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Enteado de Jaques Wagner ascendeu na Bahia sob lastro familiar e distante das bases do PT

Eduardo Mendonça Sodré Martins, 39, chegou ao governo da Bahia em janeiro de 2023 sob lastro familiar, com indicação do padrasto Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula (PT) no Senado, e da mãe Fátima Mendonça, primeira-dama do estado entre 2007 e 2014.

Alvo da operação Compliance Zero, o advogado tem trajetória profissional no setor privado e não é filiado ao PT. Com uma relação próxima da cúpula da legenda, mas distante das bases, chegou ao cargo de secretário estadual do Meio Ambiente do governo Jerônimo Rodrigues (PT).

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões da PLK One Participações, firma vinculada à operação Credcesta, para uma microempresa da esposa de Eduardo Sodré, Bonnie Bonilha. A empresa pagadora é ligada ao empresário Augusto Lima – ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Segundo a PF, Sodré tinha um papel ativo nas cobranças a Augusto Lima. Em 4 de setembro de 2025, ele enviou uma mensagem ao banqueiro: "Amanhã vencem os boletos e são altos".

Em resposta, Lima alegou dificuldades citando o insucesso da operação de venda do Banco Master para o BRB — o Banco Central havia vetado o negócio no dia anterior. No entanto, efetuou os pagamentos pouco mais de um mês depois, em 17 de outubro de 2025.

Os pagamentos foram feitos à BN Financeira, firma em nome de Bonnie Bonilha constituída como microempresa, com capital social reduzido e, segundo a PF, sem aparente estrutura operacional compatível com os valores movimentados.

Também foram encontradas planilhas no telefone celular do advogado Daniel Lopes Monteiro, ligado a Augusto Lima, contendo pagamentos de R$ 2,3 milhões a "Dudu", apelido que, segundo a investigação, corresponderia ao enteado de Jaques Wagner.

Graduado em Direito pela Universidade Católica do Salvador, Eduardo Sodré é professor universitário e foi membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Atuou como consultor e não tem um histórico de atuação direta na Justiça como advogado.

Sua gestão frente à pasta do Meio Ambiente é vista com reserva por ambientalistas que atuam na Bahia. Em 2025, o estado registrou uma queda de 17% nos indicadores de desmatamento, mas a Bahia foi o terceiro estado com mais áreas de vegetação nativa devastadas do país.

Em entrevistas, ele se define com quadro técnico e diz não ter pretensão de disputar cargos eletivos.

Com exceção da própria empresa de advocacia, a atuação empresarial de Eduardo Sodré é próxima aos negócios do pai, o publicitário Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, amigo de longa data de Jaques Wagner e também alvo da operação Compliance Zero.

As investigações apontam que Guilherme Sodré teria atuado como articulador entre o núcleo empresarial do Banco Master, o entorno pessoal de Jaques Wagner e o gabinete do senador.

Ele também foi investigado na Operação Satiagraha, de 2008, por supostamente atuar como lobista do banqueiro Daniel Dantas – as provas que embasaram a investigação seriam anuladas três anos depois.

Guilherme Sodré tem relação próxima com o Master. Um livro que conta a história de seu pai, Geraldo Sodré Martins, foi lançado em 2022 em Salvador com patrocínio do banco de Daniel Vorcaro.

Eduardo e Guilherme Sodré são atualmente sócios de duas empresas: uma firma de serviços administrativos e uma patrimonial.

Dados do CruzaGrafos, ferramenta desenvolvida pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) com dados de empresas registradas na Receita Federal, mostram que a patrimonial MMSM consta como sócia de uma empresa do setor de energia.

Junto com o pai, Eduardo Sodré também foi proprietário de uma empresa de comunicação e de uma financeira, ambas liquidadas.

Após a operação desta quinta-feira (18), o governador Jerônimo Rodrigues prestou solidariedade ao senador Jaques Wagner nas redes sociais, mas não fez nenhuma referência ao seu secretário de Meio Ambiente, também alvo das investigações.

Entre aliados do governador, a avaliação é que o Eduardo Sodré deve seguir no cargo.

O secretário foi procurado nesta quinta-feira (18) e sexta-feira (19) por meio de sua assessoria, mas não se pronunciou sobre as investigações da Polícia Federal.

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