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Disputa pelo Senado: a armadilha da dispersão

Na última semana, a disputa pelo Senado passou a ocupar mais espaço no debate político. Seja pela pressão de alguns partidos em busca de espaço nas chapas num ano em que estarão em disputa duas cadeiras por estado, seja ainda pela indefinição sobre quem serão os candidatos em alguns estados. A isso se soma o uso abertamente eleitoreiro que o senador Alessandro Vieira fez do relatório da CPI do Crime Organizado.

Ainda são poucas as pesquisas sobre as chances dos pré-candidatos ao Senado. Mas os sinais de indefinição se multiplicam. Os ex-governadores do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, que se desincompatibilizaram de seus cargos com o objetivo de disputar uma vaga ao Senado, parecem ter desistido. Um pela insegurança jurídica, o outro para evitar ter sua imagem ainda mais vinculada ao escândalo do Banco Master.

Em São Paulo, por enquanto, apenas duas candidaturas são dadas como certas: as dos deputados federais Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo).

Salles deve sair em candidatura independente, sem o apoio do governador Tarcísio de Freitas. A direita ainda pode lançar um segundo nome vinculado à coligação de apoio do governador, mas aguarda que Jair e Eduardo Bolsonaro unjam um candidato.

A esquerda, capitaneada pela candidatura ao governo estadual de Fernando Haddad, precisa decidir se sairá unida ou fragmentada. A federação Rede-PSOL anunciou a deputada federal e ex-ministra Marina Silva como pré-candidata, enquanto o PSB trabalha com as pré-candidaturas dos ex-ministros Simone Tebet e Márcio França.

A disputa para o Senado em 2026 pode se tornar uma armadilha para os grupos que não se coordenarem, e essa armadilha tende a ser mais perigosa para a oposição, que na maioria dos estados parte em desvantagem na corrida pelo governo.

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São escassos os estudos da ciência política dedicados à competição pelo Senado. Diante dessa lacuna, convidei Miguel Lian e Cedric Antunes, meus colegas do FGV CEPESP, para analisarmos os padrões de resultados dessa disputa entre 1998 e 2022. Os resultados mostram que candidatos lançados pela coligação do governador vencedor têm uma vantagem expressiva: sua probabilidade de eleição é cerca de 53 pontos percentuais maior do que a de candidatos que concorrem fora desse campo. Nos anos em que há duas vagas em disputa, a coligação do governador elege ao menos um senador em metade dos casos e conquista as duas cadeiras em 29% das eleições.

À luz desses resultados, em estados como São Paulo, onde o governador que disputa a reeleição larga em posição muito favorável, a eleição para o Senado pode funcionar como uma disputa por apenas uma vaga efetivamente aberta. Uma das cadeiras tende a gravitar em torno da coligação do governador. A outra dependerá tanto das estratégias de campanha quanto da capacidade de coordenação interna entre os grupos políticos.

A lógica da disputa para o Senado não premia a diversidade de candidaturas. Premia a concentração de votos. O desafio é não permitir que os votos dos eleitores se diluam entre muitos nomes de um mesmo grupo político.

A escolha deve ser entre coordenar-se, reduzir o número de candidaturas e somar forças, ou dividir os votos e entregar a cadeira aos seus adversários.

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