimestral mostra elevação menor, de 3,7%, indicando uma tendência de descompressão.

Na métrica suavizada das médias móveis trimestrais, os núcleos dos serviços subjacentes — uma espécie de núcleo dos núcleos dos serviços — subiu de 4% em novembro para 5% em dezembro.

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Mais evidente das pressões nos serviços, a média móvel trimestral dos serviços intensivos em trabalho subiu de 6,7% em novembro para 8,1% em dezembro.

Alimentos, herói do ano

Tudo considerado, o grande herói da inflação dentro do intervalo de tolerância foram os alimentos no domicílio. A combinação de boas safras e dos efeitos cambiais positivos fez com que os preços dos alimentos no domicílio só aumentassem 1,4% em 2025, puxando o IPCA para baixo, com seu forte peso na composição índice. Em 2024, a alta de preços do grupo tinha sido de 8,2%.

O quadro geral reforça a aposta dos analistas de mercado no início de um novo — e talvez curto — ciclo de cortes de juros para março. Nas previsões medianas do Boletim Focus, a taxa básica recuará de 15% para 12,5% ao longo de 2026, numa redução de 2,5 pontos percentuais.

Para 2026, as projeções mais recentes para alta da inflação, depois de conhecidos nos números de dezembro, variam de 3,8% a 4,4%.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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