O processo, por vezes custoso, de descobrir quem será seu amigo numa nova escola, com quem é bom fazer trabalho em grupo e de quem é melhor manter distância. A equipe da Folhinha partiu dessa experiência, comum a quase toda criança, para apresentar aos seus leitores o que é e qual a importância da diplomacia.
O material, que explica de forma simples e didática para crianças os principais conflitos do mundo na atualidade, é o vencedor do Grande Prêmio Folha de Jornalismo de 2025, que chega à sua 33ª edição.
Publicada em agosto de 2025, poucas semanas depois do tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil, a edição "Fogo no parquinho" do suplemento infantil do jornal comparava a conduta de Donald Trump ao longo deste mandato com a daquele colega que pega a bola do recreio e diz "todo mundo vai jogar do meu jeito ou não vai ter jogo".
Já os Brics, que reúnem Brasil e China, eram apresentados como "um novo grupinho nessa grande sala de aula que é o mundo" e que deixou os Estados Unidos enciumado. E a União Europeia é resumida como um conjunto de 27 alunos que brigaram muito no passado, mas, passadas duas guerras mundiais, "entenderam que seriam muito mais fortes se formassem uma única panelinha".
A comissão julgadora foi formada por Alexandra Moraes, ombudsman da Folha, Lívia Marra, secretária-assistente de Redação, Luciana Pandolfi, diretora de RH do Grupo Folha, além de Priscilla Bacalhau e Juliano Spyer, colunistas do jornal. Para o grupo avaliador, o trabalho evidencia –com criatividade– a importância de o jornal encontrar "caminhos para priorizar a plena compreensão sem abrir mão da profundidade". No total, 547 trabalhos foram inscritos na premiação.
Criado em 1993, o objetivo do prêmio é incentivar as equipes e estimular a busca da excelência no jornalismo profissional. Foram premiados também trabalhos em outras seis categorias: Reportagem Exclusiva, Cobertura Quente, Didatismo, Audiovisual, Serviço e Iniciativa Editorial.
Autor do texto vencedor, o jornalista Gabriel Justo diz que um dos objetivos do suplemento é gerar conversas entre crianças e adultos. "Pegar um assunto que é duro e trazer para o universo infantil."
O processo de criação da Folhinha passa também pelo chargista e ilustrador João Montanaro e por Silvia Rodrigues, responsável pela diagramação das páginas. Na conversa entre eles, explica Justo, surgiu a ideia de retratar os países como alunos. Na primeira ilustração que acompanha a reportagem, eles estão todos comportados na sala de aula. Na imagem seguinte, a bagunça e conflito são gerais.
Se o objetivo do texto era explicar a importância da diplomacia, na sequência, a edição trouxe um trabalho para explicar ao leitorado da Folhinha o que acontece quando esse caminho não dá certo. O repórter Tiago Pechini assina o roteiro de uma história em quadrinhos sobre a bomba atômica e os 80 anos do bombardeio a Hiroshima.
Guilherme Genestreti, editor da Folhinha, diz que não existe tema proibido para o suplemento, desde que a linguagem seja adequada. "A criança vai ter acesso a esses assuntos de qualquer forma. Se ela liga a televisão, se está na internet, se ouve os pais conversando."
Cobertura de operação policial no Rio leva dois prêmios
O topo da capa da Folha do último 30 de outubro foi ocupado pela imagem de dezenas de corpos enfileirados e estendidos no chão. Na manchete, a informação de que a quantidade de mortos na operação policial no Rio de Janeiro, ocorrida há dois dias, chegava a 121 e, com isso, tornava-se mais letal que o massacre do Carandiru, em 1992, que teve 111 mortos.
O trabalho da equipe do jornal que apurou, relatou e repercutiu o que ocorreu no episódio, feito a muitas mãos, venceu o Prêmio Folha 2025, na categoria Cobertura quente. Além dos jornalistas Bruna Fantti, Nicola Pamplona, Yuri Eiras, Aléxia Sousa e Fabio Victor, outros 24 nomes, entre repórteres e editores, contribuíram.
Bruna Fantti, repórter do jornal no Rio, relembra que, no dia 28, foram quase 12 horas de tiroteios espaçados. Até aquela noite, o saldo total de mortos divulgado era de 64 pessoas. "Nós chegamos lá às 7h e só saímos às 20h, quando ainda havia tiros." No dia seguinte, após receber ligação de uma fonte no meio da madrugada, foi uma das primeiras jornalistas a chegar à praça no Complexo da Penha, onde estavam sendo reunidos os corpos retirados por moradores de uma área de mata.
Ela estava acompanhada do fotojornalista Eduardo Anizelli, que conta que, em um determinado momento, uma pessoa decidiu descobrir os corpos por algum tempo. Foi neste momento que ele resolveu subir um drone para tentar dar a dimensão da quantidade de mortos. A foto impactante, que acabou por estampar a primeira página do dia seguinte, foi a vencedora na categoria audiovisual.
"Foi a cobertura mais difícil que eu já fiz", conta Anizelli, que está há 18 anos no jornal. "Foi a primeira vez em que precisei parar por 10 minutos para respirar, esperar passar a crise de choro antes de editar as fotos que enviaria para a Redação."
Yuri Eiras conta que, ainda no dia da operação, começou a perceber melhor a dimensão do episódio a partir do alcance e do impacto das interdições promovidas pelo Comando Vermelho pela cidade, em reação à operação. "A ficha não caiu de imediato."
"É difícil se orgulhar de um tipo de cobertura assim, porque é uma cobertura pesada, de um tipo de notícia que a gente não quer dar", afirma.
Fabio Victor, repórter especial da Folha que mora em São Paulo, foi enviado às pressas ao Rio. "Além dos riscos inerentes a uma coberta desse tipo, houve o desafio adicional de filtrar fato de desinformação para trazer à tona o que realmente se passou naqueles dias", diz.
Editor de Cotidiano, Fábio Haddad destaca que um dos desafios numa cobertura como essa passa pela logística de definir quantas pessoas serão necessárias para a tarefa e, que, à medida que a proporção foi escalando, toda sua equipe já estava voltada para o episódio.
Texto sobre Faria Lima medindo 'risco PCC' ganha em Reportagem Exclusiva
No fim de agosto do ano passado era deflagrada a operação Carbono Oculto, mirando a presença do PCC no setor de combustíveis, assim como a complexa estrutura financeira que estaria sendo usada para movimentar e ocultar dinheiro ilícito. Dois meses antes, a repórter especial Alexa Salomão antecipava que dirigentes de bancos e empresas na região da avenida Faria Lima, em São Paulo, estavam preocupados com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). O texto foi premiado na categoria Reportagem Exclusiva.
Alexa conta que a pauta nasceu durante um almoço com gestores de fundos de investimento, quando, no meio da conversa, um perguntou ao outro como ele estava fazendo para precificar a ação de uma determinada empresa devido a provável elo com o PCC. "O texto antecipa essa percepção de que a economia brasileira formal está em risco", diz a repórter.
Ainda na área de economia, a ganhadora na categoria Iniciativa Editorial foi a repórter especial Idiana Tomazelli, com a série de reportagens "Desafio fiscal dos estados e municípios", que lança um olhar aprofundado sobre como esses entes estão conduzindo suas políticas de gastos. "A série joga uma luz importante para a gente debater a questão das emendas, que não é um problema só federal, mas também estadual’, diz Idiana.
Economia levou um terceiro prêmio na categoria Serviço, com a ferramenta interativa que permite ao leitor calcular como ficam seu Imposto de Renda e salário com as novas regras aprovadas pelo Congresso. Foram premiadas a editora-assistente de economia Luciana Lazarini, a repórter Cristiane Gercina, Irapuan Campos, responsável pelo design da calculadora, e Gustavo Goulart, que ficou à frente da programação da ferramenta. O trabalho contou ainda com a parceria da consultoria Contabilizei. "Havia várias calculadoras disponíveis na internet e decidimos fazer uma mais completa, incluindo o desconto do INSS", conta Luciana.
Ana Estela de Sousa Pinto, secretária de Redação da Folha e que até o ano passado era editora de economia, diz que cada uma das reportagens vencedoras mostra um dos focos da editoria, abrangendo as pautas que fazem diferença no dia a dia do leitor, como a calculadora, o olhar crítico sobre a gestão pública, refletido na série, e o acompanhamento do setor privado, que resultou na reportagem sobre a Faria Lima.
Games e política
Na categoria Didatismo, foram premiados os jornalistas Lucas Monteiro, Matheus Tupina e Vinícius Barboza, com uma reportagem de fôlego que mostra como youtubers que produzem conteúdo sobre games passaram a expor opiniões políticas, em sua maioria próximas a ideias conservadoras. No pano de fundo está a crescente disputa ideológica no ambiente digital. Vinícius conta que a apuração partiu da análise e conversas com youtubers que eles mesmos acompanhavam no começo dos anos 2010 e que naquela época não falavam de política.
"Foi muito interessante para ver o quanto essas pessoas foram se radicalizando", afirma Lucas. "É uma predominância de pessoas de direita que estão influenciando novas gerações que acompanha YouTube."
OS PREMIADOS
GRANDE PRÊMIO
Folhinha - Edição Fogo no Parquinho
Autores: Gabriel Justo, João Montanaro e Silvia Rodrigues
Coautor: Tiago Pechini
Data de publicação: 1.ago.25
REPORTAGEM EXCLUSIVA
Faria Lima começa a medir 'risco PCC' em investimentos
Autora: Alexa Salomão
Data de publicação: 28.jun.25
COBERTURA QUENTE
Cobertura da operação policial no Rio de Janeiro
Autores: Bruna Fantti, Nicola Pamplona, Yuri Eiras, Aléxia Sousa e Fabio Victor
Coautores: Francisco Lima Neto, Paulo Eduardo Dias, Tulio Kruse, Lucas Lacerda, Isabella Menon, Fábio Pescarini, Clayton Castelani, Bruno Lee, Bruno Benevides, Daniela Mercier, Aline Mazzo, Fábio Haddad, Leonardo Vieceli, Eduardo Anizelli, Raquel Lopes, André Fleury Moraes, Fernanda Mena, Cristina Camargo, Claudinei Queiroz, João Pedro Pitombo, Lola Ferreira, Jan Niklas, Juliana Coissi e Marcelo Toledo
Data de publicação: 29.out.25
DIDATISMO
Como youtubers gamers passaram a inflar a pauta conservadora
Autores: Lucas Monteiro, Matheus Tupina e Vinícius Barboza
Data de publicação: 29.out.25
AUDIOVISUAL
Tragédia brasileira
Autor: Eduardo Anizelli
Data de publicação: 30.out.25
SERVIÇO
Supercalculadora da Folha mostra como ficam Imposto de Renda e salário com novas regras; simule
Autores: Luciana Lazarini, Cristiane Gercina, Irapuan Campos e Gustavo Goulart
Coautor: Eduardo Cucolo
Data de publicação: 10.nov.25
INICIATIVA EDITORIAL
Série Desafio fiscal dos estados e municípios
Autora: Idiana Tomazelli
Coautora: Julianna Sofia
Data de publicação: 7.abr.25

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1 mês atrás
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