O incidente ocorreu à 1h30 do horário local (21h30 do horário de Brasília) no Bar Le Constellation, onde ocorria uma comemoração de Ano Novo.
O que se sabe sobre explosão e incêndio em bar de estação de esqui na Suíça — Foto: Reprodução/Redes sociais via BBC
Parmelin chamou o episódio de um "drama de escala desconhecida", acrescentando que muitas vidas foram perdidas e cerca de 100 pessoas ficaram feridas — algumas em estado grave.
Mathias Reynard, chefe do governo regional do cantão de Valais, onde ocorreu a tragédia, acrescentou que as autoridades ainda aguardam mais informações, reconhecendo que a espera é "insuportável", mas ressaltando que a identificação dos feridos e das vítimas fatais vai "levar tempo".
Entre os mortos e feridos, acredita-se que há pessoas de várias nacionalidades, que estavam passando o fim de ano nos Alpes suíços. O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que 16 cidadãos italianos estão desaparecidos. O país é vizinho da Suíça.
Beatrice Pilloud, procuradora-geral do cantão de Valais, afirmou na ocasião que uma investigação foi aberta "para identificar as circunstâncias que levaram a essa situação dramática".
Segundo ela, trabalha-se com a hipótese de um incêndio e a possibilidade de um ataque foi descartada. Mas Pilloud alertou: "O trabalho vai levar tempo".
O que dizem as testemunhas
Duas pessoas de nacionalidade francesa, Emma e Albane, que estavam no bar Le Constellation comemorando o Ano Novo quando o incêndio se iniciou, relataram ao canal francês BFMTV que o incêndio teria começado porque uma vela foi colocada muito próxima ao teto, que teria então pegado fogo.
Elas disseram que uma das garçonetes colocou velas de aniversário em cima de algumas garrafas de champanhe e que uma delas foi erguida.
Estação de esqui na Suíça — Foto: BBC
A evacuação foi "muito difícil", afirmaram elas, porque a rota de fuga do local em que estavam era "estreita" e a escada que levava para a rua era "ainda mais estreita".
"Tivemos muita sorte", concluíram, dizendo que havia "cerca de 200 pessoas tentando sair em 30 segundos por uma escadaria muito estreita".
Um homem contou à agência de notícias AFP que ficou preso dentro do prédio em chamas e precisou quebrar uma janela para conseguir escapar.
"Eu estava no subsolo. Eu e meus amigos estávamos nos divertindo; infelizmente, alguns dos nossos amigos não estão mais conosco por causa do incêndio."
Sobre os momentos antes do início do incêndio, ele afirmou que havia garçonetes no bar "com garrafas de champanhe com sinalizadores muito próximos do teto", e que o "fogo se espalhou de repente".
A testemunha Dominic Dubois disse à agência de notícias Reuters que um bar próximo ofereceu abrigo e calor em uma noite fria, com as cortinas sendo usadas para ajudar a manter as pessoas aquecidas.
Uma agência local do banco UBS também foi aberta, acrescenta ele: "Empurramos todas as mesas para o lado, todas as mesas foram afastadas, e as pessoas entraram. Estava quente lá dentro e havia mais luz também, então a triagem foi feita ali".
Dubois disse que havia "muitas cenas chocantes", acrescentando: "Havia muitas pessoas muito fortes, que se mantiveram firmes e entenderam que suas vidas estavam em perigo, mas decidiram que, mentalmente, era mais importante manter a calma".
A repórter da BBC News Silvia Costeloe, que está no local, ouviu uma pessoa que teria entrado no bar em chamas para tentar salvar as pessoas que estavam lá dentro.
"Pensei que meu irmão mais novo estivesse lá dentro, então entrei e tentei quebrar a janela para ajudar as pessoas a saírem."
O homem disse que, ao entrar, viu pessoas "queimando da cabeça aos pés, sem roupa nenhuma", acrescentando: "Foi muito chocante".
Ele afirmou ainda que os bombeiros e médicos chegaram e assumiram o controle da situação, mas que ele tentou ajudar no que podia, oferecendo água e roupas aos feridos, inclusive dando sua jaqueta a um homem com queimaduras.
A editora da BBC News Rorey Bosotti conversou com um hóspede de um hotel que está a cerca de 50 metros do Le Constellation e afirmou que ele e a família tinham acabado de comemorar a chegada de 2026 no quarto quando ouviram uma série de explosões.
"Pensamos que alguém tivesse soltado fogos de artifício na entrada do hotel", disse Oleh Paska, que está em Crans-Montana com a esposa e o filho.
Nos primeiros minutos, segundo o relato, eles ainda acharam que o barulho era apenas uma "comemoração normal".
Chegaram a ouvir alguém "chorando" do lado de fora, mas a princípio pensaram que uma briga tinha começado entre os jovens que estavam celebrando o Ano Novo.
Os serviços de emergência começaram a chegar, contudo, e a esposa de Oleh percebeu "diferentes tipos de sirenes" tocando, sinalizando a chegada de ambulâncias, policiais e bombeiros.
Como é o bar Le Constellation
Imagem de novembro de 2024 mostra interior do bar — Foto: Google Maps via BBC
O Le Constellation é um bar grande no resort de esqui suíço de Crans-Montana, que existe há ao menos 40 anos.
Apesar de a região de Crans-Montana — uma luxuosa estação de esqui localizada no coração dos Alpes Suíços, a aproximadamente duas horas da capital suíça, Berna — ser conhecida pelo luxo, o bar em si, segundo a jornalista da BBC Silvia Costeloe, "é grande e não é suntuoso".
Segundo Costeloe, o Le Constellacion é uma "verdadeira instituição" local.
No andar de cima, há uma área com telas de TV onde as pessoas costumam assistir a partidas de futebol. No andar de baixo, fica um grande bar onde os frequentadores provavelmente estavam bebendo e dançando.
O local tinha capacidade para até 300 pessoas e contava com um pequeno terraço, embora não se saiba quantas pessoas estavam lá no momento do incêndio.
Os feriados de Natal e Ano Novo são um dos períodos mais movimentados do ano para os resorts de esqui dos Alpes Suíços, e é provável que o bar estivesse cheio de suíços e turistas comemorando a chegada de 2026.
Hospitais recebem feridos
Porta-vozes de órgãos de resgate da Suíça informaram que a operação de emergência enviada ao local contou com 10 helicópteros, 40 ambulâncias e 150 socorristas e que a maioria dos feridos sofreu queimaduras graves.
Eles foram encaminhados para o hospital tanto de Valais quanto de cidades em outras regiões da Suíça.
A diretora do Hospital Universitário de Lausanne, Claire Charmet, afirma que a unidade já recebeu 22 pessoas.
Estação de esqui na Suíça — Foto: BBC
Ao jornal suíço 24 Heures, ela afirmou que esses pacientes, com idades entre 16 e 26 anos em média, seriam "os casos mais graves".
"O posto médico avançado em Crans já foi liberado dos casos mais críticos", ressaltou.
A recuperação dessas vítimas, segundo ela, será "um processo longo e intenso, que durará várias semanas, talvez até meses".
Ela acrescenta que é "muito cedo para determinar" se alguma delas corre risco de morte, dizendo que a prioridade tem sido "receber os pacientes, identificá-los, conectá-los com suas famílias e garantir que o processo de atendimento esteja funcionando".
Outras 60 pessoas estão recebendo atendimento no hospital de Sion.
A procuradora-geral de Valais afirmou ainda que as autoridades também estão trabalhando para identificar as vítimas fatais e devolver os corpos às famílias o mais rápido possível.

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