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E-mails de Epstein: Trump é atingido por escândalo que ele próprio trouxe à tona

O caso Epstein é como um calo num sapato apertado que aflige Trump. Candidato à Presidência, ele prometeu total transparência em relação ao financista, assim como a divulgação de todos os documentos relacionados aos seus crimes, acatando as demandas do seu movimento Maga.

Trump contava, com isso, atingir seus adversários. Volta e meia, ele levantava suspeitas sobre os laços estreitos de Bill Clinton com Epstein, acusando-o de frequentar a mansão e o avião do ex-financista.

Trump insistia em negar todas as alegações que o associavam aos crimes de Epstein, acusado de administrar uma rede sexual com jovens menores de idade. Ele morreu na prisão, em 2019, enquanto aguardava julgamento, e sua morte foi considerada suicídio.

De volta à Casa Branca, o presidente tentou se afastar do tema, ressaltando o desprezo pelo ex-amigo. Em julho, o Departamento de Justiça e o FBI determinaram que não havia provas sobre uma lista de clientes poderosos do ex-financista tese levantada anteriormente pela procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, que acusara o governo democrata de encobrir evidências sobre o caso.

O órgão liderado por Bondi confirmou ainda que Epstein havia cometido suicídio enquanto estava sob custódia. Esta reviravolta deu por encerrada a fase 1 dos arquivos confidenciais do financista pedófilo e desagradou à base de Trump, fomentando novas teorias de conspiração.

Donald Trump aparece em uma festa ao lado de Jeffrey Epstein. — Foto: Reprodução/Netflix

Paralelamente a isso, a Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein que cumpre pena de 20 anos, foi transferida para uma prisão de segurança mínima, após uma conversa de nove horas com o vice-procurador Todd Blanche. Os democratas denunciaram o tratamento preferencial como resultado de um acordo privado para proteger o presidente em troca de seu indulto.

Nos três e-mails de Epstein, divulgados nesta quarta-feira, ele menciona diretamente Trump e o implica em seu esquema de tráfico e abuso sexual de menores. Um deles, de 2011, endereçado à ex-namorada e sócia Ghislaine Maxwell, ele conta que Trump passou horas em sua casa com uma das vítimas.

“Quero que vocês percebam que o cachorro que ainda não latiu é o Trump.” Em outra mensagem, de 2019, trocada com o escritor Michael Wolff, Epstein deixa claro que Trump “sabia das meninas”, indicando que o presidente estava mais ciente das atividades ilícitas de Epstein do que admitia.

O presidente parecia acusar o golpe de que os e-mails de Jeffrey ajudam a ampliar as fissuras no movimento MAGA. Ele vem enfrentando pressões que conjugam desaprovação e queda de popularidade, derrotas recentes em disputas locais e insatisfações na base republicana sobre a condução de seu governo sobre os assuntos domésticos.

No Congresso, o momento é crítico para o presidente. As deputadas Lauren Boebert, Marjorie Taylor Greene e Nancy Mace aderiram a uma iniciativa bipartidária para forçar uma votação no plenário sobre a divulgação dos arquivos completos de Epstein. A posse da congressista democrata Adelita Grijalva, nesta quarta-feira, foi imediatamente seguida pela assinatura da petição, compondo as 218 necessárias para desobstruir a votação.

As pressões de campos opostos sobre o presidente indicam que suas tentativas de contenção foram ineficazes. Quanto mais, ele tenta se afastar do fantasma de Epstein, mais ele o assombra.

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