O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (8) que o presidente Lula (PT) parece "o chefe do PCC" diante da postura contrária à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar a facção paulista, além da fluminense Comando Vermelho, como organizações terroristas.
"[A classificação] é a maior oportunidade que nós temos de acabar com esse poder paralelo, que é o que eles são. Então não tem que ter tolerância, tem que ter unidade da nossa parte. Aí você olha para o presidente do Brasil, ele pensa o contrário. Parece que ele é o chefe do PCC. Muitas pessoas começam a pensar isso", disse Flávio.
As declarações ocorreram durante um almoço do pré-candidato à Presidência com o Grupo Voto, organização que reúne mulheres empresárias, no hotel Palácio Tangará, na zona sul de São Paulo.
Flávio deu maior ênfase, durante o discurso, a segurança pública e economia. Atribuiu a sensação de insegurança nas cidades à administração petista e defendeu mudanças no regime de cumprimento de sentenças para manter por mais tempo preso quem comete crime violento.
"Os governos do PT vieram numa linha de desencarceramento. A gente precisa de uma linha que combata a impunidade, porque foi essa a consequência dos governos do PT", disse o senador. "Todos nós [estamos] aqui sofrendo com a violência nas ruas, todo mundo anda com medo, anda preocupado. Imagina quem não tem condição de ter um carro blindado, de ter um segurança, ou de morar num condomínio, que é a grande maioria do povo brasileiro", afirmou.
Flávio criticou o controle territorial imposto por facções criminosas no país, citando as duas organizações, mas sem fazer referência a milícias que também dominam regiões periféricas de centros urbanos, especialmente no Rio de Janeiro, estado do senador.
O governo federal discorda da classificação das duas facções como terroristas, sob o argumento de que ela abriria brechas para ações militares dos EUA que ameaçariam a soberania brasileira. Lula, ao repercutir a decisão, chamou Flávio de "sem-vergonha de trair a pátria", criticando a viagem do senador a Washington para se reunir com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, dois dias antes do anúncio da medida americana.
Diante do público de empresárias, Flávio prometeu adiar em pelo menos um ano a vigência da reforma tributária, prevista para valer em 2027, e afirmou que privatizará os Correios, entre outras promessas. Mas se esquivou de indicar cotados para assumir o Ministério da Fazenda.
O senador não atendeu à imprensa ao término do encontro nem fez referência ao caso Master. Também se recusou a comentar a decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, que, também nesta segunda, mandou tirar do ar uma pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg que apontou queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador em um eventual segundo turno contra Lula.

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