O Grok e a xAI também estão sendo investigados por um suposto abuso da IA. A Califórnia abriu uma investigação por possível geração de material de abuso infantil, enquanto países como Reino Unido, França, Canadá e Indonésia iniciaram medidas legais ou bloqueios contra a plataforma. Mesmo após a xAI implementar barreiras técnicas, a resposta foi vista como insuficiente e tardia.
Já em campo pessoal e político, documentos do Departamento de Justiça revelaram e-mails amistosos entre Musk e Jeffrey Epstein. Ele também se envolveu em disputas públicas com Donald Trump e pode ser convocado a depor.
Com todos esses fatos coordenados, a ação da X Corp contra as editoras de música nos Estados Unidos está parada. A empresa controladora do X (antigo Twitter) entrou com um processo antitruste contra a NMPA (National Music Publishers' Association), que representa as editoras musicais dos Estados Unidos, além de uma lista com grandes e médias editoras, incluindo Universal Music Publishing, Sony e Warner Chappell.
A empresa de Elon Musk alega que as editoras atuaram de forma coordenada para inflar preços de licenças musicais, usando notificações em massa via DMCA como tática anticompetitiva.
NMPA classificou a acusação como infundada e uma tentativa de desviar o foco das violações de direitos autorais praticadas na plataforma. O processo anterior, movido pelas editoras contra o X por US$ 250 milhões em 2023, segue em paralelo, com julgamento previsto para fevereiro de 2027.
O principal argumento do X é que quase 500 mil pedidos de remoção por violação de direitos autorais, a maioria de vídeos com música, teriam sido usados como ferramenta de coerção para forçar a empresa a assinar acordos com as editoras.
Essas notificações têm amparo legal na DMCA (Digital Millennium Copyright Act), lei norte-americana de 1998 que estabelece o procedimento pelo qual titulares de direitos podem solicitar a remoção de conteúdos que infrinjam copyrights.
Pelo modelo, o detentor do direito envia uma notificação, a plataforma remove o conteúdo e evita ser responsabilizada judicialmente, contanto que atue com diligência. Para a X, no entanto, o uso massivo e coordenado desses pedidos é uma manobra abusiva e anticompetitiva.
O que Musk finge ignorar é que tudo isso é gerado automaticamente por inteligência artificial e já é usado por todas as plataformas populares, além de diversas outras empresas, como a de equipamentos de ginástica Peloton.
Enquanto todas as grandes plataformas já fecharam acordos com as editoras, incluindo YouTube, TikTok, Instagram e até o Roblox, o X insiste em operar sem pagar os compositores e editores musicais por conteúdo que gera engajamento e receita publicitária para a empresa.
Essa disputa revela como a IA transforma a aplicação de direitos autorais, onde a tecnologia vira ponte de receita. Mostra como a tecnologia reequilibra a relação de poder entre plataformas, editoras, compositores e artistas.
Um direito que antes era difícil de fiscalizar em escala hoje pode ser aplicado quase automaticamente. E é justamente isso que a X tenta reverter, politicamente e juridicamente.
A acusação central do X é que tanto editoras grandes quanto independentes estariam se articulando, por meio da NMPA, para impedir negociações individuais e impor licenciamento coletivo obrigatório, eliminando a concorrência entre elas na hora de negociar com plataformas digitais.
Essa prática, segundo o X, infringe a lógica do livre mercado e obriga empresas a pagar valores desproporcionais para continuar funcionando. Do outro lado, a NMPA rebate, afirmando que o processo é "sem mérito" e uma tentativa de desviar o foco do uso não licenciado de música.
O contexto também importa. Essa ação da X não surge do nada. Em 2023, um grupo de editoras já havia processado a plataforma por uso não licenciado de cerca de 1.700 músicas, pedindo uma indenização de US$ 250 milhões.
O curioso é que o X Corp pede uma indenização triplicada, algo previsto pela legislação antitruste dos EUA, no exato valor que poderia ser cobrado da empresa pelas violações de copyright.
Um ponto explorado no processo da X é a mudança abrupta no volume de notificações a partir de dezembro de 2021. A partir desta data, segundo o X, a NMPA começou a enviar avisos semanais em massa, resultando em mais de 200 mil posts removidos no primeiro ano e quase meio milhão até o fim de 2025.
A empresa lê essa mudança como evidência de pressão orquestrada. Para as editoras, a NMPA apenas passou a cumprir seu papel de proteger os interesses dos compositores de maneira mais eficaz e em escala apoiada por IA.
Para o X, as editoras deveriam "competir entre si" por vagas limitadas nos contratos da plataforma, oferecendo preços e termos mais vantajosos. O X quer dizer que não precisa da maioria das músicas, mas reclama das editoras por pedirem a remoção do que já está postado, compartilhado e monetizado pelo X.
UMG e NVIDIA fazem "IA responsável" para música
Já a Universal Music Group escolheu outro caminho. A UMG e a NVIDIA apresentaram o Music Flamingo, um modelo avançado de IA pensado para compreender música em profundidade. A promessa é mudar descoberta, engajamento e criação.
A ideia é sair do básico, gênero e palavra-chave, e entrar em buscas mais semânticas, algo como "clima nostálgico", "narrativa emocional", "referência cultural", "crescendo no refrão". Outro ponto é permitir experiências mais interativas, com ferramentas que ajudem artistas a explicar suas músicas e fãs a entenderem detalhes de timbre, estrutura, instrumentação e emoção.
O Music Flamingo foi treinado com dados de cerca de 2 milhões de faixas e descrições densas, além de pares de perguntas e respostas sobre elementos musicais.
Isso abre espaço para a IA "ouvir" música com contexto longo e responder a perguntas do tipo: "Qual é a história dessa faixa?", "O que acontece no clímax?", "Por que isso soa anos 80?", "Onde muda a harmonia?".
Mas a questão do copyright da música está longe de ser equacionada. Em uma iniciativa recente, o artista independente norte-americano Justice entrou com um processo coletivo contra as startups de IA Suno e Udio, acusando-as de usar gravações e obras de "milhares de artistas" sem autorização para treinamento. Esse ponto também está em debate pelas editoras e empresas de mídia de todo o mundo.
Reportagem
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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