Diversos atos foram realizados por toda a Alemanha para apoiar Fernandes, muitos deles convocados pelo coletivo Vulver, que denunciou as "lacunas gritantes" da proteção jurídica das mulheres na internet.
A Alemanha já estava preparando um projeto de lei sobre a divulgação de vídeos falsos gerados com IA (chamados "deepfakes"), mas a publicação, em meados de março, de uma investigação da revista Spiegel sobre este caso evidenciou a urgência de regular estas práticas.

‘Violentada a cada clique’, vítimas contam consequências da pornografia de revanche
"Ele me oferecia a outros homens para ter relações sexuais. Durante anos procurei o responsável, inclusive em um documentário. Nunca teria suspeitado do meu marido", acrescentou.
Collien Fernandes em um evento de premiação. — Foto: THOMAS BANNEYER / DPA / AFP
'Paraíso para os agressores'
Na sexta-feira (27), o Ministério Público alemão afirmou que está investigando Ulmen por uma "suspeita inicial" baseada nos elementos apresentados pela atriz no artigo da Spiegel.
Uma denúncia já havia sido apresentada em 2024, mas foi arquivada em junho por falta de pistas para identificar o autor dos vídeos.
Fernandes denunciou que o marco jurídico para casos deste tipo continua sendo muito limitado na Alemanha, país que é, segundo ela, um "paraíso para os agressores".
A atriz também apresentou uma queixa na Espanha, onde o casal morava e no qual a legislação sobre violência contra as mulheres é mais rígida.
O escândalo levou milhares de pessoas às ruas. No dia 26 de março, 17.000 manifestantes protestaram em Hamburgo, no norte do país, para pressionar o governo.
Milhares vão às ruas em protesto por mais proteção para as mulheres na Alemanha. — Foto: KIRILL KUDRYAVTSEV / AFP
Os manifestantes estão também "do lado das vítimas que não têm uma voz tão forte nem qualquer publicidade", declarou à AFP Luna Sahling, porta-voz da Juventude dos Verdes, que organizou outra marcha no domingo em Munique (sul).
"Precisamos de leis verdadeiras que sensibilizem especialmente as mulheres sobre esta violência digital", sublinhou.
Questionado há alguns dias por uma deputada sobre o que pretendia fazer para proteger as mulheres da violência, o chefe de Governo alemão, Friedrich Merz (conservador), evocou uma "explosão da violência na nossa sociedade, tanto no espaço físico como no digital".
"Uma mentira populista escandalosa", reagiu Lydia Dietrich, diretora da associação feminista Frauenhilfe München, durante o ato de apoio a Collien Fernandes na capital da Baviera.

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